Afliceta
November 03, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Você está perto agora. Tão perto que quase consigo te tocar,  mas não dá, porque você, na verdade, não está aqui. Embora consiga ver claramente esse pelo desproporcional crescendo no seu ombo. Sozinho, meio nojento. Eu sempre pedia para você mesmo arrancá-lo porque eu tinha repulsa, mas agora que você voltou e ficou aqui na minha frente, quase real o suficiente, tenho o impulso de arrancar eu mesma. Eu ia sentir una afliceta e você riria, os dentes perfeitamente alinhados e amarelos por causa do cigarro que eu mesma te viciei. A gente nunca funcionou, nunca tivemos química, já reparou? Mas ao mesmo tempo funcionávamos porque eu ria. Só não fazia você rir, coisa que depois que descobri virou um incômodo crescente, mais do que aquele outro incômodo, que eu tenho certeza que você não fala pra ninguém. Ou se fala coloca a culpa em mim, “ela fazia isso”. Jamais um “eu não era capaz”. O que importa é que eventualmente depois, acabei deixando de rir também. Eu tentaria te explicar que enquanto você estava lá era ótimo, mas isso não ia funcionar mais, já está tudo cagado. Bosta no ventilador. Você não quer mais saber e eu te odeio. Nada que eu possa fazer, exceto quando, vez ou outra, você fica perto assim. Quase tocável, como se nunca tivéssemos feito daquilo tudo essa droga. Em momentos assim, eu quase consigo te tocar, não dá, mas posso te dizer: você me ferrou legal.

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