Paramore depois da risada, depressão e ansiedade
August 06, 2017 - Tags: Arte, Música

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Paramore lançou  After Laughter, seu mais novo disco, não faz muito tempo e eu pensei que a vontade de falar sobre ele e linkar o tema das músicas da (ex)banda emo iria passar com o tempo, mas só fez crescer.

A banda formada quando os integrantes eram adolescentes não poderia ter caminhado para outra direção. Depois de inúmeros desentendimentos e um CD inteiro dedicado às brigas da banda (o Brand new eyes, de 2009), a volta e a saída de três membros, o próximo CD da banda traria letras com temas  inevitáveis. O que quero dizer é que After Laughter seria um “álbum-consequência” para a o grupo e principalmente para a vocalista Hayley Williams.

O disco e suas letras não poderiam ter caído de forma mais perfeita no momento atual da minha vida. E o mais incrível, na vida de muitos dos fãs da banda, que agora já não são mais adolescentes e têm que encarar a realidade da vida adulta no século da ansiedade e depressão.

O que acontece depois da risada, afinal? Hayley  e qualquer um que sofra de ansiedade e depressão sabe muito bem. Por mais que tenha tentado fugir desses demônios, como a própria vocalista afirmou em entrevistas, eles acabaram a alcançando e a tornaram quase incapaz de conseguir compor para o Paramore. Foi só com a ajuda do guitarrista Taylor que ela conseguiu voltar aos trilhos e juntos fazerem o After Laughter.

Quando ouvi o CD, o estilo hipster das músicas não me agradou de cara não, mas foi ouvindo a letra primeira faixa, Hard Times, que me senti menos sozinha. Era como se Hayley estivesse cantando exatamente o que eu sentia.

Tudo o que eu quero

É acordar bem

Me diga que eu estou bem

Que não vou morrer

                                                 (…)Tempos difíceis

Vão te fazer pensar em por que você ainda tenta.

 

Depois da risada, para mim, é exatamente esse momento que você meio que desiste de dar murro em ponta de faca, se sente tão incompetente e fraca contra as inúmeras coisas ruins que o mundo insistentemente joga na sua cara sem você ter  forças para revidar.  Quando você desiste de tentar ver as coisas pelo lado bom.

Depois de três anos de tratamentos com terapia e remédios, aquela coisa mais forte que você volta com tudo e, na real, você não quer mais fingir que está bem. Não quer que perguntem como você está e, principalmente, só quer que te deixem chorar em paz, exatamente como diz  Rose-colored boy:

(…) Estou tão irritada

Porque eu acabei de matar

O que restava de otimista em mim

Corações estão se partindo, guerras estão aumentando

(…)Apenas me deixe chorar um pouco mais

Não vou sorrir se eu não quiser

Parece mais triste do que é, mas a realidade é que é muito reconfortante ouvir  como você se sente saindo da boca de pessoas que, assim como você, um dia foram seres saltitantes que enxergavam o mundo de uma forma melhor.

Foi uma surpresa ver que agora, com seus 28 anos, Hayley e o guitarrista Taylor tiveram a coragem de falar o que muita gente tem vergonha de expor e escrever músicas que refletem toda uma geração angustiada vivendo em uma sociedade aos pedaços.

Mas nem de coisas ruins After Laughter é feito. As baladinhas românticas e com letras mais animadas ainda estão ali, só que de forma realista. Como Forgviness ( “Não vá me entender errado, perdoar não é esquecer “) ou Grudges:

É estranho como nos achamos

Exatamente onde nos deixamos

Eu sei que você está me cumprimentando

Como se fosse a primeira vez

Pare de perguntar por quê

Por que nós tivemos que desperdiçar tanto tempo

Bem, nós acabamos de levantar, levantamos e começamos de novo.

Depressão e ansiedade estão aí. Empurrar para debaixo do tapete não vai trazer a solução. Acho que o que eu e qualquer outra pessoa que tenha isso nas suas vidas tem que fazer é reconhecer  que estamos presos bem no meio e que, assim como Caught in The Middle diz, não temos que olhar para traz muito menos muito à frente, apenas tentar continuar seguindo.

É por isso que After Laughter, apesar de não ser meu favorito da banda, foi como um presente do universo. A banda cresceu e mudou, assim como eu e meus amigos, e saber que não estamos sozinhos e nem vamos chegar ao fundo do poço nesse furacão de emoções é lindo. O que acontece depois da risada é uma angústia leve, mas seguida da estabilização. Ainda bem.

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Problematizando os filmes do John Hughes
March 04, 2017 - Tags: Arte, Cinema, Devaneios, Textos

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Problematizar John  Hughes talvez seja a coisa mais difícil que tenha que fazer. Eu admiro muito seu trabalho como roteirista e diretor. Ele foi capaz de entender a alma jovem mesmo já tendo passado da adolescência, e por meio dos seus filmes se comunicava com adolescentes que tinham seus medos e dramas desconsiderados apenas por terem 16 anos. Filmes como O Clube dos Cinco fala de como a sociedade é cruel, separando pessoas que poderiam vir a ser amigas, mas que, devido as panelinhas, não se conhecem, não mostram seus verdadeiros lados. Curtindo a Vida adoidado dramatiza um adolescente que quer só aproveitar a vida, mas tem uma grande mensagem – se você não sabe qual é, sugiro assistir o filme novamente .

Acontece que fica difícil ver tais filmes hoje em dia, quando você já tem uma visão mais apurada de falas machistas e/ou sexistas. Não creio que John tenha sido de fato machista, as coisas em 1980 eram muito diferentes de hoje, falas que possuíam nos filmes de antigamente jamais entrariam nos de hoje em dia. Tudo era mais jogado na época. Se feitos atualmente, John Hughes provavelmente reescreveria tudo. Além de já ter feito personagens femininas fortíssimas para os filmes da época, tenho certeza de que hoje as faria ainda mais fortes.

Mas, como já citado aí em cima, coça os dedos e a boca para não falar nem escrever sobre algumas situações nesses filmes que tanto amo. É por isso que aqui estou, com pesar, apontando algumas das vezes em que John Hughes foi machista e eu só percebi agora.

 

Sixteen Candles – Gatinhas e Gatões

1 . No baile da escola, o personagem Nerd (sim, ele não tem nome), inferniza a protagonista Samantha para ficar com ele. Depois de ver os dois conversando, o galã e amor platônico de Samantha, Jake, pergunta para o Nerd se ele a conhecia. “Sim. Por que?  Ela é sua?!” diz o garoto em um tom desesperado de perdão, ao que Jake responde que não.

Usarei o Raio problematizador pra facilitar sua vida caso não tenha visto nada demais nessa fala: se Jake falasse que Samantha era “dele” o Nerd iria parar de atazaná-la, mas apenas e exclusivamente porque Jake aclamaria ser  o “dono dela” (bandeira vermelha I). Porém, como a garota ainda não “pertencia a ninguém” OK continuar fazer da vida dela um inferno (bandeira vermelha II) e assim ele o faz pelo baile inteiro.

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2. Depois de um festão na sua casa, Jake desabafa para o Nerd que não está feliz  namorando a garota mais popular da escola e que talvez a protagonista Samantha seja uma escolha bem melhor. É quando ele olha para o Nerd e diz “Eu tenho uma namorada  desmaiada na minha cama, poderia violá-la de 10 maneiras diferentes agora, mas não quero”. Depois ele completa dizendo que tudo que sua namorada  quer é sexo e festa. Entendemos o que Jake quis dizer, mas BANDEIRA VERMELHA! Foi uma fala muito infeliz,  Hughes.

3. Depois do desabafo, Jake precisa se livrar da namorada bêbada e desmaiada. Como é um namorado maravilhoso – só que não – ele entrega a garota para o Nerd e até empresta o carrão do seu pai para o garoto ficar mais feliz.

Ao “dar a namorada” para o Nerd levar até a casa dela, Jake fala para ele se divertir com ela. A garota está desmaiada, com um cara que não conhece e ele permite que o rapazinho nerd se “divirta” com ela. Entendo que a garota é superficial e chata, mas ela ainda é um ser humano, não é mesmo, Jake? Dispensa raio problematizador.

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The Breakfast Club – O Clube dos Cinco

4. Quando os cinco adolescentes estão tendo o diálogo mais profundo do filme ( aliás, muito bem feito, escrito e desenvolvido),  todo mundo fica enchendo o saco da personagem popular, Claire, para ela falar se já tinha transado ou não. A seguinte fala da personagem Allison pode ser vista de duas maneiras:

“Bom, é uma faca de dois gumes, não é? Se você transou vão te chamar de vadia, se não transou é puritana. É uma pegadinha”.

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Allison pode tanto estar problematizando a injustiça que é isso ou não. De fato é uma fala tão real que funciona até hoje. Se você não transar é frígida, se transar é vadia. Nada que a mulher faz está correto. Excelente Hughes apontar isso em um filme adolescente, mas poderia ser mais desenvolvido, pois se Alisson estivesse problematizando só pareceu que ela estava acusando Claire do tipo “se você fez é vadia, se não é puritana. Se vira com isso aí e responde logo se já transou ou não!”.

5. Aparentemente  todo o  grupo pega Claire para cristo. No mesmo diálogo, logo após Alisson dizer que fazer sexo ou não fazer é uma pegadinha, ela pergunta para Claire se ela é uma provocadora, e Claire pede para todo mundo deixar esse assunto para lá, ao que o atleta Andrew diz:

“Você é uma provocadora e sabe disso. Todas as garotas são”.

Então o malandrão do filme, John Bender, entra na conversa também:

Fala logo, você é uma provocadora”.

“Eu não sou provocadora” – rebate Claire.

John insiste.

“Claro que é. Você mesma disse. Sexo é sua arma, você mesma disse. Você usa para conseguir respeito”.

“Não, eu nunca disse isso. Ela (Allison) destorceu minhas palavras.”

John, não contente, insiste em perguntar novamente.

“Para que você usa então?!”

“Eu não uso para nada. Ponto final!”

“Ah, entendi. Então você é clinicamente ou psicologicamente frígida?” – finaliza John.

Todos ficam acusando Claire de ser uma provocadora porque: 1) Todas as mulheres são (BANDEIRA VERMELHA! Aparentemente nós mulheres saímos por aí provocando tudo e todos e nem nos damos conta disso. Agora sim entendi porque somos estupradas) e 2) Ela não faz sexo, então usa isso para ter poder sobre os homens. Ou seja, para eles, Claire não sair dando pra todos os caras é porque ela considera sexo – ou a falta dele – uma forma de poder e usa isso muito calculado friamente a seu favor ( super bandeira vermelha!). Por fim, 3) Depois de admitir que Claire não usa o sexo para conseguir o que quer (seja fazendo ou não), John Bender a chama de frígida. Se não viu problema aí, volte para a casa 4.

 

6. John Bender assediou Claire desconfortavelmente ao longo do filme inteiro e, mesmo assim, a garota o beijou no final do filme.

Mas hein? Vez ou outra eu consigo interpretar isso da seguinte forma: bom, ela viu que ele era um babaca por ter uma vida realmente difícil. Debaixo dessa camada estereotipada de bad boy ele é uma pessoa legal e boa e ela pensou estar beijando essa camada. Entendo que, talvez, o intuito de John Hughes tenha sido quebrar estereótipos fazendo a popular certinha ficar com o malandrão, mas é um pouco difícil não se incomodar com isso no final das contas.

 

Agora, pausa para uma observação sobre o personagem John Bender

Já vi muitos textos que fazem de John o principal alvo de problematização de O Clube dos Cinco, mas  na verdade John não precisa ser problematizado pois o personagem foi feito exatamente para ser o problema.   O bad boy – que não larga do pé da personagem popular Claire um minuto – a assedia, a faz se sentir menor e envergonhada por inúmeros motivos, mas ele não é um grande problema no filme pelo mesmo motivo que não critico um filme que possui um estuprador como personagem. Se o papel do personagem estuprador é estuprar, como irei me incomodar com isso? Se vejo um filme de terror onde o monstro mata não faz sentindo achar ruim o monstro ser um assassino.

Não sei se me fiz entender bem, mas é o seguinte: John é um babaca, machista, com problemas mentais e comportamentais que foram expostos no filme. Ele está ali para ser um babaca mesmo, por essa razão não há motivo em problematizar suas ações, uma vez que são bem explícitas. O personagem é um babaca. Ponto. Aceite suas babaquices ou só veja filmes com pessoas bondosas. Caras como Bender tem aos montes no mundo, por isso continuaremos a ver filmes cheios deles.

Além de tudo isso, John Bender é um personagem necessário pois, se você ver o filme novamente, vai notar que se não fosse ele os personagens não iriam interagir. Sendo quem era,  fez todos se unirem contra ele, depois reclamarem dele e até causar briga entre eles mesmos. Portanto, John infelizmente foi um elemento necessário. Ele agitou as ondas da interação no roteiro. Sim, defendo Bender, mesmo, de fato, ele tendo assediado muito Claire. Algumas situações são desconfortáveis de assistir estando eu do ponto de vista da garota.

 

7. Vem a parte que mais me incomoda, pode parecer besta depois de tudo isso, mas é o seguinte: temos a personagem Allison que é a esquisitona do filme. Ninguém olha para ela com admiração, só repulsa. Mesmo sendo bonita para os padrões, o fato de ela falar o que fala e se vestir do jeito que veste a torna “inamorável”.

Mas, veja só, logo depois de Claire oferecer um make over para a garota (cena fofa, aliás). O esportista Andrew parece só reparar nela depois que essa repaginação acontece.

Andrew diz que ela está bonita, mas fica claro que é porque agora ela está como todas as outras garotas da escola. Feminina, frufru, normal. E assim, sem se incomodar com o fato de que o garoto só foi olhar para ela porque ela trocou de roupa,  Allison cai no papo e fica com ele. Shipo?Shipo. Mas Jonh Hughes poderia quebrar estereótipos – que é exatamente sobre o que o filme fala – deixando a “esquisita” continuar esquisita e mesmo assim ficar com o atleta. Isso sim seria maravilhoso.

Pretty in Pink – A Garota de Rosa Shocking

8. A protagonista Andie, nada popular, vitima de bullying e bolsista na escola,  começa a sair com Blane um dos garotos ricos e populares. O filme gira em torno de ela ter vergonha de ser pobre e ele rico e ela começar a entrar no ciclo de amizades que, junto com seus amigos, tanto repudiava. Acontece que  depois de promessas e falas fofas em que jurava não ligar para status e demonstrar que se importava, Blane  deixa  Andie na mão.

Depois de a convidá-la para o baile e a garota se encher de expectativas (como acontece com todas as protagonistas de adolescentes em filmes americanos) Blane a desconvida de última hora e termina tudo  puramente por não aguentar a pressão dos amigos. Amigos que chamavam Andie de lixo que servia apenas para transar só por ser pobre.

A garota não se deixa abalar. Mesmo assim faz seu lindo vestido rosa e vai sozinha para o baile de formatura enfrentar todos aqueles que a odeiam. Ótima mensagem, John Hughes…Mas…

Quando finalmente você pensa que veria um filme onde a protagonista fica feliz e sozinha, o lindão reaparece, pede desculpas e ela o aceita de volta. Mesmo depois de a ter humilhado e “desistido” dela. Ah, não né!?

No meu final alternativo Andie ficou sozinha, segura e feliz e seu melhor amigo ( não citado nesse post) parou de dar em cima dela e passou a vê-la apenas como amiga.

Essas são algumas coisas que, ao assistir recentemente, me incomodaram. É engraçado porque quando incomoda não tem como fugir da problematização. Então parei, pensei “por que senti essa alfinetada aqui? Ah, foi por isso” e cheguei nessas conclusões. John Hughes não era um visionário, apenas refletia uma geração nos seus filmes, sei disso. Esses filmes cumprem bem o papel de entreter e de quebra passa mensagens, é por essa razão que, mesmo com tais pontos incômodos, continuarei amando todos.

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Please Like Me – a série cool mais bem feita que você respeita
February 04, 2017 - Tags: Séries

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Josh é um rapaz no começo da faixa dos 20 anos que levava uma vida OK. Tinha uma namorada, fazia faculdade, morava com o seu melhor amigo  e era bancado pelo pai. Mas essa construção de final feliz não dura nem os primeiros minutos do primeiro episódio de Please Like Me. Tudo muda quando Claire, namorada de Josh, termina o namoro dizendo que ele era gay. Em seguida Josh descobre que sua mãe está internada em um hospital depois de tentar suicídio e, surpresa surpresa, ele fica com o primeiro menino da sua vida.

Please Like Me é uma série australiana que estreou em 2013, dirigida e roteirizada pelo protagonista Joshua Michael Thomas que mixa muito bem os elementos de drama e comédia, gerando um dos gêneros do cinema e da TV mais interessantes (e meu preferido): a “dramedia”. A série conta a história de Josh e seus relacionamentos com o pai, a ex, o melhor amigo, namorados, homossexualidade, homofobia e a mãe com problemas mentais.

É surpreendente como a cada episódio você não sabe se vai se sentir feliz ou melancólico. Joshua transita por romance, piadas de “humor inglês” e assuntos sérios como aborto, suicídio, depressão e ansiedade. O mais estranho é que o protagonista em si não é lá muito carismático, Josh parece receber tudo o que acontece a sua volta de maneira um pouco alheia e indiferente. Ele não dramatiza a situação de sua mãe estar doente nem de ter relações com um menino de sérios problemas psicológicos.

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Além disso, ele não é bonito e não consegue manter relações saudáveis com nenhum rapaz mas, de alguma forma, leva tudo com apatia  e a auto estima intacta e em certos momentos isso é irritante. Mesmo assim a série tem um clima magnético que deixa quase impossível eu não fazer maratona, mesmo com episódios seriamente pesados.

O que também é interessante em Please Like Me é ver o relacionamento que Josh tem com os pais. O criador mostra com humor e leveza as dificuldades dessa relação. Outro tema muito abordado é a dificuldade em achar o “tal do amor”, drogas, estabilização financeira e viver com a solidão que, já nessa fase, começa a se tornar parte da vida.

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Fui ver a série pensando que seria uma comédia homossexual sem tensão, me surpreendi com os temas e profundidade de cada assunto, mas positivamente. A série preenche uma lacuna deficiente no baú das séries atuais e é isso que a faz ser genial e original.  Se está transitando pela Netflix sem saber o que ver, super recomendo.

 

 

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The Echo Friendly – o resultado de um xaveco bem sucedido
January 22, 2017 - Tags: Arte, Música

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Em 2009 Jake  estava produzindo um filme com seu amigo e precisava de uma atriz forte para interpretar uma personagem feminista. Foi quando lhe recomendaram Shannon, uma moça que ele já conhecia da época da escola. A escolha foi certeira e ela foi contratada para o filme. Rapaz sagaz, Jake se interessou por Shannon e um dia, de brincadeira, sugeriu que eles tocassem juntos, inclusive já tinha até uma música pronta para ela cantar. O que era mentira, já que Jake tinha metade de uma música, mas aquela desculpa seria o suficiente para fazê-la ir até sua casa.

Em 2010  o novo casal começou a compor e tocar  junto. Assim nasceu a The Echo Friendly, dupla americana que teve seu 1º single na trilha sonora do seriado da HBO, Girls. A  recepção foi positiva e eles lançaram o 1º álbum, Love Panic, em 2014. De lá para cá, ficaram amigos, começaram a namorar, terminaram e voltaram a namorar de novo.

The Echo Friendly mixa garage rock, 90’s rock e pitadas de pós-punk. Sites a fora intitulam a dupla de indie pop/rock, porém o problema de falar isso é que “indie” passou a ser uma característica de música que você não consegue classificar.  Não que a música deva ser classificada, rótulos nem sempre são necessários e The Echo Friendly não precisa, acredito. A dupla faz um som sincero e simples, como se te convidassem para o apê deles e falassem “Olha o som que a gente fez, senta aí no carpete, pega uma breja e ouça”.

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Para Jake compor a música que entrou em Girls ele só teve que chegar em casa bravo  por causa da namorada e companheira de banda, Shannon, e pensar em escrever a coisa mais idiota que  poderia escrever. Algo que ninguém iria ouvir e que ele sabia ser “muito imbecil”. Assim saiu Same Mistakes.

Eu nunca cresci

Parece que nunca vou

Meus amigos são todos adultos

Ainda sou uma adolescente

Eu não mudei nem um pouco

Eu ainda não superei

Eu cometo os mesmos erros”

As letras são narrativas singelas e verdadeiras sobre a vida, na maior parte das vezes insights da fase adulta e relacionamentos. São frustrações que quando se ouve, e percebe que não é apenas você que tem, tranquilizam o coração e te fazem curtir a música ainda mais. É o que chamo carinhosamente de “efeito Smiths”, essa identificação emocional com a letra, que não fala apenas de coração partido, mas também das complicações, algumas, ingênuas, e outras nem tanto, da nossa existência.

Na onda de duplas de rock, indico The Echo Friendly para quem está a fim de ouvir algo parecido com The XX, porém com melodia – desculpe, não podia deixar a piada escapar.

Mas Same Mistakes não é a melhor do álbum,  minhas preferidas de Love Panic são essas aí. Bote os fones e divirta-se.

Worried

 

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Balanço de 2016: os melhores e piores
December 14, 2016 - Tags: Arte, Cinema, Cotidiano, Eventos, Livros, Música

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Esse ano não vai ter texto sobre quão bosta foi 2016. A gente sabe de tudo: Golpe ( ou se preferir um termo mais constitucional: conspiração da oposição), Temer, estudantes desaparecidos, militantes censurados, Trump…

Então fechando os olhos e destrancando um pouco a cabeça, vou  focar no que foi bonzinho esse ano. O que me fez levantar da cama e não desistir de tudo, meus bombozinhos-surpresa que deixaram a vida menos bosta: os melhores de 2016 (e alguns bostas também, pra você já não perder seu tempo ano que vem).

MÚSICA

Por que não começar com uma cantora que eu comecei metendo o pau a beça no início de 2016 e terminei o ano ouvindo ela pra melhorar minha autoestima? Carol Konka. Por que eu odiava sem nem tê-la ouvido direito? Porque eu pensei que era Funk. E funk pra mim, queridos, não desce. Não dá. Mas eis que um dia descubro que a Karol não é funk (rap, com pop, hip hop, black, reggae e uma pitada bem inha de funk carioca, talvez) e o mais legal: suas letras são ótimas, principalmente se és una chica e está naquela fase lamacenta. Ouvir Karol Conka me fez dar um up. Pelo jeito, É o Poder.

Ouvir coisa brasileira dá uma satisfação enorme. Os brasileiros estão fazendo coisas ótimas e tem para todos os gostos. Boogarins surgiu na onda do “new psicodelic”, e sabe aquele som que te leva pra outro nível no cosmos? Pois é. Trilha pra praia, para descansar a alma em meio ao caos todo que foi esse ano.

Mais uma da série “torcia o nariz pra caralho e agora amo”: Arcade Fire. Não lembro o que me fez parar para escutá-los, mas agora a banda não sai da minha playlist.

Como teve outras coisas que fizeram a trilha sonora do meu 2016, segue uma playlist não só das que descobri, mas que embalaram vários momentos do meu ano.

A pior coisa que pude escutar esse ano foi sem dúvida Sorry do Justin Bieber. Não porque é do Justin, mas sim porque eu gostei.

LIVROS

Ia terminar o ano frustradíssima comigo mesma porque não li metade do que gostaria de ler. Mas aí vai uma dica para você que também achou que leu pouco esse ano: pegue os livros que leu e os empilhe. Vai fazer pelo menos um voluminho – no meu caso bem inho – e você se sentirá menos lixo.

Essa é minha vergonhosa pilha de 2016:

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Quem vai ficar com Morrissey : ***
Antes do Baile Verde: *****
Circo Invisível : ****
Wicked: ***
Tá todo mundo mal: ***
ABC de Fernando Pessoa: ***
Gemma Bovery: ****
Deadpool – Meus queridos presidentes: ***

One Man Guy: **

Sim, inclui 2 quadrinhos e me orgulho muito disso! Dessa mixaria, os dois melhores – não só do ano, mas que viraram meus preferidos da vida – foram “Antes do Baile Verde”, da Lygia Fagundes Telles e “Circo Invisível” da Jennifer Egan. Fiz resenha do Circo Invisível no Garotas Rosa Choque, e o Antes do Baile Verde gostei tanto que não ousarei resenhar. Quem gosta de contos e dramas da vida vai amar, sem dúvida. É profundo, delicado e amor. Além disso, nada como incluir uma escritorA  brasileirA na prateleira, né?

Dentre esses o livro mais ruim é o One Man Guy. Não que seja ruim de fato, mas ele tinha mais potencial.

SÉRIES

Esse ano finalmente terminei de ver minha série favorita da vida que me moldou como ser humano: Gilmore Girls. Ela só não  entra na lista de 2016 porque é da vida toda, não apenas desse ano.

A melhor? Não precisa nem dizer… Stranger Things. A série é tão boa que não duvido que a Netflix a fez baseada nos tais algorítimos de audiência. Tem todos os elementos que produziram séries e filmes de sucesso: crianças, anos 80, bebê fofo, sobrenatural, romance juvenil, conspiração e Joy Division na trilha sonora.  Perfeita.

A pior: Penny Dreadful, claro. Eu assisti tudo básica e exclusivamente pela Eva LOVE Green. Porque só isso para me ajudar a engolir o roteiro cheio de furos.

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FILMES

2016 foi fraquíssimo de filmes… Pena. Aceito recomendações.

Pior: Como eu Era antes de você (odiei tanto que fiz um texto inteiro sobre ele. Quer ler e ficar com raiva? Vá Aqui)

Melhor: A Bruxa. Em terra de sustos baratos, A Bruxa é obra prima.

Mas não adianta, como potterhead que sou, o que realmente aqueceu meu coração foi Animais Fantásticos e Onde Habitam.

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EVENTOS

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SP na Rua reúne coletivos, núcleos e artistas nas ruas do centro antigo da cidade. Foi meu 1º ano e foi demais. Agora nós, paulistanos, corremos o risco de não termos mais, graças aos paulistascoxaslindos.

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Festa de 25 anos com tema anos 80 –  Digamos que a comemoração dos meus 25 anos provou que sou capaz de bancar uma festa sozinha, que os anos 80 são demais mesmo e que, claro, eu sei dar uma festa.

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Show do New Order – É de outro mundo ver uma banda antiga ao vivo. Ainda mais o New Order, que surgiu de uma banda que fez parte (se não iniciou) um cenário musical totalmente novo, a Joy Division,  e depois criou outro para a música eletrônica. Foi caro, mas muito divertido.

Marcelo Jeneci e os meninos do The Outs também embalaram alguns shows divertidos ao longo de 2016.

***

Muitas das metas que transferi de 2015 para 2016 irão também para 2017, mas em meio ao caos que anda o universo, acredito que comprar uma câmera profissional não seja uma das metas mais importantes. De verdade, se o ano for acabar em 2017 que seja da forma descrita pela Bíblia, com dragões de várias cabeças e mares se abrindo. Será muito melhor do que desse jeito que já está acontecendo. Rezemos. Um feliz ano novo para nós! Ou um ano novo menos pior possível…

 

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The Horrors: do punk ao new wave (moderno?)
October 04, 2016 - Tags: Arte, Música

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Existe uma banda linda linda chamada The Horrors e eu não consigo entender porque ninguém conhece e ela não bomba. Então a missão desse post  é apresentar a banda e dizer porque eles são demais.

Mas e aí, quem são esses caras estranhos que, pela foto do post, fazem jus ao nome?
The Horrors é uma banda britânica que começou em 2005 (isso talvez explique o look meio emo no início da carreira dos moçoilos) que mixa punk, com pós-punk e new wave. Sim! A banda em si é uma linha do tempo da “evolução” do punk ao longo dos anos 70 até 2000.

Dá para ver claramente isso só seguindo a linha cronológica de álbuns dos rapazes. Em 2007 veio o lançamento do 1º CD , um “punk moderno góticuzin”, cru e meio barulhento: Strange House . O álbum que não é meu favorito já mostra pelo menos a que a banda veio ao mundo: fazer barulho, mas um barulho com melodia.

No 2º CD, Primary Collors, os horrores deixaram mais de ladinho a “revolta 100%”, afrouxou a maldade e botou uns sintetizadores delicinhas, caminhaaando para um pós-punk. Essa música que já abre o álbum bota qualquer plateia para pular:

O instrumental do The Horrors é supersimplão. Então por que, meu Deus do Céu, é bom? A música dos caras parte do feeling, da melodia boa, que prova que música boa não precisa ser difícil.  Em Primary Collors é mais perceptível as influências de bandas como Joy Division. O diferencial  é o uso do querídissimo sintetizador, que bota um pó mágico em qualquer música.

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2011 chegou e aí a banda somou o barulho cru de Joy Division com o romantismo de bandas oitentistas como Echo and the Bunnymen e lançou o 3º álbum SkyingStill Life é uma das melhores. Fique com a versão ao vivo que traz a diva Florence and the Machine cantando com o vocalista Farris Badwan e sua voz grave.

Por fim veio o Luminous, CD de 2014 com um apelo mais popzinho e melodias mais suaves. O CD parece concluir a sequencia “punk-new wave” e prova que The Horrors não é banda de um CD só, mas sim daquelas bandas que te fazem aguardar ansiosamente pelo próximo trabalho porque, sem dúvida, será bom.

Agora bota os fones e sintoniza no meu TOP 3:

A fofura em forma de rock moderno:

Hino para teenager deslocado:

Para dançar:

Pronto, já podem virar fãs e me ajudar a vê-los ao vivo de novo.

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Mistress America
July 08, 2016 - Tags: Arte, Cinema

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Não conheço a obra completa de Noah Baumbach, mas ele sabe falar sobre ser jovem. Prova disso são seus dois filmes Frances HA e Mistress America, ambos roteirizados por ele e por sua fofíssima esposa Greta Gerwig.

Para quem já viu o sensível  Frances HA, é bom saber que Mistress America tenta seguir por essa linha, mas tem uma pegada diferente. O filme de 2015, de roteiro original, é protagonizado por Tracy, uma adolescente  que acabou de se mudar para Nova York e entrar na faculdade. Como quase qualquer aspirante a escritora Tracy é introspectiva e tem dificuldades em fazer amigos. Quando comenta isso para sua mãe ela sugere que a filha saia com sua futura meia irmã, filha do seu futuro padastro, Brooke (Greta Gerwig). As futuras irmãs se conectam imediatamente e Tracy se encanta pela desenvoltura de Brooke e sua vida “cool”.

Brooke nos é apresentada sem delongas, em apenas uma noite com a irmã mais nova a personagem se mostra festeira, independente, moderna e tem todas as qualidades que faz qualquer garota de 18 anos faminta pelo mundo se apaixonar e idolatrar.

A fórmula é a mesma de Frances HA; uma adulta que, apesar da idade, não tem sua shit together, ou seja, tem a vida bagunçada assim como quando tinha aos vinte anos. Brooke é uma personagem distante, ela é tanta coisa que acaba sendo nada. A atuação de Greta Gerwig está distante do que ela fez com a queridinha Frances Halliday, em Frances HA. Aqui, a vontade que dá é de sentar com ela e pedir que fale mais dela mesma, porque não dá para conhece-la, o que é estranho já que tudo o que o filme faz é nos mostrar quem é Brooke. Isso me leva a crer que talvez a personagem seja uma metáfora, um conceito sobre essa geração de 30 tão perdida quanto a de 15.

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Mistress America junta as peças na última cena, quando a protagonista Tracy conclui que não há mais lugar para pessoas como Brooke no mundo, que rezam para estar do outro lado (composto de uma vida chata, casamento e filhos) mas não conseguem. Brooke era muito mais que isso e por mais que quisesse jamais estaria do outro lado. Ela representa aquela pessoa que dá esperanças para outras mais jovens, aquelas que sonham em viver fora do check list de faculdade e emprego em um escritório. Mas mesmo fora desse check list Brooke teria uma vida solitária porque assim é a vida de quem tem a missão de ser a esperança.

O ruim do filme foi romantizar o  problema dessa geração, que é nunca fazer nada ou fazer tudo e estar perdida ao mesmo tempo. Não se trata de um problema tão sério e preocupante, mas Mistress America faz parecer que tudo bem você seguir a vida pulando de galho em galho, afinal, a vida é mais que uma carreira profissional. Se isso é bom ou ruim, você que decide.

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A mensagem clara que encerra o filme é fofa, apesar de meio clichê: o que Brooke fez com Tracy foi incentivá-la a ir por ela mesma, sem depender desesperadamente de grupos que a aceitem. No entanto, os diálogos apenas oks e o carisma de Greta não foram  suficientes para fazer do filme ótimo, as piadas no entanto se tornaram uma surpresa, então se quiser ver algo light mas não vazio e dar uma risadinhas, Mistress America é o seu filme.

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‘Como Eu Era Antes de Você’ me fez querer mais
June 27, 2016 - Tags: Cinema, Era para ser uma crônica

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Acabo de voltar de uma sessão de Como Eu era Antes de Você com certo remorso por não derramar nenhuma lágrima sequer  e pelas garotas do meu lado terem chorado por elas e por mim. É com um pesar que hoje percebo que entendo as pessoas que torcem o nariz para filmes hollywoodianos de massa. Mas, veja bem, isso não quer dizer que não vou continuar gostando de Bridget Jones ou Deadpool , mas sim que existem grandes chances de  continuar saindo com a cara enrugada de uma sessão de filme mal feito, desses feitos sem um pingo de profundidade só para vender. Mas antes vamos ao que se trata: o filme citado.

Como Eu era Antes de Você é a adaptação cinematográfica do livro homônimo roteirizado pela própria autora (Jojo Moyes), que conta a história de Louise, uma garota de 26 anos que precisa ajudar os pais financeiramente e que aceita trabalhar como cuidadora do rico Will, homem de 31 anos que sofreu um acidente há 2 anos e ficou tetraplégico. A partir daí o filme fica  uma mistura de A Bela e a Fera com Tudo por Amor (aquele clássico da Sessão da Tarde no qual Julia Roberts cuida de um rapaz com câncer e acaba se apaixonando por ele).

Louise é energética, sorridente, animada e assim como se veste como uma criança de 7 anos age dessa forma, fazendo tudo com a excitação e bom humor de uma garotinha. Já Will é mau humorado, odeia conversar e no início trata Louise muito mal. Já podemos esperar então o rapaz deficiente se abrindo aos poucos com Louise e ambos mudarem um ao outro, um romance surge e, claro, tem que vir lágrimas no final. Acontece que as lágrimas não vieram pra mim.

Apesar do carisma de Emilia Clarke (Louise), a personagem não convence tão bem e os personagens do filme tem que dizer mais de uma vez que Will está sofrendo tanto ao ponto de considerar uma eutanásia. Eles precisam repetir isso tantas vezes para ver se o público acredita porque  Sam Claflin (Will) transparece muitas coisas ao interpretar o tetraplégico, mas nenhuma delas  é sofrimento. Dor, rancor e tristeza são coisas que o ator parece não ter aprendido a interpretar nas aulas de teatro. Pena.

E então os dois de apaixonam e o trágico final encerra o filme, quase implorando para chorarmos  é tudo tão superficial e previsível que flashes de sono passaram por mim o tempo todo, até fiz trança no cabelo!

Veja bem, gosto de romances e gosto de filmes hollywoodianos, mas Como Eu era Antes de Você veio para provar que não consigo engolir mais qualquer coisa.

Sempre tive raivinha daquelas pessoas que falavam mal de Harry Potter, livros da Marian Keys e uma caralhada de livros que foram feitos para públicos que não tem o hábito de ler. Eu penso que nem tudo precisa ser rebuscado e complexo para ser bom e ainda acho isso, o problema é que quando você já leu tantos livros e viu filmes com o mesmo final e a mesma trama passa a se entendiar e um belo dia você está vendo Donnie Darko por diversão e, o pior de tudo, entendendo! (a fase do entender não cheguei ainda).

Não acho que se trata de arrogância, mas sim de simplesmente passar a querer mais do que esses filmes oferecem. 

Ainda acredito que livros e filmes assim são importantes, afinal, são uma porta para filmes e livros mais “complexos”. Ninguém começa lendo com Kafka, eu por exemplo comecei por Meg Cabot e não me envergonho disso, acontece que não quero pagar por um livro nem por uma sessão de cinema e sair de lá sem sentir nada, como se não tivesse aprendido nada, com minha mente exatamente como era antes de eu ter lido ou assistido aquilo e a história daqueles personagens simplesmente se desvanecerem até eu dormir e esquecer.

 

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Tame Impala
June 19, 2016 - Tags: Arte, Música

 

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Vamos falar de Tame Impala? Vamos!

Misture Michael Jackson com The Beatles e John Lennon e se tem Tame Impala. Será que poderia parar por aí? Não né.(#brisei)

Dia desses eu estava assistindo o show deles no Lollapalooza Brasil e comentei para minha irmã que o som deles preenche o cérebro inteiro.

Como assim?, ela perguntou. E eu respondi;

Bom, quando escutamos uma música ela fica se passando em um canto da nossa cabeça, dá para fazer outras coisas, ler um livro, pensar no crush, devanear…mas não com o Tame Impala. Alguma coisa ali preenche sua cabeça de uma maneira total e completa que te deixa em transe. Não dá para sair do ciclo colorido até a faixa acabar. Seria a melodia? O arranjo? O exagero de sintetizadores e efeitos na voz? O deslizamento que a música provoca no seu corpo? Ainda estou tentando descobrir, mas não dá para fazer isso enquanto estou zumbi ouvindo a voz falsete do Kevin Parker cantar Let it Happen.

É isso que o a banda faz com você. E o pior, com um fortíssimo apelo pop.

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Antes de mais nada, Tame Impala não é uma banda de rock n’ roll. Por que? Primeiro porque, nas palavras do dono da coisa toda, eles não são uma banda e não tocam rock n’ roll ( a segunda justificativa já é manjada). Tudo começou lá em 1999 quando o australiano Kevin Parker (vocalista, compositor e guitarrista) e o baixista  Dominic Simper começaram a compor, mas o projeto só foi batizado oficialmente  em 2007  e o 1º álbum lançado em 2009. Sem delongas Innerspeaker estourou pela pegada rock anos 60 . A 1ª faixa, It Is Not Meant to Be conquista logo de cara com Kevin falando sobre sua ex-namorada e como “não era para ser”. Fofa e triste.

Em 2012 chegou o segundo disco, Lonerism, com hits grandes como Feels like we only go backwards (plágio ou não? Você decide).

Já em 2014 a banda lançou seu disco mais pop até então, Currents, causando amorzinho em fãs e raiva em outros. Kevin Parker chegou a comentar que não deveria haver culpa alguma em gostar de pop. E, de fato, não há problema nenhum desde que seja feito algo original e saia da fórmula barata. E é o que o Tame Impala fez em Currents.

Tame Impala é feito para perder o controle e sabe-se lá porque você fica escutando a mesma batida repetidamente junto com uma guitarra crua … Só sabe-se que é bom.É bom demais.

Oh, meu Deus! E por onde eu começo se quero conhecer a banda? Calma aí e ouve meu Top 5:

 

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Tá todo mundo mal – Jout Jout
June 08, 2016 - Tags: Arte, Livros

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Ler Tá todo mundo mal é igual assistir Jout Jout no Youtube, nos sentimos em uma conversa de bar onde ela fala, ali de boa, sobre suas neuras e rimos pois nos sentimos exatamente igual.

Para quem não conhece, Jout Jout é uma youtuber de  25 anos que acaba de lançar seu primeiro livro onda  fala sobre ela mesma, mas não de uma maneira egocêntrica, aqui, Júlia desabafa sobre pequenas crises que podem acontecer com todo mundo ao longo da vida.

Os textos/crônicas que Jout Jout escolhe contar para os leitores são simplesmente sobre a vida, o universo e tudo o mais, basicamente o que ela já fala em seus vídeos.

O que constatei assim que li a 1ª crônica chamada  “A crise da puberdade injusta”, foi que não é nada demais, mas não pelo lado negativo da coisa. Sim, não é nada demais porque a escrita de Jout Jout é leve e fácil de ler, mas o ponto positivo é que ela consegue fazer crônicas que cumprem exatamente a proposta, textos que são como uma conversa na praça sobre qualquer assunto.

Mas o que será que faz o livro, assim como os vídeos de  Jout Jout tão famosos? Bom, todos sentem e pensam as mesmas coisas que ela, mas Jout Jout faz e fala sobre sem pudor o que a faz ser a voz de uma geração. Aquela geração perdida, frequentadora de terapia, amedrontada por críticas e que luta contra  um emprego convencional e infeliz.

O grande diferencial aqui é que, ao contrário de Martha Medeiros ou Tati Bernardi, Jout Jout fala para uma geração mais nova que precisa mais do que tudo saber que tá mesmo todo mundo mal mas isso não nos faz anormal.

 

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