Meus filhos não vão ouvir The Cure
May 29, 2017 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

 

 

 

Quando tinha 12 anos, depois da transição Xuxa – Hanson – Thalia – Foo Fighters – Red Hot Chilli Peppers, fui introduzida a uma vida de sentimentalismo, e antes fosse sentimentalismo Celine Dion. Não. Estou falando do sentimentalismo desesperador, aquele que faz a gente querer dançar com a parede usando sobretudo e bebendo vinho quente em pleno sol do meio dia.  Cresci e me desenvolvi de criança para adolescente ouvindo Theatre of Tragedy, Lacuna Coil, Tristania, Lacrimosa e indo à baladinhas góticas sem nem ter peito. Meu mundo era pentagrama, saias longas, roupas e maquiagem pretas.

Depois disso, aos quinze, veio a fase Glam  Rock seguida da liberdade, que consistia no lema “posso ouvir o que quiser, não preciso ser nada. Sou eu.  E eu ouço Kelly Clarkson E Placebo!”. Mas a liberdade não serviu de muita coisa, porque já era tarde. O sofrimento que todo aquele melodrama que ouvi no passado já estava impregnado em mim, ou seja, a trilha sonora da minha adolescência teve um papel fundamental no desenvolvimento da minha essência emocional.

Um dia eu dei uma festa de Halloween aqui em casa, com família e amigos, e a trilha sonora foi de Karol Conka a The Cure. Acontece que enquanto os pops soavam a solta, minhas priminhas entre 7 e 12 anos dançavam alegres na garagem, mas quando a voz do Robert Smith  começou, minha prima Sophia de 8 anos, veio até mim, a DJ, e com as sobrancelhas caídas perguntou:

“Que música é essa?”

“É The Cure, Sophia. Gostou?” eu respondi animada, a música havia chamado a atenção dela, então vai ver ela tinha tendências para um bom gosto musical.

Mas Sophia simplesmente franziu mais a testa, fez uma careta triste e respondeu:

“É uma música muito estranha” – e saiu.

Naquele momento eu soube que jamais faria Sophia ouvir The Cure. Se ela, com aquela idade, em poucos segundos ouvindo a música, já conseguiu sentir o estranhamento que um pós-punk de qualidade poderia lhe causar na alma, o que crescer com aquilo na playlist faria com sua mente ao longo dos anos? Pobrezinha.

Pensando nesse episódio eu desenvolvi a seguinte teoria:  as músicas têm um poder de ativar sentimentos ocultos na sua mente. E não estou dizendo em provocar sensações, mas sim em ativar áreas no seu cérebro que, se não tivesse escutado certa música, não seriam ativadas.  O problema é que uma vez ativada, não tem volta. Principalmente se ela foi ativa em uma fase da vida em que estamos nos formando.

Faz um tempo eu vi um vídeo do Tavião (do Rolê Gourmet) no canal do Youtube The Cookie Collector falando sobre os cinco discos que ele mais gostava. A tag do vídeo era ele explicar o que esses álbuns significavam para ele. Na lista estava um álbum do Radiohead e Tavião explicou que ele ouviu muito o CD quando era adolescente e passava por uma fase muito ruim da vida dele. Acontece com todo mundo, ninguém está triste e quer ouvir música feliz, mas o que Tavião falou ficou na minha cabeça: basicamente o disco alimentou ainda mais aquela fase ruim da vida dele. Com a melodia e as letras do Radiohead constantemente no seu rádio ele desenvolveu uma visão melancólica sobre a vida e nunca mais conseguiu se recuperar disso. Nas palavras dele – até onde me lembro – ele foi tão infeliz naquela época que tornou impossível voltar a ser feliz como antes.

Eu sei, é uma linha de pensamento muito pesada e pessimista.  Parece muita loucura, mas se pensar bem, não é.  A gente vai se tornando aquilo que consumimos ao longo da vida. Absorvemos os filmes, os livros, as pessoas e as músicas que ouvimos. Cedo ou tarde, consumir aquela  música te faz pensar e sentir coisas que você poderia não vir a sentir e pensar se não tivesse consumido aquela música.

Pode ser o contrário também, a pessoa já ter tendências melancólicas e acabar se atraindo por músicas no mesmo estilo, mas não vamos tirar todo o crédito dessa minha teoria altamente bem embasada, certo?

No meu caso já não adianta mais fugir. Na minha playlist os favoritos são os tristes. Os donos das melodias que me fazem tão melancólica que chego a ficar feliz. De qualquer forma não vou mostrar Radiohead nem Smiths para meus filhos. Vou encher o celular deles de Taylor Swift e Ariana. A coisa mais triste que eles escutarão vai ser I just cant stop loving you do Michael Jackson. Isso porque nem triste é, apenas romântica. Mas mesmo assim, se pensarmos bem, pode gerar uma certa dorzinha no coração.

 

 

Imagem retirada de petofpoe.deviantart.com

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Uma sessão de terapia
May 09, 2017 - Tags: Textos

“Por que não faz um blog?”, perguntou ela. Sentava confortavelmente na sua poltroninha de veludo e abraçava o travesseiro, assim como eu.

Não sei o que há com salas de terapia, mas os travesseiros nas poltronas devem ser essenciais. Se não tem travesseiro, abraço minha bolsa  jazida no colo e fico parecendo uma criança que não quer largar do bichinho de pelúcia. Mas ainda bem que na sala daquela ali tinha travesseiro.

“Eu tenho um blog”.

“Ah!”

“Mas não é profissional. Não é jornalístico. Não faço dele meu portfólio”

“Entendi. Qual é o nome?”

Silêncio.

Mordo a boca.

“Hum… não quero falar”.

“Por que não?”

“Porque é muito pessoal”.

“Você mostra o blog para mais alguém?”

“Sim.”

“E para mim, que sou sua terapeuta, você não quer mostrar.”

Foi uma afirmação, mas fingi que fora pergunta.

“Não.”

 

Ah, as ironias da vida.

 

Espero que Freud explique isso.

 

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No final sempre sou a louca
April 25, 2017 - Tags: Devaneios, Textos

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No final do dia eu sempre sou a louca. Chamo demais, mando muitos memes, rio demais, grito demais, beijo demais, chamo para sair muitas vezes na mesma semana, marco uma saída muitas semanas à frente, falo demais, pergunto demais, cobro demais, crio expectativas demais.

No final, mesmo que mal tenha tido um começo, sobra uma pessoa amedrontada e outra esgotada. Eu sempre sou a segunda.

Intensidade com ansiedade dá nisso; muito de tudo. E não só muito, mas para agora, para ontem.  O azar é que ninguém que tropeça pelo meu caminho partilha de nada disso. Um pouco só dessa intensidade ou dessa ansiedade já seria o suficiente para a balança não ficar tão pesada no meu lado. Mas nunca é.

Acabo estragando tudo porque se não tem meu ritmo, então que não tenha ritmo nenhum. Prefiro dançar sozinha do que dançar com alguém uma música que não escolhi. Escolho me levantar e ir embora da festa do que ter que esperar ele me tirar pra dançar. Se não quer dançar agora, querido, então deduzo que não vai querer dançar nunca.

Dou meu adeus e sigo, mesmo tendo ciência de que, para o querido, os meus 40 minutos possam ser 3. Não importa, não funcionaria. As engrenagens girariam em sentidos influentes uma para a outra, então ele correria ou me mataria. Mataria porque é isso que querem fazer aos loucos e, no final da conversa, do lance, do pequeno romance, eu sempre acabo sendo a louca.

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Áreas cinzas e o desequilíbrio do poder
March 27, 2017 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

Girls está na sua última temporada e como se houvesse guardado o melhor para o final propositalmente, Lena Dunham – criadora da série – ofereceu um episódio que causou um rebuliço no meu estômago. Terminei de assisti-lo angustiada, com algo preso na garganta, furiosa, mas principalmente triste. Tão triste que foi impossível não chorar. Fiquei com o episódio por um longo tempo na cabeça, não deixei de pensar nele por dias até tomar a decisão de vê-lo de novo para esclarecer o sentimento que me causou e finalmente entender o porquê.

O 3º episódio da 6ª e última temporada se chama American Bitch e começa quando um escritor aclamado convida a protagonista Hannah para seu apartamento. O motivo do cara é contar o seu lado da história sobre um artigo que Hannah havia escrito sobre ele. O artigo em questão trata das acusações de assédio sexual que esse autor recebeu de quatro garotas diferentes, e por causa disso ele não conseguia mais dormir, começou a fazer ­­terapia, meditação e perdeu 9 kilos.

Pensei então que Lena Dunham havia dedicado o episódio especialmente para falar sobre esses homens acusados de assédio por alguma garota, cuja história pode ser relativizada e causar um debate muito longo sobre consentimento. Assim, me aconcheguei no sofá e assisti pacientemente esse personagem se explicar e acusar Hannah de escrever um artigo sobre textos de mulheres – note bem, MULHERES – que ela nem conhecia, baseado em boatos.

Talvez esse cara tivesse razão e, assim como Hannah, o ouvi e me deixei levar. Ao longo da conversa, o personagem diz que nunca forçou ninguém a fazer sexo com ele, afinal todas as garotas que o acusaram de assédio sexual foram por livre vontade.

É engraçado, mas tudo o que ele fala começa a fazer muito sentido, no entanto a agulhinha do incômodo me espeta de leve na nuca. Já havia ouvido isso antes, a fala de que mulheres que acusaram algum homem de assédio sexual, na verdade, estavam inventando tudo. Inventaram porque sentiram-se magoadas e rejeitadas por esse homem. Então nada do que esse personagem escritor fala é novo, é um discurso muito velho: a manifestação da desconfiança. Por que devemos acreditar em universitárias que acusaram um autor famoso de forçá-las a fazer sexo oral nele?

Talvez ele esteja sendo sincero, concluo comigo. Fico quieta quando o personagem perde o controle e grita com Hannah que tudo o que ele fez foi convidar aquelas garotas para seu quarto de hotel. Onde um convite é um assédio?!

Tendo ele dito isso, Hannah cita o desequilíbrio do poder na seguinte fala:

“Estou falando da parte em que você é um escritor famoso e ela trabalha muito para receber uma migalha do que você recebe todo dia. Então você a convidou para ir ao seu quarto de hotel e o que ela deveria dizer?Não? Ela o admira. Então você tira a calça. O que ela vai fazer sem seguida?Você não entendeu. Não é que ela foi até lá para ter algo sobre o que escrever. Foi para ela sentir que existe”.

– perdão pelos possíveis erros de tradução.

Não estou falando que todas as mulheres que fazem isso são coitadas que, meu Deus, só querem a atenção de um homem que elas admiram, mas essa fala ficou muito clara para nos fazer entender a dinâmica do poder. E isso pode se aplicar em incontáveis escalas: de uma adolescente e um youtuber que ela admira – são INÚMEROS os casos de youtubers pelo mundo que constroem uma relação de poder e submissão com suas fãs, basta dar um google – , até uma garota comum com a autoestima baixa e seu ex-namorado que só queria uma transa rápida.

Por fim o escritor diz que convidar uma adulta para seu quarto sem forçá-la não é um crime. Convites não são áreas cinzas, são apenas convites.  Ah, a área cinza. Saber que nem tudo é preto ou branco, que cada um faz o que faz por certos motivos, é reconfortante,  pois todos nós temos  traumas e histórias, mas apesar de oferecer o conforto de justificar atitudes que não conseguimos explicar nem entender, a área cinza é perigosa. É perigosa porque algumas coisas que não devem ser postas lá, são. E uma dessas coisas é o assédio sexual.

Vamos lá, quem com menos de quinze anos nunca foi assediada? Nós sabemos. Sabemos que quando está acontecendo não vemos nada demais. Ficamos lá, paradas, assistindo acontecer. Pode ser só uma massagem de um professor, um velho agarrando seu braço na rua quando você tinha dez anos, seu professor de teclado acariciando suas coxas quando você acertava as notas. Situações que, se ditas em voz alta, não parecem tão graves assim, pois carinho e elogios são relativos, certo? Se tratam, afinal, de áreas cinzas.

Assim como Hannah, e talvez Lena, me descobri cansada da área cinza. Me cansei porque é por causa dela que muitas de nós não entendemos o que exatamente aconteceu, porque usamos a relativização em busca de respostas. E, às vezes, a resposta está no preto ou no branco, nunca nos dois. Às vezes nem tudo possui dois lados.

Com essa revelação feita o episódio e eu seguimos juntos… Hannah se desculpa por ter escrito o artigo agora que conhecia esse escritor melhor. Eles criam uma sintonia e afinidade quando ele deita na cama encolhido, como um bebê desprotegido, e a convida para fazer o mesmo. Hannah deita e ele…bom, ele abre o zíper e coloca o pênis para fora.

Hannah, com o pênis do escritor jogado na sua perna, estende a mão em um impulso e pega nele. Quando percebe o que fez, entra em pânico.

E como ela falaria sobre aquilo? Como a gente faz para explicar ? Como dizer que na hora, mesmo ninguém tendo te obrigado, se trata de assédio? Se você entrou ali por livre e espontânea vontade, resolveu partilhar um momento com alguém e acabou fazendo algo que não queria fazer…Oras, é sua culpa!

É como uma redoma que só você se encontra e percebe depois, quando tudo parece estar bem mas ficou alguma coisa ali, igual um hematoma que surge no  braço e você não tem ideia de como foi que aconteceu.  O que resta fazer então? Como explicar de onde veio o hematoma sendo que nem você sabe? Então ficamos ali, presas àquele momento para sempre.

American Bitch, enquanto questiona o tal do consentimento, desafia com o queixo erguido esses homens que estão ali, conscientemente ou não, abusando do seu carisma e do seu poder, criando situações tão cinzas que não há cartela de Pantone que mude.

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Problematizando os filmes do John Hughes
March 04, 2017 - Tags: Arte, Cinema, Devaneios, Textos

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Problematizar John  Hughes talvez seja a coisa mais difícil que tenha que fazer. Eu admiro muito seu trabalho como roteirista e diretor. Ele foi capaz de entender a alma jovem mesmo já tendo passado da adolescência, e por meio dos seus filmes se comunicava com adolescentes que tinham seus medos e dramas desconsiderados apenas por terem 16 anos. Filmes como O Clube dos Cinco fala de como a sociedade é cruel, separando pessoas que poderiam vir a ser amigas, mas que, devido as panelinhas, não se conhecem, não mostram seus verdadeiros lados. Curtindo a Vida adoidado dramatiza um adolescente que quer só aproveitar a vida, mas tem uma grande mensagem – se você não sabe qual é, sugiro assistir o filme novamente .

Acontece que fica difícil ver tais filmes hoje em dia, quando você já tem uma visão mais apurada de falas machistas e/ou sexistas. Não creio que John tenha sido de fato machista, as coisas em 1980 eram muito diferentes de hoje, falas que possuíam nos filmes de antigamente jamais entrariam nos de hoje em dia. Tudo era mais jogado na época. Se feitos atualmente, John Hughes provavelmente reescreveria tudo. Além de já ter feito personagens femininas fortíssimas para os filmes da época, tenho certeza de que hoje as faria ainda mais fortes.

Mas, como já citado aí em cima, coça os dedos e a boca para não falar nem escrever sobre algumas situações nesses filmes que tanto amo. É por isso que aqui estou, com pesar, apontando algumas das vezes em que John Hughes foi machista e eu só percebi agora.

 

Sixteen Candles – Gatinhas e Gatões

1 . No baile da escola, o personagem Nerd (sim, ele não tem nome), inferniza a protagonista Samantha para ficar com ele. Depois de ver os dois conversando, o galã e amor platônico de Samantha, Jake, pergunta para o Nerd se ele a conhecia. “Sim. Por que?  Ela é sua?!” diz o garoto em um tom desesperado de perdão, ao que Jake responde que não.

Usarei o Raio problematizador pra facilitar sua vida caso não tenha visto nada demais nessa fala: se Jake falasse que Samantha era “dele” o Nerd iria parar de atazaná-la, mas apenas e exclusivamente porque Jake aclamaria ser  o “dono dela” (bandeira vermelha I). Porém, como a garota ainda não “pertencia a ninguém” OK continuar fazer da vida dela um inferno (bandeira vermelha II) e assim ele o faz pelo baile inteiro.

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2. Depois de um festão na sua casa, Jake desabafa para o Nerd que não está feliz  namorando a garota mais popular da escola e que talvez a protagonista Samantha seja uma escolha bem melhor. É quando ele olha para o Nerd e diz “Eu tenho uma namorada  desmaiada na minha cama, poderia violá-la de 10 maneiras diferentes agora, mas não quero”. Depois ele completa dizendo que tudo que sua namorada  quer é sexo e festa. Entendemos o que Jake quis dizer, mas BANDEIRA VERMELHA! Foi uma fala muito infeliz,  Hughes.

3. Depois do desabafo, Jake precisa se livrar da namorada bêbada e desmaiada. Como é um namorado maravilhoso – só que não – ele entrega a garota para o Nerd e até empresta o carrão do seu pai para o garoto ficar mais feliz.

Ao “dar a namorada” para o Nerd levar até a casa dela, Jake fala para ele se divertir com ela. A garota está desmaiada, com um cara que não conhece e ele permite que o rapazinho nerd se “divirta” com ela. Entendo que a garota é superficial e chata, mas ela ainda é um ser humano, não é mesmo, Jake? Dispensa raio problematizador.

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The Breakfast Club – O Clube dos Cinco

4. Quando os cinco adolescentes estão tendo o diálogo mais profundo do filme ( aliás, muito bem feito, escrito e desenvolvido),  todo mundo fica enchendo o saco da personagem popular, Claire, para ela falar se já tinha transado ou não. A seguinte fala da personagem Allison pode ser vista de duas maneiras:

“Bom, é uma faca de dois gumes, não é? Se você transou vão te chamar de vadia, se não transou é puritana. É uma pegadinha”.

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Allison pode tanto estar problematizando a injustiça que é isso ou não. De fato é uma fala tão real que funciona até hoje. Se você não transar é frígida, se transar é vadia. Nada que a mulher faz está correto. Excelente Hughes apontar isso em um filme adolescente, mas poderia ser mais desenvolvido, pois se Alisson estivesse problematizando só pareceu que ela estava acusando Claire do tipo “se você fez é vadia, se não é puritana. Se vira com isso aí e responde logo se já transou ou não!”.

5. Aparentemente  todo o  grupo pega Claire para cristo. No mesmo diálogo, logo após Alisson dizer que fazer sexo ou não fazer é uma pegadinha, ela pergunta para Claire se ela é uma provocadora, e Claire pede para todo mundo deixar esse assunto para lá, ao que o atleta Andrew diz:

“Você é uma provocadora e sabe disso. Todas as garotas são”.

Então o malandrão do filme, John Bender, entra na conversa também:

Fala logo, você é uma provocadora”.

“Eu não sou provocadora” – rebate Claire.

John insiste.

“Claro que é. Você mesma disse. Sexo é sua arma, você mesma disse. Você usa para conseguir respeito”.

“Não, eu nunca disse isso. Ela (Allison) destorceu minhas palavras.”

John, não contente, insiste em perguntar novamente.

“Para que você usa então?!”

“Eu não uso para nada. Ponto final!”

“Ah, entendi. Então você é clinicamente ou psicologicamente frígida?” – finaliza John.

Todos ficam acusando Claire de ser uma provocadora porque: 1) Todas as mulheres são (BANDEIRA VERMELHA! Aparentemente nós mulheres saímos por aí provocando tudo e todos e nem nos damos conta disso. Agora sim entendi porque somos estupradas) e 2) Ela não faz sexo, então usa isso para ter poder sobre os homens. Ou seja, para eles, Claire não sair dando pra todos os caras é porque ela considera sexo – ou a falta dele – uma forma de poder e usa isso muito calculado friamente a seu favor ( super bandeira vermelha!). Por fim, 3) Depois de admitir que Claire não usa o sexo para conseguir o que quer (seja fazendo ou não), John Bender a chama de frígida. Se não viu problema aí, volte para a casa 4.

 

6. John Bender assediou Claire desconfortavelmente ao longo do filme inteiro e, mesmo assim, a garota o beijou no final do filme.

Mas hein? Vez ou outra eu consigo interpretar isso da seguinte forma: bom, ela viu que ele era um babaca por ter uma vida realmente difícil. Debaixo dessa camada estereotipada de bad boy ele é uma pessoa legal e boa e ela pensou estar beijando essa camada. Entendo que, talvez, o intuito de John Hughes tenha sido quebrar estereótipos fazendo a popular certinha ficar com o malandrão, mas é um pouco difícil não se incomodar com isso no final das contas.

 

Agora, pausa para uma observação sobre o personagem John Bender

Já vi muitos textos que fazem de John o principal alvo de problematização de O Clube dos Cinco, mas  na verdade John não precisa ser problematizado pois o personagem foi feito exatamente para ser o problema.   O bad boy – que não larga do pé da personagem popular Claire um minuto – a assedia, a faz se sentir menor e envergonhada por inúmeros motivos, mas ele não é um grande problema no filme pelo mesmo motivo que não critico um filme que possui um estuprador como personagem. Se o papel do personagem estuprador é estuprar, como irei me incomodar com isso? Se vejo um filme de terror onde o monstro mata não faz sentindo achar ruim o monstro ser um assassino.

Não sei se me fiz entender bem, mas é o seguinte: John é um babaca, machista, com problemas mentais e comportamentais que foram expostos no filme. Ele está ali para ser um babaca mesmo, por essa razão não há motivo em problematizar suas ações, uma vez que são bem explícitas. O personagem é um babaca. Ponto. Aceite suas babaquices ou só veja filmes com pessoas bondosas. Caras como Bender tem aos montes no mundo, por isso continuaremos a ver filmes cheios deles.

Além de tudo isso, John Bender é um personagem necessário pois, se você ver o filme novamente, vai notar que se não fosse ele os personagens não iriam interagir. Sendo quem era,  fez todos se unirem contra ele, depois reclamarem dele e até causar briga entre eles mesmos. Portanto, John infelizmente foi um elemento necessário. Ele agitou as ondas da interação no roteiro. Sim, defendo Bender, mesmo, de fato, ele tendo assediado muito Claire. Algumas situações são desconfortáveis de assistir estando eu do ponto de vista da garota.

 

7. Vem a parte que mais me incomoda, pode parecer besta depois de tudo isso, mas é o seguinte: temos a personagem Allison que é a esquisitona do filme. Ninguém olha para ela com admiração, só repulsa. Mesmo sendo bonita para os padrões, o fato de ela falar o que fala e se vestir do jeito que veste a torna “inamorável”.

Mas, veja só, logo depois de Claire oferecer um make over para a garota (cena fofa, aliás). O esportista Andrew parece só reparar nela depois que essa repaginação acontece.

Andrew diz que ela está bonita, mas fica claro que é porque agora ela está como todas as outras garotas da escola. Feminina, frufru, normal. E assim, sem se incomodar com o fato de que o garoto só foi olhar para ela porque ela trocou de roupa,  Allison cai no papo e fica com ele. Shipo?Shipo. Mas Jonh Hughes poderia quebrar estereótipos – que é exatamente sobre o que o filme fala – deixando a “esquisita” continuar esquisita e mesmo assim ficar com o atleta. Isso sim seria maravilhoso.

Pretty in Pink – A Garota de Rosa Shocking

8. A protagonista Andie, nada popular, vitima de bullying e bolsista na escola,  começa a sair com Blane um dos garotos ricos e populares. O filme gira em torno de ela ter vergonha de ser pobre e ele rico e ela começar a entrar no ciclo de amizades que, junto com seus amigos, tanto repudiava. Acontece que  depois de promessas e falas fofas em que jurava não ligar para status e demonstrar que se importava, Blane  deixa  Andie na mão.

Depois de a convidá-la para o baile e a garota se encher de expectativas (como acontece com todas as protagonistas de adolescentes em filmes americanos) Blane a desconvida de última hora e termina tudo  puramente por não aguentar a pressão dos amigos. Amigos que chamavam Andie de lixo que servia apenas para transar só por ser pobre.

A garota não se deixa abalar. Mesmo assim faz seu lindo vestido rosa e vai sozinha para o baile de formatura enfrentar todos aqueles que a odeiam. Ótima mensagem, John Hughes…Mas…

Quando finalmente você pensa que veria um filme onde a protagonista fica feliz e sozinha, o lindão reaparece, pede desculpas e ela o aceita de volta. Mesmo depois de a ter humilhado e “desistido” dela. Ah, não né!?

No meu final alternativo Andie ficou sozinha, segura e feliz e seu melhor amigo ( não citado nesse post) parou de dar em cima dela e passou a vê-la apenas como amiga.

Essas são algumas coisas que, ao assistir recentemente, me incomodaram. É engraçado porque quando incomoda não tem como fugir da problematização. Então parei, pensei “por que senti essa alfinetada aqui? Ah, foi por isso” e cheguei nessas conclusões. John Hughes não era um visionário, apenas refletia uma geração nos seus filmes, sei disso. Esses filmes cumprem bem o papel de entreter e de quebra passa mensagens, é por essa razão que, mesmo com tais pontos incômodos, continuarei amando todos.

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Diabinhos
January 08, 2017 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Dia desses eu tirei os meus dentes do siso. Pensei que seria um movimento estratégico, o único buco-maxilo do meu convênio só atendia de segunda-feira e as coisas no meu trabalho estavam mais calmas. Ou seja, ficaria em casa de atestado médico por  três ou quatro dias sem peso na consciência. Seriam dias de descanso, iria dormir bem, colocar a leitura em dia, ver séries e descansar. Voltaria no final da semana para o trabalho, renovada e feliz, mas com a inevitável vontade de ficar mais uns diazinhos em casa. Tudo certo. Certo? Não.

No segundo dia eu já não queria mais ficar em casa.  Primeiro porque me esqueci das dores horrendas que tirar dentes provoca, segundo porque não conseguia comer o que eu queria – que é uma das coisas legais ao se fazer em casa. Tipo ver filme do Woody Allen comendo pipoca. Pipoca sem 3 dentes? Jamé – e terceiro que os remédios começaram a agredir meu estômago e eu não dormi direito porque de 3 em 3 horas tinha ataque de queimação. Foram dias horrendos.

A culpa, porém, não foi apenas da dor, não comer pipoca nem dormir direito, mas sim de que eu tive dias completamente improdutivos. Dias em que ler não me deixava feliz, ver TV muito menos e dormir sem chance porque a ansiedade havia me pegado de jeito. Foi quando no quarto e último dia de atestado eu me peguei pensando naquilo que jamais pensei que pensaria: “não vejo a hora de ficar bem para poder voltar para o trabalho”. É. Virei desses adultos.

Deixe-me explicar o problema dessa frase: para mim existem dois tipos de pessoas, aquelas que durante as férias conseguem ficar em casa de boa, lendo, bebendo vinho, comendo, trocando o dia pela noite etc.,  e  as que ficam malucas se não forem viajar. Essas começam a criar tarefas desnecessárias apenas para sentir que estão fazendo alguma coisa. Eu nunca entendi essas pessoas, eu sempre (repito: sempre!) teria o que fazer de divertido em casa. Mas eis que me enganei.

Durante meus dias de repouso e cara inchada, não conseguia fazer as coisas que normalmente seriam suficientes para preencher minha cabeça. Tais coisas passaram a não ser suficientes para tirar de foco os diabinhos trabalhando (para quem não entendeu: “cabeça vazia, oficina do diabo”,  logo imagino que nessa oficina tem vários diabinhos trabalhando. Então eu preciso fazer algo para que os diabinhos não trabalhem). Ler não mandava os diabinhos descansarem, dormir muito menos e assim eles não me deixavam em paz se eu não fizesse algo que não fosse produtivo. Coisas do tipo revisar meus textos, lavar a lousa, organizar minha pasta de fotos no computador.

Seria isso sinal de que a vida pessoal está tão merda que  não vejo a hora de voltar para a profissional? Seria uma revelação e tanto. De qualquer maneira, tudo o que sei é que a partir de agora vou poder erguer o queixo como todo mundo e falar “Ai. Eu fico louca se ficar em casa”.  Ótimo.

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25 coisas que você começa a perder quando passa dos 25
November 22, 2016 - Tags: Devaneios

 

  1. Cabelosem-titulo
  2. oportunidades de emprego
  3. amigos
  4. paciência
  5. perspectiva
  6. baixa tolerância ao álcool
  7. tempo
  8. energia
  9. baladas
  10. os avós
  11. colágeno
  12. vontade de ir a eventos de anime
  13. energia
  14. festas de aniversário
  15. presentes de aniversário
  16. dinheiro
  17. gosto por bolacha recheada
  18. gosto por cerveja barata
  19. flexibilidade
  20. capacidade de adaptação
  21. tempo para escrever
  22. tempo para ler
  23. tempo para dormir
  24. tolerância
  25. vontade de usar all star

 

 

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Afliceta
November 03, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Você está perto agora. Tão perto que quase consigo te tocar,  mas não dá, porque você, na verdade, não está aqui. Embora consiga ver claramente esse pelo desproporcional crescendo no seu ombo. Sozinho, meio nojento. Eu sempre pedia para você mesmo arrancá-lo porque eu tinha repulsa, mas agora que você voltou e ficou aqui na minha frente, quase real o suficiente, tenho o impulso de arrancar eu mesma. Eu ia sentir una afliceta e você riria, os dentes perfeitamente alinhados e amarelos por causa do cigarro que eu mesma te viciei. A gente nunca funcionou, nunca tivemos química, já reparou? Mas ao mesmo tempo funcionávamos porque eu ria. Só não fazia você rir, coisa que depois que descobri virou um incômodo crescente, mais do que aquele outro incômodo, que eu tenho certeza que você não fala pra ninguém. Ou se fala coloca a culpa em mim, “ela fazia isso”. Jamais um “eu não era capaz”. O que importa é que eventualmente depois, acabei deixando de rir também. Eu tentaria te explicar que enquanto você estava lá era ótimo, mas isso não ia funcionar mais, já está tudo cagado. Bosta no ventilador. Você não quer mais saber e eu te odeio. Nada que eu possa fazer, exceto quando, vez ou outra, você fica perto assim. Quase tocável, como se nunca tivéssemos feito daquilo tudo essa droga. Em momentos assim, eu quase consigo te tocar, não dá, mas posso te dizer: você me ferrou legal.

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A desconexão
September 26, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Sou a favor de rompimentos. Acredito que quando as coisas param de funcionar por qualquer motivo que seja – ou sem motivo algum – as pessoas devem ambas seguirem seus rumos, uma sem a outra, sozinhas, alones, forever. Brincadeiras a parte, relacionamentos acabam e todo mundo vai passar por um término ou milhares, o grande problema para mim é entender e aceitar essa coisa estranha de cortar a outra pessoa da vida totalmente. Igual na música do Gotye com a Kimbra“… você não precisava me cortar. Fingir como se nunca tivesse acontecido..etc etc” recentemente constatei uma nova fase do término de um relacionamento, que vem logo em seguida das abaixo:

  1. Luto, depressão, auto estima abaixo de zero.
  2. Raiva, ódio, você quer queimar a pessoa viva e rir dela enquanto isso acontece.
  3. Parar de pensar na pessoa todos os dias e chorar apenas ocasionalmente.
  4. Sensação de liberdade. Acabou!

Acabou nada, colega, é o que você pensa. Vem a quinta fase, que é aquela em que se pode ficar com uma saudade avassaladora da pessoa, você quer saber como ela está, lembra apenas das coisas boas, os defeitos deixam de ser defeitos e você se desespera em saber que nunca mais vai poder ir ao mercado com ela comprar ingredientes para fazer macarrão com salsicha ( compra essa constituída por macarrão, molho e salsicha).Essa sim é a pior parte de um rompimento.

O fato severo não é deixar de viver um namorinho, mas sim apagar o alguém da sua vida e voltar a viver como se ele nunca tivesse limpado o cocô do seu gato ou engolido um fio do seu cabelo que caiu no prato dele. Impossível.

Quando vivemos um relacionamento a pessoa passa a ser parte da sua vida, você da dela e o mais pesado, vocês duas trocam um pedacinho de vocês mesmos entre si. Principalmente se você, assim como eu, se abre que é uma beleza. E do momento em que o relacionamento acaba de vez e você sabe que não tem volta, vem a consciência de que, sim, essa pessoa saiu da sua vida. Mas eu me pergunto: ela precisa mesmo sair da sua vida?

Há quem já tenha passado por mais de um término e diz  que sim, essa coisa de ser amigo de ex não funciona, mas também tem quem diz que é totalmente possível. Conheço quem continuou superamigo do ex mesmo depois de terminar um relacionamento e  isso é uma lição. Por que devemos somar e subtrair pessoas das nossas vidas? Da mesma forma que entraram podem permanecer, só que de outra forma.

É dificílimo crer que as pessoas realmente querem e conseguem conviver com o contraste bizarro que é o “tomo banho na sua casa” para “não quero nem saber se você está vivo”.

Essa coisa de se desconectar de alguém 100% para sempre é muito cruel. Prefiro pensar que cedo ou tarde todo mundo um dia vai se reconectar um furando a fila do pão na frente do outro.

 

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Discutir é uma arte
August 16, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Eu falei pra ele que se lembrar exatamente de como era ser adolescente nada tinha a ver com amadurecer ou não. Ele disse que sim, que quem ainda sabe como é se sentir um adolescente não amadureceu. “Então John Green e John Hughes são superimaturos, porque eles escreveram para adolescentes e sobre adolescentes de uma maneira que mostrou que eles nunca se esqueceram dos dramas da idade”, respondi.

“SIM, exatamente”

“Não” insisti. “John Hughes era maduro. Você vai me dizer que John Green chora porque não pode comprar um tênis? Claro que não! Eles só não se esqueceram da sensação de ser jovem… A vida adulta não os corrompeu”.

“Ou seja, eles não amadureceram.”

“Não… Veja bem, amadurecer…”

“Ok. Você está certa, você venceu.”

E assim ele encerrou a discussão que poderia salvar aquele encontro heteronormativo apenas para me fazer calar a boca porque ele não estava a fim de discutir. Porque, claro, ele era mais maduro que eu, então deixou eu ganhar a discussão. O problema é que não era uma questão de vencer, uma discussão é uma questão de trocar ideias e sair dela com dúvidas, resolvido ou quiçá com uma ideia diferente.

Isso é algo que vejo acontecendo frequentemente na minha vida. As pessoas acham que o fato de eu dissecar um assunto, perguntar o motivo de elas pensarem daquela maneira e tentarmos, juntos, desconstruir algo é uma briga. Não é uma briga, não é uma discussão. Eu não quero ganhar. É um debate, já ouviu falar? Supersaudável e legal.

Fico imaginando como deve ser uma conversa para essas pessoas que fogem do confronto e acham que respeitar a opinião alheia envolve não questionar:

“Gosto de filmes de heróis, mas não gosto de Batman o Cavaleiro das Trevas.”

“Não? Que estranho. Mas tudo bem, respeito sua opinião. Me dá a mãozinha e vamos ser felizes e saltitar olhando para o céu o passeio inteiro”.

No meu mundo, as coisas seriam:

“Não? Que estranho. Tem que ter alguma coisa no Batman o Cavaleiro das Trevas que você não gostou. Achou muito obscuro? Talvez você goste de piadas, tente ver mais filmes da Marvel, então. Mas se você olhar por um lado X talvez o filme fique melhor, o que você achou da trilha sonora? Da fotografia? …”

Olha que lindo – talvez nem tanto escrito porque parece um interrogatório, mas deu pra pegar a ideia geral, não deu?

Li agora no livro da Jout Jout um trecho que fala que “as pessoas querem alguém que fale o que elas já sabem”. Penso que não, porque nem sempre. Talvez as pessoas precisem de reafirmações, alguém que pense igual a elas para se sentirem seguras, mas isso não pode ser sempre. Que tipo de namoro ou amizade tediosa teríamos se pensássemos igual? Quando entraria a parte que mudaríamos de ideias, de opiniões? Nunca, se for desse jeito.

Virou frequente boys falarem que estou certa só para me fazerem calar a boca. Seja porque eles não têm argumentos ou porque acham perda de tempo ficar uma noite inteira conversando sobre o vagão rosa do metrô. Mas cansei. Hoje me rodeio de pessoas que apreciam um bom debate, uma boa discussão.

O desafio é fazer essas pessoas entenderam que não é porque quero fazê-las entender algo ou saber o motivo de ela achar certa coisa que estou brigando com elas.

A pergunta que eu e todo mundo temos que nos fazer é: vale a pena sair com quem acha isso chato? Óbvio que não. Se meus amigos ou meu possível boy não querem ouvir o que tenho para falar, acham besteira discutir ou – o pior  –  eles mesmos não tem o que falar…Beijos.

Vai rolar gritos? Sim, conversar é algo que envolve ego e exige muita aptidão para não se ofender com algo, não levar para o pessoal, saber discernir quando se trata realmente de opinião ou gosto pessoal e, principalmente, saber quando você não tem argumentos e está na hora de mudar de ideia ou estender a bandeira branca. Algumas cutucadas pessoais e irritabilidade também podem rolar, mas a discussão não vai acabar até me fazerem mudar de ideia, eu mudar a ideia de alguém ou chegarmos a concordar em discordar. Até lá quero distância de quem fala que estou certa achando que saiu por cima porque não “quer discutir isso comigo”.

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