O precipício do flerte
July 27, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

flerte

Minha parte preferida do flerte é quando se está na pontinha do precipício. Quando se sabe que vai ter que pular e a outra pessoa está do outro lado, em outra pedra, você só não sabe se ela quer tanto pular como você, mas percebe que ela está com um pé na frente do outro pronta para pegar impulso.

Exemplo é essa cena que se repete, vira e mexe,  na minha cabeça:
é uma festa, eu não sou amiga do dono da festa, mas conheço alguém que conhece o dono. Estou bem naquele dia, só quero rir com meus amigos e a festa está com aquele pó de pirlimpimpim no ar que agora são raros, não se encontra em qualquer baladinha, não.

Alguém me abandonou e estou parada, sem ficar pensando se tem alguém me olhando ou em fazer pose, só ali parada segurado meu copo vermelho de festa americana. E aí um grupo na minha frente se mexe, um pessoal sai e a pessoa surge no meu campo de visão, bem de frente pra mim e já olhando na minha direção como se soubesse que eu estaria ali. Eu olho para ela, ela sorri sem graça. A gente nunca ficou, mas a gente sabe também que se não for ali não vai ser mais.

Então eu  me melo de medo, fico parada porque nunca faço nada. E a pessoa vem até mim e puxa um papo ridículo e me dá calafrios só de me cumprimentar com um beijinho no rosto.

Mas a parte do beijinho não importa, ela é depois da melhor parte, o precipício. O precipício mesmo é o momento em que a gente – eu e a pessoa – se vê no mesmo lugar, solteiros, bêbados, nos divertindo a beça e com alguns passinhos nos separando.

A pessoa pode pular ou não, eu posso beber mais pra criar coragem e acabar perdendo a chance ou não. Mas o que importa é estarmos separados, esse momento no qual cada um ainda está no seu próprio precipício. Eu vivo para esses momentos porque depois deles é só queda.

 

Deixe um comentário

Deixe seu comentário