Paramore depois da risada, depressão e ansiedade
August 06, 2017 - Tags: Arte, Música

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Paramore lançou  After Laughter, seu mais novo disco, não faz muito tempo e eu pensei que a vontade de falar sobre ele e linkar o tema das músicas da (ex)banda emo iria passar com o tempo, mas só fez crescer.

A banda formada quando os integrantes eram adolescentes não poderia ter caminhado para outra direção. Depois de inúmeros desentendimentos e um CD inteiro dedicado às brigas da banda (o Brand new eyes, de 2009), a volta e a saída de três membros, o próximo CD do Paramore traria letras com temas  inevitáveis. O que quero dizer é que After Laughter seria um “álbum-consequência” para o grupo e principalmente para a vocalista Hayley Williams.

O disco e suas letras não poderiam ter caído de forma mais perfeita no momento atual da minha vida. E o mais incrível, na vida de muitos dos fãs da banda, que agora já não são mais adolescentes e têm que encarar a realidade da vida adulta no século da ansiedade e depressão.

O que acontece depois da risada, afinal? Hayley  e qualquer um que sofra de ansiedade e depressão sabe muito bem. Por mais que tenha tentado fugir desses demônios, como a própria vocalista afirmou em entrevistas, eles acabaram a alcançando e a tornaram quase incapaz de conseguir compor para o Paramore. Foi só com a ajuda do guitarrista Taylor que ela conseguiu voltar aos trilhos e juntos fazerem o After Laughter.

Quando ouvi o CD, o estilo hipster das músicas não me agradou de cara não, mas foi ouvindo a letra primeira faixa, Hard Times, que me senti menos sozinha. Era como se Hayley estivesse cantando exatamente o que eu sentia.

Tudo o que eu quero

É acordar bem

Me diga que eu estou bem

Que não vou morrer

    (…)Tempos difíceis

                     Vão te fazer pensar em por que você ainda tenta.

Depois da risada, para mim, é exatamente esse momento que você meio que desiste de dar murro em ponta de faca, se sente tão incompetente e fraca contra as inúmeras coisas ruins que o mundo insistentemente joga na sua cara sem você ter  forças para revidar.  Quando você desiste de tentar ver as coisas pelo lado bom.

Depois de três anos de tratamentos com terapia e remédios, aquela coisa mais forte que você volta com tudo e, na real, você não quer mais fingir que está bem. Não quer que perguntem como você está e, principalmente, só quer que te deixem chorar em paz, exatamente como diz  Rose-colored boy:

(…) Estou tão irritada

Porque eu acabei de matar

O que restava de otimista em mim

Corações estão se partindo, guerras estão aumentando

(…)Apenas me deixe chorar um pouco mais

Não vou sorrir se eu não quiser

Parece mais triste do que é, mas a realidade é que é muito reconfortante ouvir  como você se sente saindo da boca de pessoas que, assim como você, um dia foram seres saltitantes que enxergavam o mundo de uma forma melhor.

Foi uma surpresa ver que agora, com seus 28 anos, Hayley e o guitarrista Taylor tiveram a coragem de falar o que muita gente tem vergonha de expor e escrever músicas que refletem toda uma geração angustiada vivendo em uma sociedade aos pedaços.

Mas nem de coisas ruins After Laughter é feito. As baladinhas românticas e com letras mais animadas ainda estão ali, só que de forma realista. Como Forgviness ( “Não vá me entender errado, perdoar não é esquecer “) ou Grudges:

É estranho como nos achamos

Exatamente onde nos deixamos

Eu sei que você está me cumprimentando

Como se fosse a primeira vez

Pare de perguntar por quê

Por que nós tivemos que desperdiçar tanto tempo

Bem, nós acabamos de levantar, levantamos e começamos de novo.

Depressão e ansiedade estão aí. Empurrar para debaixo do tapete não vai trazer a solução. Acho que o que eu e qualquer outra pessoa que tenha isso nas suas vidas tem que fazer é reconhecer  que estamos presos bem no meio e que, assim como Caught in The Middle diz, não temos que olhar para trás muito menos muito à frente, apenas tentar continuar seguindo.

É por isso que After Laughter, apesar de não ser meu favorito da banda, foi como um presente do universo. A banda cresceu e mudou, assim como eu e meus amigos, e saber que não estamos sozinhos e nem vamos chegar ao fundo do poço nesse furacão de emoções é lindo. O que acontece depois da risada é uma angústia leve, mas seguida da estabilização. Ainda bem.

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The Echo Friendly – o resultado de um xaveco bem sucedido
January 22, 2017 - Tags: Arte, Música

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Em 2009 Jake  estava produzindo um filme com seu amigo e precisava de uma atriz forte para interpretar uma personagem feminista. Foi quando lhe recomendaram Shannon, uma moça que ele já conhecia da época da escola. A escolha foi certeira e ela foi contratada para o filme. Rapaz sagaz, Jake se interessou por Shannon e um dia, de brincadeira, sugeriu que eles tocassem juntos, inclusive já tinha até uma música pronta para ela cantar. O que era mentira, já que Jake tinha metade de uma música, mas aquela desculpa seria o suficiente para fazê-la ir até sua casa.

Em 2010  o novo casal começou a compor e tocar  junto. Assim nasceu a The Echo Friendly, dupla americana que teve seu 1º single na trilha sonora do seriado da HBO, Girls. A  recepção foi positiva e eles lançaram o 1º álbum, Love Panic, em 2014. De lá para cá, ficaram amigos, começaram a namorar, terminaram e voltaram a namorar de novo.

The Echo Friendly mixa garage rock, 90’s rock e pitadas de pós-punk. Sites a fora intitulam a dupla de indie pop/rock, porém o problema de falar isso é que “indie” passou a ser uma característica de música que você não consegue classificar.  Não que a música deva ser classificada, rótulos nem sempre são necessários e The Echo Friendly não precisa, acredito. A dupla faz um som sincero e simples, como se te convidassem para o apê deles e falassem “Olha o som que a gente fez, senta aí no carpete, pega uma breja e ouça”.

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Para Jake compor a música que entrou em Girls ele só teve que chegar em casa bravo  por causa da namorada e companheira de banda, Shannon, e pensar em escrever a coisa mais idiota que  poderia escrever. Algo que ninguém iria ouvir e que ele sabia ser “muito imbecil”. Assim saiu Same Mistakes.

Eu nunca cresci

Parece que nunca vou

Meus amigos são todos adultos

Ainda sou uma adolescente

Eu não mudei nem um pouco

Eu ainda não superei

Eu cometo os mesmos erros”

As letras são narrativas singelas e verdadeiras sobre a vida, na maior parte das vezes insights da fase adulta e relacionamentos. São frustrações que quando se ouve, e percebe que não é apenas você que tem, tranquilizam o coração e te fazem curtir a música ainda mais. É o que chamo carinhosamente de “efeito Smiths”, essa identificação emocional com a letra, que não fala apenas de coração partido, mas também das complicações, algumas, ingênuas, e outras nem tanto, da nossa existência.

Na onda de duplas de rock, indico The Echo Friendly para quem está a fim de ouvir algo parecido com The XX, porém com melodia – desculpe, não podia deixar a piada escapar.

Mas Same Mistakes não é a melhor do álbum,  minhas preferidas de Love Panic são essas aí. Bote os fones e divirta-se.

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Balanço de 2016: os melhores e piores
December 14, 2016 - Tags: Arte, Cinema, Cotidiano, Eventos, Livros, Música

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Esse ano não vai ter texto sobre quão bosta foi 2016. A gente sabe de tudo: Golpe ( ou se preferir um termo mais constitucional: conspiração da oposição), Temer, estudantes desaparecidos, militantes censurados, Trump…

Então fechando os olhos e destrancando um pouco a cabeça, vou  focar no que foi bonzinho esse ano. O que me fez levantar da cama e não desistir de tudo, meus bombozinhos-surpresa que deixaram a vida menos bosta: os melhores de 2016 (e alguns bostas também, pra você já não perder seu tempo ano que vem).

MÚSICA

Por que não começar com uma cantora que eu comecei metendo o pau a beça no início de 2016 e terminei o ano ouvindo ela pra melhorar minha autoestima? Carol Konka. Por que eu odiava sem nem tê-la ouvido direito? Porque eu pensei que era Funk. E funk pra mim, queridos, não desce. Não dá. Mas eis que um dia descubro que a Karol não é funk (rap, com pop, hip hop, black, reggae e uma pitada bem inha de funk carioca, talvez) e o mais legal: suas letras são ótimas, principalmente se és una chica e está naquela fase lamacenta. Ouvir Karol Conka me fez dar um up. Pelo jeito, É o Poder.

Ouvir coisa brasileira dá uma satisfação enorme. Os brasileiros estão fazendo coisas ótimas e tem para todos os gostos. Boogarins surgiu na onda do “new psicodelic”, e sabe aquele som que te leva pra outro nível no cosmos? Pois é. Trilha pra praia, para descansar a alma em meio ao caos todo que foi esse ano.

Mais uma da série “torcia o nariz pra caralho e agora amo”: Arcade Fire. Não lembro o que me fez parar para escutá-los, mas agora a banda não sai da minha playlist.

Como teve outras coisas que fizeram a trilha sonora do meu 2016, segue uma playlist não só das que descobri, mas que embalaram vários momentos do meu ano.

A pior coisa que pude escutar esse ano foi sem dúvida Sorry do Justin Bieber. Não porque é do Justin, mas sim porque eu gostei.

LIVROS

Ia terminar o ano frustradíssima comigo mesma porque não li metade do que gostaria de ler. Mas aí vai uma dica para você que também achou que leu pouco esse ano: pegue os livros que leu e os empilhe. Vai fazer pelo menos um voluminho – no meu caso bem inho – e você se sentirá menos lixo.

Essa é minha vergonhosa pilha de 2016:

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Quem vai ficar com Morrissey : ***
Antes do Baile Verde: *****
Circo Invisível : ****
Wicked: ***
Tá todo mundo mal: ***
ABC de Fernando Pessoa: ***
Gemma Bovery: ****
Deadpool – Meus queridos presidentes: ***

One Man Guy: **

Sim, inclui 2 quadrinhos e me orgulho muito disso! Dessa mixaria, os dois melhores – não só do ano, mas que viraram meus preferidos da vida – foram “Antes do Baile Verde”, da Lygia Fagundes Telles e “Circo Invisível” da Jennifer Egan. Fiz resenha do Circo Invisível no Garotas Rosa Choque, e o Antes do Baile Verde gostei tanto que não ousarei resenhar. Quem gosta de contos e dramas da vida vai amar, sem dúvida. É profundo, delicado e amor. Além disso, nada como incluir uma escritorA  brasileirA na prateleira, né?

Dentre esses o livro mais ruim é o One Man Guy. Não que seja ruim de fato, mas ele tinha mais potencial.

SÉRIES

Esse ano finalmente terminei de ver minha série favorita da vida que me moldou como ser humano: Gilmore Girls. Ela só não  entra na lista de 2016 porque é da vida toda, não apenas desse ano.

A melhor? Não precisa nem dizer… Stranger Things. A série é tão boa que não duvido que a Netflix a fez baseada nos tais algorítimos de audiência. Tem todos os elementos que produziram séries e filmes de sucesso: crianças, anos 80, bebê fofo, sobrenatural, romance juvenil, conspiração e Joy Division na trilha sonora.  Perfeita.

A pior: Penny Dreadful, claro. Eu assisti tudo básica e exclusivamente pela Eva LOVE Green. Porque só isso para me ajudar a engolir o roteiro cheio de furos.

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FILMES

2016 foi fraquíssimo de filmes… Pena. Aceito recomendações.

Pior: Como eu Era antes de você (odiei tanto que fiz um texto inteiro sobre ele. Quer ler e ficar com raiva? Vá Aqui)

Melhor: A Bruxa. Em terra de sustos baratos, A Bruxa é obra prima.

Mas não adianta, como potterhead que sou, o que realmente aqueceu meu coração foi Animais Fantásticos e Onde Habitam.

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EVENTOS

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SP na Rua reúne coletivos, núcleos e artistas nas ruas do centro antigo da cidade. Foi meu 1º ano e foi demais. Agora nós, paulistanos, corremos o risco de não termos mais, graças aos paulistascoxaslindos.

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Festa de 25 anos com tema anos 80 –  Digamos que a comemoração dos meus 25 anos provou que sou capaz de bancar uma festa sozinha, que os anos 80 são demais mesmo e que, claro, eu sei dar uma festa.

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Show do New Order – É de outro mundo ver uma banda antiga ao vivo. Ainda mais o New Order, que surgiu de uma banda que fez parte (se não iniciou) um cenário musical totalmente novo, a Joy Division,  e depois criou outro para a música eletrônica. Foi caro, mas muito divertido.

Marcelo Jeneci e os meninos do The Outs também embalaram alguns shows divertidos ao longo de 2016.

***

Muitas das metas que transferi de 2015 para 2016 irão também para 2017, mas em meio ao caos que anda o universo, acredito que comprar uma câmera profissional não seja uma das metas mais importantes. De verdade, se o ano for acabar em 2017 que seja da forma descrita pela Bíblia, com dragões de várias cabeças e mares se abrindo. Será muito melhor do que desse jeito que já está acontecendo. Rezemos. Um feliz ano novo para nós! Ou um ano novo menos pior possível…

 

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The Horrors: do punk ao new wave (moderno?)
October 04, 2016 - Tags: Arte, Música

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Existe uma banda linda linda chamada The Horrors e eu não consigo entender porque ninguém conhece e ela não bomba. Então a missão desse post  é apresentar a banda e dizer porque eles são demais.

Mas e aí, quem são esses caras estranhos que, pela foto do post, fazem jus ao nome?
The Horrors é uma banda britânica que começou em 2005 (isso talvez explique o look meio emo no início da carreira dos moçoilos) que mixa punk, com pós-punk e new wave. Sim! A banda em si é uma linha do tempo da “evolução” do punk ao longo dos anos 70 até 2000.

Dá para ver claramente isso só seguindo a linha cronológica de álbuns dos rapazes. Em 2007 veio o lançamento do 1º CD , um “punk moderno góticuzin”, cru e meio barulhento: Strange House . O álbum que não é meu favorito já mostra pelo menos a que a banda veio ao mundo: fazer barulho, mas um barulho com melodia.

No 2º CD, Primary Collors, os horrores deixaram mais de ladinho a “revolta 100%”, afrouxou a maldade e botou uns sintetizadores delicinhas, caminhaaando para um pós-punk. Essa música que já abre o álbum bota qualquer plateia para pular:

O instrumental do The Horrors é supersimplão. Então por que, meu Deus do Céu, é bom? A música dos caras parte do feeling, da melodia boa, que prova que música boa não precisa ser difícil.  Em Primary Collors é mais perceptível as influências de bandas como Joy Division. O diferencial  é o uso do querídissimo sintetizador, que bota um pó mágico em qualquer música.

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2011 chegou e aí a banda somou o barulho cru de Joy Division com o romantismo de bandas oitentistas como Echo and the Bunnymen e lançou o 3º álbum SkyingStill Life é uma das melhores. Fique com a versão ao vivo que traz a diva Florence and the Machine cantando com o vocalista Farris Badwan e sua voz grave.

Por fim veio o Luminous, CD de 2014 com um apelo mais popzinho e melodias mais suaves. O CD parece concluir a sequencia “punk-new wave” e prova que The Horrors não é banda de um CD só, mas sim daquelas bandas que te fazem aguardar ansiosamente pelo próximo trabalho porque, sem dúvida, será bom.

Agora bota os fones e sintoniza no meu TOP 3:

A fofura em forma de rock moderno:

Hino para teenager deslocado:

Para dançar:

Pronto, já podem virar fãs e me ajudar a vê-los ao vivo de novo.

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Tame Impala
June 19, 2016 - Tags: Arte, Música

 

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Vamos falar de Tame Impala? Vamos!

Misture Michael Jackson com The Beatles e John Lennon e se tem Tame Impala. Será que poderia parar por aí? Não né.(#brisei)

Dia desses eu estava assistindo o show deles no Lollapalooza Brasil e comentei para minha irmã que o som deles preenche o cérebro inteiro.

Como assim?, ela perguntou. E eu respondi;

Bom, quando escutamos uma música ela fica se passando em um canto da nossa cabeça, dá para fazer outras coisas, ler um livro, pensar no crush, devanear…mas não com o Tame Impala. Alguma coisa ali preenche sua cabeça de uma maneira total e completa que te deixa em transe. Não dá para sair do ciclo colorido até a faixa acabar. Seria a melodia? O arranjo? O exagero de sintetizadores e efeitos na voz? O deslizamento que a música provoca no seu corpo? Ainda estou tentando descobrir, mas não dá para fazer isso enquanto estou zumbi ouvindo a voz falsete do Kevin Parker cantar Let it Happen.

É isso que o a banda faz com você. E o pior, com um fortíssimo apelo pop.

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Antes de mais nada, Tame Impala não é uma banda de rock n’ roll. Por que? Primeiro porque, nas palavras do dono da coisa toda, eles não são uma banda e não tocam rock n’ roll ( a segunda justificativa já é manjada). Tudo começou lá em 1999 quando o australiano Kevin Parker (vocalista, compositor e guitarrista) e o baixista  Dominic Simper começaram a compor, mas o projeto só foi batizado oficialmente  em 2007  e o 1º álbum lançado em 2009. Sem delongas Innerspeaker estourou pela pegada rock anos 60 . A 1ª faixa, It Is Not Meant to Be conquista logo de cara com Kevin falando sobre sua ex-namorada e como “não era para ser”. Fofa e triste.

Em 2012 chegou o segundo disco, Lonerism, com hits grandes como Feels like we only go backwards (plágio ou não? Você decide).

Já em 2014 a banda lançou seu disco mais pop até então, Currents, causando amorzinho em fãs e raiva em outros. Kevin Parker chegou a comentar que não deveria haver culpa alguma em gostar de pop. E, de fato, não há problema nenhum desde que seja feito algo original e saia da fórmula barata. E é o que o Tame Impala fez em Currents.

Tame Impala é feito para perder o controle e sabe-se lá porque você fica escutando a mesma batida repetidamente junto com uma guitarra crua … Só sabe-se que é bom.É bom demais.

Oh, meu Deus! E por onde eu começo se quero conhecer a banda? Calma aí e ouve meu Top 5:

 

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Olhe para Viktoria Modesta
December 12, 2015 - Tags: Arte, Música

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Ouço Viktoria Modesta. Ouço e assisto Viktoria porque para pegar sua beleza completa preciso assisti-la. Ela caminha reto, sem tropeçar, esbanjando elegância. Seu corpo é esbelto e branquelo com o maxilar largo e os olhos tão claros  que formam aquela combinação  e contrastes lindos com o cabelo pretíssimo.

Sua voz é grave e a prova de que ela tem mais atitude e confiança do que talento. O que, no mundo das músicas com sentimentos é o que importa no fim.

O pop europeu não é inovador, mas tem poder. Deixe as batidas black music de lado, faça um som com excesso de sintetizadores e  unido com uma voz comum, mas grave e afinada, e uma inspiração 80’s e 90’s: se tem Viktoria.

Conheci essa mulher em um sábado a noite comum. Ela me foi apresentada pela minha irmã mais velha – não poderia ser diferente – com a seguinte introdução: “Você já ouviu uma cantora pop foda que não tem uma perna e é foda?”

Não, respondi. E foi então que a perna mecânica e brilhante de Viktoria Modesta surgiu na minha frente no clipe de Prototype. Um vídeo lindo e perfeito para se conhecê-la, mas com uma música sem melodia. Pena.

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Além do fato de ser uma cantora pop cheia de atitude e esquisitices a la Lady Gaga, Viktoria roubou meu coração pela sua confiança. Por ter pego seu ponto fraco e transformá-lo no ponto forte. Sim, ela não tem uma perna, mas ela é maravilhosa, e não poderia deixar de ser.

Tudo o que eu vi através de Viktoria foi a seguinte mensagem: não deixe de ser nada do que você quer por qualquer deficiência ou desabilidade. Seja você. E Viktoria é ela. Sexy, arrogante, dançarina, gostosa, uma cantora pop diva.

Quando apresentei Modesta para uma amiga, ela me perguntou se em todos os clipes  sua perna mecânica era tão enfatizada como no clipe de Prototype. Eu, de pirraça, respondi que sim pra ver o que viria a seguir. E o que veio, e acredito que possa vir da cabeça de muita gente, é que Viktoria usa o fato de ser deficiente pra ser uma cantora pop diferente e, como consequência, atingir a fama pela sua desabilidade e não pelo real talento.

Mas existe um outro modo de olhar para isso, o que eu prefiro. Modesta não usa sua deficiência para ser famosa, ela simplesmente sonhou em ser uma cantora pop, mas ops, cantoras pops são perfeitas e aparecem rebolando e quase peladas. De que outra maneira poderia fazer isso sendo que não tinha uma perna?  Assumindo sua deficiência de todas as formas e fazendo disso o seu diferencial. Ela fez o que eu já disse, pegou sua seu problema e transformou na solução. Pois um problema só é um problema para os outros se também for para você. A partir do momento que conseguimos suavizar as coisas, de verdade, ninguém é capaz de enxergá-lo como algo pesado.

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Eu vejo  nessa moça de 27 anos garotas  em cadeiras de rodas querendo se arrumar, vejo gordinhas usando blusas curtas porque querem simplesmente mostrar o umbigo, vejo quem não tem um membro escolhendo um corte de cabelo poderoso. Porque, mais uma vez, sua desabilidades e deificiencias não podem definir o que você é nem o que gosta.

Artista pop tem que ser “perfeita”? Há! Claro que não. Olhe para Viktoria. Ou seria claro que sim! Olhe para Viktoria?

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A galesa que faz pop sincerão: Marina and the Diamonds
November 14, 2015 - Tags: Arte, Música

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Marina Lambrini Diamandis veio lá da Grécia, tem uma voz grave e rouca deliciosa e seu novo álbum, Froot, é a prova de que cantora pop não precisa de ajuda de compositor e produtor para manjar das batidas. Como diz o quadro abaixo, roubado especialmente do site G1, nesse novo CD ela fez questão de provar que é capaz. E a moça é MUITO capaz!  Tão capaz que Froot é, até agora, seu melhor álbum.

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A moça de 30 anos compôs Froot quando notou que não queria mais depender de produtores para compor suas batidas, na mesma época em que percebeu que a depressão não fazia parte de sua personalidade e que ela – viva! –  estava melhorando!

E por que será que Marina and The Diamonds  consquistou a mim e minhas amigas e é diferente das cantoras pops de hoje?  Simples, Marina ainda está naquela fase onde quer e consegue fazer o som que gosta (assim como Katy Perry no seu 1º CD). Mas nem tudo é rosa, seus primeiros álbuns não foram assim, e se prestar atenção, as músicas parecem uma cópia do que já estava por aí. Não dizendo, de novo, que o som dela hoje é inovador. Não é, mas dá pra sacar que é sincero, e cara, eu gosto de sinceridade na música. Dá pra sentir quando a mocinha e o mocinho não compuseram uma frase sequer na letra e não tiveram nem um dedinho na escolha de uma nota ou  arranjo.

As cantoras que Marina ouvia estão bem presentes nas suas composições e linhas vocais. Fiona Apple está ali em músicas como Robot e Obsessions, Madonna em Shampain e Primadonna, e Courtney Love e Shirley Manson (do Garbage ) em E.V.O.L (ouso até dizer que essa música tem um Q de Personal Jesus do Depeche Mode. Ouçam e me digam aí nos comentários).

Além das letras inteligentes, a voz  importa  mais do que o arranjo em algumas músicas. E não vou mentir, certas canções de Marina,  ouço mesmo por causa da voz e não devido ao refrão chiclete. Essa morena linda tem um timbre tão poderoso e cheio de sentimentos que fico impossibilitada de desacreditar que ela realmente não quer dizer o que está saindo pela sua boca. É prazerosa a maneira como ela casa rouquidão, técnica soprano, vibrato excessivo e grave de um jeito que me faz esperar qual será a próxima nota e melodia que vai usar no refrão.

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E agora? Quer conhecer Marina? Vem na minha!

Comece bem com seu 1º CD, “The Family Jewels” – 2010. O álbum, nas palavras dela, é uma mistura de estilo e sons experimentais. Ouça Shampain pra já sair dançando logo ( a música totalmente 80’s que me conquistou de primeira).

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=-vHi83LTQjU&w=560&h=315]

Depois passe para Robot e seja feliz com o restante.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=S_oMD6-6q5Y&w=420&h=315]

Espere até o refrão.

Para um pop dark (aviso de invenção de um novo estilo!) vai logo ouvir “Froot” – 2015

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=WZzcY7ASQno&w=560&h=315]

Se essa música não é poder:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rxaTAFXgykU&w=560&h=315]

Quem quiser cair de boca num POPPOP, vá para seu 2º  CD, 2012, “Electra Heart”. Álbum conceitual onde Marina discorre sobre o tema de ser adolescente. A moça fez tão direitinho que até criou uma personagem para contar a vida das jovens  na sociedade americana.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=o3Rp_0hoNTY&w=560&h=315]

 Agora vai logo baixar a discografia!

 

 

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