Balanço de 2016: os melhores e piores
December 14, 2016 - Tags: Arte, Cinema, Cotidiano, Eventos, Livros, Música

melhores-de-2016

Esse ano não vai ter texto sobre quão bosta foi 2016. A gente sabe de tudo: Golpe ( ou se preferir um termo mais constitucional: conspiração da oposição), Temer, estudantes desaparecidos, militantes censurados, Trump…

Então fechando os olhos e destrancando um pouco a cabeça, vou  focar no que foi bonzinho esse ano. O que me fez levantar da cama e não desistir de tudo, meus bombozinhos-surpresa que deixaram a vida menos bosta: os melhores de 2016 (e alguns bostas também, pra você já não perder seu tempo ano que vem).

MÚSICA

Por que não começar com uma cantora que eu comecei metendo o pau a beça no início de 2016 e terminei o ano ouvindo ela pra melhorar minha autoestima? Carol Konka. Por que eu odiava sem nem tê-la ouvido direito? Porque eu pensei que era Funk. E funk pra mim, queridos, não desce. Não dá. Mas eis que um dia descubro que a Karol não é funk (rap, com pop, hip hop, black, reggae e uma pitada bem inha de funk carioca, talvez) e o mais legal: suas letras são ótimas, principalmente se és una chica e está naquela fase lamacenta. Ouvir Karol Conka me fez dar um up. Pelo jeito, É o Poder.

Ouvir coisa brasileira dá uma satisfação enorme. Os brasileiros estão fazendo coisas ótimas e tem para todos os gostos. Boogarins surgiu na onda do “new psicodelic”, e sabe aquele som que te leva pra outro nível no cosmos? Pois é. Trilha pra praia, para descansar a alma em meio ao caos todo que foi esse ano.

Mais uma da série “torcia o nariz pra caralho e agora amo”: Arcade Fire. Não lembro o que me fez parar para escutá-los, mas agora a banda não sai da minha playlist.

Como teve outras coisas que fizeram a trilha sonora do meu 2016, segue uma playlist não só das que descobri, mas que embalaram vários momentos do meu ano.

A pior coisa que pude escutar esse ano foi sem dúvida Sorry do Justin Bieber. Não porque é do Justin, mas sim porque eu gostei.

LIVROS

Ia terminar o ano frustradíssima comigo mesma porque não li metade do que gostaria de ler. Mas aí vai uma dica para você que também achou que leu pouco esse ano: pegue os livros que leu e os empilhe. Vai fazer pelo menos um voluminho – no meu caso bem inho – e você se sentirá menos lixo.

Essa é minha vergonhosa pilha de 2016:

livros-2016

 

Quem vai ficar com Morrissey : ***
Antes do Baile Verde: *****
Circo Invisível : ****
Wicked: ***
Tá todo mundo mal: ***
ABC de Fernando Pessoa: ***
Gemma Bovery: ****
Deadpool – Meus queridos presidentes: ***

One Man Guy: **

Sim, inclui 2 quadrinhos e me orgulho muito disso! Dessa mixaria, os dois melhores – não só do ano, mas que viraram meus preferidos da vida – foram “Antes do Baile Verde”, da Lygia Fagundes Telles e “Circo Invisível” da Jennifer Egan. Fiz resenha do Circo Invisível no Garotas Rosa Choque, e o Antes do Baile Verde gostei tanto que não ousarei resenhar. Quem gosta de contos e dramas da vida vai amar, sem dúvida. É profundo, delicado e amor. Além disso, nada como incluir uma escritorA  brasileirA na prateleira, né?

Dentre esses o livro mais ruim é o One Man Guy. Não que seja ruim de fato, mas ele tinha mais potencial.

SÉRIES

Esse ano finalmente terminei de ver minha série favorita da vida que me moldou como ser humano: Gilmore Girls. Ela só não  entra na lista de 2016 porque é da vida toda, não apenas desse ano.

A melhor? Não precisa nem dizer… Stranger Things. A série é tão boa que não duvido que a Netflix a fez baseada nos tais algorítimos de audiência. Tem todos os elementos que produziram séries e filmes de sucesso: crianças, anos 80, bebê fofo, sobrenatural, romance juvenil, conspiração e Joy Division na trilha sonora.  Perfeita.

A pior: Penny Dreadful, claro. Eu assisti tudo básica e exclusivamente pela Eva LOVE Green. Porque só isso para me ajudar a engolir o roteiro cheio de furos.

download-4

 

FILMES

2016 foi fraquíssimo de filmes… Pena. Aceito recomendações.

Pior: Como eu Era antes de você (odiei tanto que fiz um texto inteiro sobre ele. Quer ler e ficar com raiva? Vá Aqui)

Melhor: A Bruxa. Em terra de sustos baratos, A Bruxa é obra prima.

Mas não adianta, como potterhead que sou, o que realmente aqueceu meu coração foi Animais Fantásticos e Onde Habitam.

fantastic-beasts-redmayne-waterston

 

EVENTOS

sp-na-rua

SP na Rua reúne coletivos, núcleos e artistas nas ruas do centro antigo da cidade. Foi meu 1º ano e foi demais. Agora nós, paulistanos, corremos o risco de não termos mais, graças aos paulistascoxaslindos.

12833314_10205758271256501_703647327_n

Festa de 25 anos com tema anos 80 –  Digamos que a comemoração dos meus 25 anos provou que sou capaz de bancar uma festa sozinha, que os anos 80 são demais mesmo e que, claro, eu sei dar uma festa.

mg_5962-855x570

Show do New Order – É de outro mundo ver uma banda antiga ao vivo. Ainda mais o New Order, que surgiu de uma banda que fez parte (se não iniciou) um cenário musical totalmente novo, a Joy Division,  e depois criou outro para a música eletrônica. Foi caro, mas muito divertido.

Marcelo Jeneci e os meninos do The Outs também embalaram alguns shows divertidos ao longo de 2016.

***

Muitas das metas que transferi de 2015 para 2016 irão também para 2017, mas em meio ao caos que anda o universo, acredito que comprar uma câmera profissional não seja uma das metas mais importantes. De verdade, se o ano for acabar em 2017 que seja da forma descrita pela Bíblia, com dragões de várias cabeças e mares se abrindo. Será muito melhor do que desse jeito que já está acontecendo. Rezemos. Um feliz ano novo para nós! Ou um ano novo menos pior possível…

 

Deixe um comentário
Tá todo mundo mal – Jout Jout
June 08, 2016 - Tags: Arte, Livros

tatodomundomal

Ler Tá todo mundo mal é igual assistir Jout Jout no Youtube, nos sentimos em uma conversa de bar onde ela fala, ali de boa, sobre suas neuras e rimos pois nos sentimos exatamente igual.

Para quem não conhece, Jout Jout é uma youtuber de  25 anos que acaba de lançar seu primeiro livro onda  fala sobre ela mesma, mas não de uma maneira egocêntrica, aqui, Júlia desabafa sobre pequenas crises que podem acontecer com todo mundo ao longo da vida.

Os textos/crônicas que Jout Jout escolhe contar para os leitores são simplesmente sobre a vida, o universo e tudo o mais, basicamente o que ela já fala em seus vídeos.

O que constatei assim que li a 1ª crônica chamada  “A crise da puberdade injusta”, foi que não é nada demais, mas não pelo lado negativo da coisa. Sim, não é nada demais porque a escrita de Jout Jout é leve e fácil de ler, mas o ponto positivo é que ela consegue fazer crônicas que cumprem exatamente a proposta, textos que são como uma conversa na praça sobre qualquer assunto.

Mas o que será que faz o livro, assim como os vídeos de  Jout Jout tão famosos? Bom, todos sentem e pensam as mesmas coisas que ela, mas Jout Jout faz e fala sobre sem pudor o que a faz ser a voz de uma geração. Aquela geração perdida, frequentadora de terapia, amedrontada por críticas e que luta contra  um emprego convencional e infeliz.

O grande diferencial aqui é que, ao contrário de Martha Medeiros ou Tati Bernardi, Jout Jout fala para uma geração mais nova que precisa mais do que tudo saber que tá mesmo todo mundo mal mas isso não nos faz anormal.

 

Deixe um comentário