No final sempre sou a louca
April 25, 2017 - Tags: Devaneios, Textos

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No final do dia eu sempre sou a louca. Chamo demais, mando muitos memes, rio demais, grito demais, beijo demais, chamo para sair muitas vezes na mesma semana, marco uma saída muitas semanas à frente, falo demais, pergunto demais, cobro demais, crio expectativas demais.

No final, mesmo que mal tenha tido um começo, sobra uma pessoa amedrontada e outra esgotada. Eu sempre sou a segunda.

Intensidade com ansiedade dá nisso; muito de tudo. E não só muito, mas para agora, para ontem.  O azar é que ninguém que tropeça pelo meu caminho partilha de nada disso. Um pouco só dessa intensidade ou dessa ansiedade já seria o suficiente para a balança não ficar tão pesada no meu lado. Mas nunca é.

Acabo estragando tudo porque se não tem meu ritmo, então que não tenha ritmo nenhum. Prefiro dançar sozinha do que dançar com alguém uma música que não escolhi. Escolho me levantar e ir embora da festa do que ter que esperar ele me tirar pra dançar. Se não quer dançar agora, querido, então deduzo que não vai querer dançar nunca.

Dou meu adeus e sigo, mesmo tendo ciência de que, para o querido, os meus 40 minutos possam ser 3. Não importa, não funcionaria. As engrenagens girariam em sentidos influentes uma para a outra, então ele correria ou me mataria. Mataria porque é isso que querem fazer aos loucos e, no final da conversa, do lance, do pequeno romance, eu sempre acabo sendo a louca.

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Problematizando os filmes do John Hughes
March 04, 2017 - Tags: Arte, Cinema, Devaneios, Textos

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Problematizar John  Hughes talvez seja a coisa mais difícil que tenha que fazer. Eu admiro muito seu trabalho como roteirista e diretor. Ele foi capaz de entender a alma jovem mesmo já tendo passado da adolescência, e por meio dos seus filmes se comunicava com adolescentes que tinham seus medos e dramas desconsiderados apenas por terem 16 anos. Filmes como O Clube dos Cinco fala de como a sociedade é cruel, separando pessoas que poderiam vir a ser amigas, mas que, devido as panelinhas, não se conhecem, não mostram seus verdadeiros lados. Curtindo a Vida adoidado dramatiza um adolescente que quer só aproveitar a vida, mas tem uma grande mensagem – se você não sabe qual é, sugiro assistir o filme novamente .

Acontece que fica difícil ver tais filmes hoje em dia, quando você já tem uma visão mais apurada de falas machistas e/ou sexistas. Não creio que John tenha sido de fato machista, as coisas em 1980 eram muito diferentes de hoje, falas que possuíam nos filmes de antigamente jamais entrariam nos de hoje em dia. Tudo era mais jogado na época. Se feitos atualmente, John Hughes provavelmente reescreveria tudo. Além de já ter feito personagens femininas fortíssimas para os filmes da época, tenho certeza de que hoje as faria ainda mais fortes.

Mas, como já citado aí em cima, coça os dedos e a boca para não falar nem escrever sobre algumas situações nesses filmes que tanto amo. É por isso que aqui estou, com pesar, apontando algumas das vezes em que John Hughes foi machista e eu só percebi agora.

 

Sixteen Candles – Gatinhas e Gatões

1 . No baile da escola, o personagem Nerd (sim, ele não tem nome), inferniza a protagonista Samantha para ficar com ele. Depois de ver os dois conversando, o galã e amor platônico de Samantha, Jake, pergunta para o Nerd se ele a conhecia. “Sim. Por que?  Ela é sua?!” diz o garoto em um tom desesperado de perdão, ao que Jake responde que não.

Usarei o Raio problematizador pra facilitar sua vida caso não tenha visto nada demais nessa fala: se Jake falasse que Samantha era “dele” o Nerd iria parar de atazaná-la, mas apenas e exclusivamente porque Jake aclamaria ser  o “dono dela” (bandeira vermelha I). Porém, como a garota ainda não “pertencia a ninguém” OK continuar fazer da vida dela um inferno (bandeira vermelha II) e assim ele o faz pelo baile inteiro.

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2. Depois de um festão na sua casa, Jake desabafa para o Nerd que não está feliz  namorando a garota mais popular da escola e que talvez a protagonista Samantha seja uma escolha bem melhor. É quando ele olha para o Nerd e diz “Eu tenho uma namorada  desmaiada na minha cama, poderia violá-la de 10 maneiras diferentes agora, mas não quero”. Depois ele completa dizendo que tudo que sua namorada  quer é sexo e festa. Entendemos o que Jake quis dizer, mas BANDEIRA VERMELHA! Foi uma fala muito infeliz,  Hughes.

3. Depois do desabafo, Jake precisa se livrar da namorada bêbada e desmaiada. Como é um namorado maravilhoso – só que não – ele entrega a garota para o Nerd e até empresta o carrão do seu pai para o garoto ficar mais feliz.

Ao “dar a namorada” para o Nerd levar até a casa dela, Jake fala para ele se divertir com ela. A garota está desmaiada, com um cara que não conhece e ele permite que o rapazinho nerd se “divirta” com ela. Entendo que a garota é superficial e chata, mas ela ainda é um ser humano, não é mesmo, Jake? Dispensa raio problematizador.

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The Breakfast Club – O Clube dos Cinco

4. Quando os cinco adolescentes estão tendo o diálogo mais profundo do filme ( aliás, muito bem feito, escrito e desenvolvido),  todo mundo fica enchendo o saco da personagem popular, Claire, para ela falar se já tinha transado ou não. A seguinte fala da personagem Allison pode ser vista de duas maneiras:

“Bom, é uma faca de dois gumes, não é? Se você transou vão te chamar de vadia, se não transou é puritana. É uma pegadinha”.

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Allison pode tanto estar problematizando a injustiça que é isso ou não. De fato é uma fala tão real que funciona até hoje. Se você não transar é frígida, se transar é vadia. Nada que a mulher faz está correto. Excelente Hughes apontar isso em um filme adolescente, mas poderia ser mais desenvolvido, pois se Alisson estivesse problematizando só pareceu que ela estava acusando Claire do tipo “se você fez é vadia, se não é puritana. Se vira com isso aí e responde logo se já transou ou não!”.

5. Aparentemente  todo o  grupo pega Claire para cristo. No mesmo diálogo, logo após Alisson dizer que fazer sexo ou não fazer é uma pegadinha, ela pergunta para Claire se ela é uma provocadora, e Claire pede para todo mundo deixar esse assunto para lá, ao que o atleta Andrew diz:

“Você é uma provocadora e sabe disso. Todas as garotas são”.

Então o malandrão do filme, John Bender, entra na conversa também:

Fala logo, você é uma provocadora”.

“Eu não sou provocadora” – rebate Claire.

John insiste.

“Claro que é. Você mesma disse. Sexo é sua arma, você mesma disse. Você usa para conseguir respeito”.

“Não, eu nunca disse isso. Ela (Allison) destorceu minhas palavras.”

John, não contente, insiste em perguntar novamente.

“Para que você usa então?!”

“Eu não uso para nada. Ponto final!”

“Ah, entendi. Então você é clinicamente ou psicologicamente frígida?” – finaliza John.

Todos ficam acusando Claire de ser uma provocadora porque: 1) Todas as mulheres são (BANDEIRA VERMELHA! Aparentemente nós mulheres saímos por aí provocando tudo e todos e nem nos damos conta disso. Agora sim entendi porque somos estupradas) e 2) Ela não faz sexo, então usa isso para ter poder sobre os homens. Ou seja, para eles, Claire não sair dando pra todos os caras é porque ela considera sexo – ou a falta dele – uma forma de poder e usa isso muito calculado friamente a seu favor ( super bandeira vermelha!). Por fim, 3) Depois de admitir que Claire não usa o sexo para conseguir o que quer (seja fazendo ou não), John Bender a chama de frígida. Se não viu problema aí, volte para a casa 4.

 

6. John Bender assediou Claire desconfortavelmente ao longo do filme inteiro e, mesmo assim, a garota o beijou no final do filme.

Mas hein? Vez ou outra eu consigo interpretar isso da seguinte forma: bom, ela viu que ele era um babaca por ter uma vida realmente difícil. Debaixo dessa camada estereotipada de bad boy ele é uma pessoa legal e boa e ela pensou estar beijando essa camada. Entendo que, talvez, o intuito de John Hughes tenha sido quebrar estereótipos fazendo a popular certinha ficar com o malandrão, mas é um pouco difícil não se incomodar com isso no final das contas.

 

Agora, pausa para uma observação sobre o personagem John Bender

Já vi muitos textos que fazem de John o principal alvo de problematização de O Clube dos Cinco, mas  na verdade John não precisa ser problematizado pois o personagem foi feito exatamente para ser o problema.   O bad boy – que não larga do pé da personagem popular Claire um minuto – a assedia, a faz se sentir menor e envergonhada por inúmeros motivos, mas ele não é um grande problema no filme pelo mesmo motivo que não critico um filme que possui um estuprador como personagem. Se o papel do personagem estuprador é estuprar, como irei me incomodar com isso? Se vejo um filme de terror onde o monstro mata não faz sentindo achar ruim o monstro ser um assassino.

Não sei se me fiz entender bem, mas é o seguinte: John é um babaca, machista, com problemas mentais e comportamentais que foram expostos no filme. Ele está ali para ser um babaca mesmo, por essa razão não há motivo em problematizar suas ações, uma vez que são bem explícitas. O personagem é um babaca. Ponto. Aceite suas babaquices ou só veja filmes com pessoas bondosas. Caras como Bender tem aos montes no mundo, por isso continuaremos a ver filmes cheios deles.

Além de tudo isso, John Bender é um personagem necessário pois, se você ver o filme novamente, vai notar que se não fosse ele os personagens não iriam interagir. Sendo quem era,  fez todos se unirem contra ele, depois reclamarem dele e até causar briga entre eles mesmos. Portanto, John infelizmente foi um elemento necessário. Ele agitou as ondas da interação no roteiro. Sim, defendo Bender, mesmo, de fato, ele tendo assediado muito Claire. Algumas situações são desconfortáveis de assistir estando eu do ponto de vista da garota.

 

7. Vem a parte que mais me incomoda, pode parecer besta depois de tudo isso, mas é o seguinte: temos a personagem Allison que é a esquisitona do filme. Ninguém olha para ela com admiração, só repulsa. Mesmo sendo bonita para os padrões, o fato de ela falar o que fala e se vestir do jeito que veste a torna “inamorável”.

Mas, veja só, logo depois de Claire oferecer um make over para a garota (cena fofa, aliás). O esportista Andrew parece só reparar nela depois que essa repaginação acontece.

Andrew diz que ela está bonita, mas fica claro que é porque agora ela está como todas as outras garotas da escola. Feminina, frufru, normal. E assim, sem se incomodar com o fato de que o garoto só foi olhar para ela porque ela trocou de roupa,  Allison cai no papo e fica com ele. Shipo?Shipo. Mas Jonh Hughes poderia quebrar estereótipos – que é exatamente sobre o que o filme fala – deixando a “esquisita” continuar esquisita e mesmo assim ficar com o atleta. Isso sim seria maravilhoso.

Pretty in Pink – A Garota de Rosa Shocking

8. A protagonista Andie, nada popular, vitima de bullying e bolsista na escola,  começa a sair com Blane um dos garotos ricos e populares. O filme gira em torno de ela ter vergonha de ser pobre e ele rico e ela começar a entrar no ciclo de amizades que, junto com seus amigos, tanto repudiava. Acontece que  depois de promessas e falas fofas em que jurava não ligar para status e demonstrar que se importava, Blane  deixa  Andie na mão.

Depois de a convidá-la para o baile e a garota se encher de expectativas (como acontece com todas as protagonistas de adolescentes em filmes americanos) Blane a desconvida de última hora e termina tudo  puramente por não aguentar a pressão dos amigos. Amigos que chamavam Andie de lixo que servia apenas para transar só por ser pobre.

A garota não se deixa abalar. Mesmo assim faz seu lindo vestido rosa e vai sozinha para o baile de formatura enfrentar todos aqueles que a odeiam. Ótima mensagem, John Hughes…Mas…

Quando finalmente você pensa que veria um filme onde a protagonista fica feliz e sozinha, o lindão reaparece, pede desculpas e ela o aceita de volta. Mesmo depois de a ter humilhado e “desistido” dela. Ah, não né!?

No meu final alternativo Andie ficou sozinha, segura e feliz e seu melhor amigo ( não citado nesse post) parou de dar em cima dela e passou a vê-la apenas como amiga.

Essas são algumas coisas que, ao assistir recentemente, me incomodaram. É engraçado porque quando incomoda não tem como fugir da problematização. Então parei, pensei “por que senti essa alfinetada aqui? Ah, foi por isso” e cheguei nessas conclusões. John Hughes não era um visionário, apenas refletia uma geração nos seus filmes, sei disso. Esses filmes cumprem bem o papel de entreter e de quebra passa mensagens, é por essa razão que, mesmo com tais pontos incômodos, continuarei amando todos.

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25 coisas que você começa a perder quando passa dos 25
November 22, 2016 - Tags: Devaneios

 

  1. Cabelosem-titulo
  2. oportunidades de emprego
  3. amigos
  4. paciência
  5. perspectiva
  6. baixa tolerância ao álcool
  7. tempo
  8. energia
  9. baladas
  10. os avós
  11. colágeno
  12. vontade de ir a eventos de anime
  13. energia
  14. festas de aniversário
  15. presentes de aniversário
  16. dinheiro
  17. gosto por bolacha recheada
  18. gosto por cerveja barata
  19. flexibilidade
  20. capacidade de adaptação
  21. tempo para escrever
  22. tempo para ler
  23. tempo para dormir
  24. tolerância
  25. vontade de usar all star

 

 

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Afliceta
November 03, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Você está perto agora. Tão perto que quase consigo te tocar,  mas não dá, porque você, na verdade, não está aqui. Embora consiga ver claramente esse pelo desproporcional crescendo no seu ombo. Sozinho, meio nojento. Eu sempre pedia para você mesmo arrancá-lo porque eu tinha repulsa, mas agora que você voltou e ficou aqui na minha frente, quase real o suficiente, tenho o impulso de arrancar eu mesma. Eu ia sentir una afliceta e você riria, os dentes perfeitamente alinhados e amarelos por causa do cigarro que eu mesma te viciei. A gente nunca funcionou, nunca tivemos química, já reparou? Mas ao mesmo tempo funcionávamos porque eu ria. Só não fazia você rir, coisa que depois que descobri virou um incômodo crescente, mais do que aquele outro incômodo, que eu tenho certeza que você não fala pra ninguém. Ou se fala coloca a culpa em mim, “ela fazia isso”. Jamais um “eu não era capaz”. O que importa é que eventualmente depois, acabei deixando de rir também. Eu tentaria te explicar que enquanto você estava lá era ótimo, mas isso não ia funcionar mais, já está tudo cagado. Bosta no ventilador. Você não quer mais saber e eu te odeio. Nada que eu possa fazer, exceto quando, vez ou outra, você fica perto assim. Quase tocável, como se nunca tivéssemos feito daquilo tudo essa droga. Em momentos assim, eu quase consigo te tocar, não dá, mas posso te dizer: você me ferrou legal.

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O precipício do flerte
July 27, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Minha parte preferida do flerte é quando se está na pontinha do precipício. Quando se sabe que vai ter que pular e a outra pessoa está do outro lado, em outra pedra, você só não sabe se ela quer tanto pular como você, mas percebe que ela está com um pé na frente do outro pronta para pegar impulso.

Exemplo é essa cena que se repete, vira e mexe,  na minha cabeça:
é uma festa, eu não sou amiga do dono da festa, mas conheço alguém que conhece o dono. Estou bem naquele dia, só quero rir com meus amigos e a festa está com aquele pó de pirlimpimpim no ar que agora são raros, não se encontra em qualquer baladinha, não.

Alguém me abandonou e estou parada, sem ficar pensando se tem alguém me olhando ou em fazer pose, só ali parada segurado meu copo vermelho de festa americana. E aí um grupo na minha frente se mexe, um pessoal sai e a pessoa surge no meu campo de visão, bem de frente pra mim e já olhando na minha direção como se soubesse que eu estaria ali. Eu olho para ela, ela sorri sem graça. A gente nunca ficou, mas a gente sabe também que se não for ali não vai ser mais.

Então eu  me melo de medo, fico parada porque nunca faço nada. E a pessoa vem até mim e puxa um papo ridículo e me dá calafrios só de me cumprimentar com um beijinho no rosto.

Mas a parte do beijinho não importa, ela é depois da melhor parte, o precipício. O precipício mesmo é o momento em que a gente – eu e a pessoa – se vê no mesmo lugar, solteiros, bêbados, nos divertindo a beça e com alguns passinhos nos separando.

A pessoa pode pular ou não, eu posso beber mais pra criar coragem e acabar perdendo a chance ou não. Mas o que importa é estarmos separados, esse momento no qual cada um ainda está no seu próprio precipício. Eu vivo para esses momentos porque depois deles é só queda.

 

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Gente de esquerda hipoteticamente falando
May 21, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Gente de esquerda pra mim é gente que bebe na calçada, é gostar de fazer nada pelo prazer de fazer nada, é lutar por aqueles que não conhecem e pela melhora de uma vida e realidade que, nem sempre, se viveu.

Gente de esquerda pra mim é ser anti elitista, chorar em filme, ler livros de história mas também gostar de Harry Potter. É abraçar os amigos e fazer mais amigos só pela benção que é fazer amigos. É não julgar pelas primeiras impressões e, se julgar, depois assumir. “Julguei. Errei. Caguei”.

Gente de esquerda é ator, é músico, é pintor, é das artes, é do amor ( ou tenta ser, ninguém é perfeito), é mochileiro, é da natureza, é da balada cheia e feia mas que toca música boa.

Gente de esquerda pra mim é feminista, luta contra a homofobia mesmo sendo hétero, contra o racismo sem ser negro, fica triste quando tem algum pensamento escroto e depois sente um prazer inexplicável o desconstruindo pra construir um novo e depois desconstruir de novo. Se policia sobre o que pensar, se questiona todos os dias sobre o porquê de pensar do jeito que pensa. Quando acha que encontrou uma teoria, uma resposta, uma maneira de se tornar melhor, vai lá e muda, porque estava tudo errado.

Gente de esquerda é chinelo de dedo, é roda de violão na praia, é viagem pra São Thomé, é sorriso brisado, é amor ao próximo, é ser pensante. Gente que desliza sempre, mas que assume o deslize e, quando dá, está pronto para sambar de novo e tentar trazer os bolsominions para o lado bom da força.

Obs: Esse texto é apenas minha percepção real, baseada em vivências mundanas, sobre gente CONSIDERADA de esquerda. 

(leu o CONSIDERADA, né?)

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Sempre tem
March 29, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

Sempre tem aquela pessoa que você vai responder as mensagens super animada. Oi! Tudo ótimo! E você? Diga!! E ela vai responder blasé e pedir alguma coisa e você vai dar, porque quando ela pede você sempre dá.

Desesperada para parecer interessante, para captar sua atenção você vai vomitar mensagens idiotas e piadas sem graça e a pessoa vai sumir, sem cerimônias. Bem assim, quando você faz uma pergunta, sem medo nem escrúpulos de te deixar no vácuo. Até ela voltar e  você responder as mensagens super animada . Oi! Tudo ótimo! E você? Diga!! E você vai dar, porque quando ela pede você sempre dá. Sempre.

O intervalo aumenta conforme a frequência das mensagens diminuem. E não há curtidas em posts que alimentem suas expectativas mais. Até que, por fim, a pessoa, assim como seu perfil, começa a virar um fragmento muito pequeno da sua vida e você começa a rir de como a pessoa está enfeiando.

Dizem que a vida é uma montanha russa. Uma hora se está por baixo, mas eventualmente acabamos ficamos no topo também, um ciclo. A pessoa teve seu topo e agora está descendo. E você está aqui esperando ansiosamente sua vez de ficar deslumbrante e lançar um best seller.

 

 

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Sozinha muito bem acompanhada
February 03, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

Acho que é normal quando terminamos um namoro lembrarmos só das coisas boas quando bate a saudade, como o Tom fez com a Summer. Mas hoje me lembrei da fala da irmã mais nova do Tom, a Hit Girl, que quando olhar para trás é importante lembrar também das coisas ruins. E apesar do meu coração estar mole e cansado e eu querer chorar (sem comer chocolate porque até a vontade de comer se foi), resolvi lembrar dessas coisas ruins. Na verdade da coisa ruim.

Mesmo se ele voltar eu vou continuar me sentindo sozinha. O que é irônico uma vez que, ultimamente, parece que me sinto sozinha por sua ausência. Mas me lembrei de que não, a diferença é que eu me sentia sozinha, mas sabia que ele, mesmo distante em seu casulo, ao menos estava do meu lado. Agora eu só estou sozinha e tudo o que tem do meu lado é um copo do Homem Aranha.

O desafio, na verdade, é tentar compreender até que ponto um par pode te fazer se sentir completo. Até que ponto estar com alguém pode suprir sua solidão. O maior desafio pra mim, e que espero um dia tentar vencê-lo, é saber se a outra pessoa tem realmente a obrigação de me fazer me sentir completa. Ou não.

Mas como assim, ou não?

Ou não porque já ouviram falar de que é impossível amar alguém não estando bem com você? Pois é. O desafio maior ainda é saber se você se sente sozinho porque não se ama, e assim deposita no outro todas as expectativas de te fazer se sentir alguém melhor do que se sente.

No momento não tenho essas respostas, só sei que em meio a esse vazio saudoso penso que é melhor me sentir sozinha estando de fato sozinha.

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Fina como a Margot
November 26, 2015 - Tags: Devaneios, Textos, Uncategorized

tumblr_mp271ijTrD1sus7e5o2_1280Sabe quando as coisas começam a ficar finas? Agora eu entendo a Margot de Cidades de Papel. Se sentir como um papel não era uma sensação que consegui compreender ao ler o livro de John Green. Mas nesse momento eu entendo.

Enquanto assisto meu ovo fritar penso em volta e não tem ninguém. Todos foram para algum lugar. É irônico como eles vão  logo depois do seu cobertor também ir. Agora que está descoberta, xuxu, não tem ninguém pra te dar nem um lençol.

Parto da teoria de que não tem como estar feliz com alguém se você não está feliz sem ninguém. Mas agora, hoje, enquanto os DVD’s da minha estante ficam finos até parecerem que vão voar com meu sopro, penso que, infelizmente, ter alguém ajuda muito as coisas a ficarem fixas sem voar com qualquer ventinho.

Estou fina como a Margot. Transparente e instável como água. Fina, vulnerável e fácil de rasgar como um papel.

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Simplicidade x Conforto
November 10, 2015 - Tags: Devaneios, Textos
É engraçado como pensar que nada tem um sentido e propósito nos desespera e ao mesmo tempo é o tão bom. Como um tapa na cara avisando para abandonar tudo o que  faz mal e  dar o primeiro passo uma vida saudável.
Ao contrário de qualquer crença, desacreditar faz você mais feliz? Respondo que me faz momentaneamente desesperada, depois feliz e depois deprimida. E te digo o porquê. Porque saber que eu simplesmente tenho que passar por todo esse perrengue que é a vida de metrô, bater ponto e pagar contas não vai me servir de nada ( e por nada eu digo que não vai fazer minha alma evoluir e me tornar um ser mais digno e que, de alguma forma eu terei alguma “recompensa” ou conclusão no final) é revoltante.
Então me agarro a crença de que  tenho que passar por esses e mais milhares de perrengues porque acredito que tudo tem um porquê. Por exemplo, eu tenho um filho e ele acaba se tornando uma pessoa escrota. Pra mim, isso tem que servir de algo. Ou para melhorar ele ou para ele me melhorar de qualquer forma. Se pensar que nada tem sentido ou razão e que nada que vai volta, fica bem mais fácil eu só aceitar que meu filho é simplesmente um escroto e abandoná-lo.
Mas aí é que fica a real pergunta: quem é mais covarde? Quem não acredita em nada porque é mais simples – mais simples dar o foda-se para seu filho porque não existe essa de missão, carma, energia, vida a pós a morte, razão, sentido, closer, etc etc…-  ou quem crê para se sentir confortável e acomodado?
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