Vá e não volte, 2015!
December 29, 2015 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

Quando vinha pensando sobre o que falar de bom sobre esse ano (sabe, para terminar o texto falando “Mas apesar de tudo isso, veio isso isso e isso de bom”…), tomei a decisão de que não me obrigaria a achar nada de bom nesse ano. Porque apesar de nada ruim ter acontecido, comigo particularmente, 2015 foi uma grande merda. E não. Não vou me obrigar a encontrar coisas ótimas nele.

Se parar para pensar em palavras chaves as primeiras que me vêm à cabeça são homofobia, desastres, guerra, fim do mundo, raiva, ignorância, intolerância, ansiedade e sem sal. 

Nesse ano que, graças à Deus, se vai, tive a chance de descobrir que não basta ser feminista e gritar por direitos iguais, você deve ter sofrido alguma coisa para ter a voz ativa “merecida”. Sendo assim, eu, como uma branca heterossexual de classe média e privilegiada não posso gritar contra a violência contra as mulheres na favela (elas mesmas devem fazer isso) e muito menos falar coisas contra a homofobia (os gays mesmos devem fazer isso), do contrário, estarei roubando a voz ativa deles. Descobri, portanto, que mesmo unidos contra a repressão, a minoria ainda pode se dividir. E isso entristeceu meu coração.

Além disso, trabalhando nele, aprendi que o universo dos livros e mundo editorial não é mágico como pensei. Assim como, apesar de ter conquistado meu diploma de Jornalista, não me sinto uma e ainda, apesar de estar beirando aos 25, estou perdida sobre o que fazer para o resto da minha vida.

Ganhei quilos, amigos se afastaram, outros se aproximaram, terminei um namoro mas não o relacionamento, fui à poucas festas mas bebi muito mais, comecei a ganhar mais e a perder os cabelos.

Claro, não podemos esquecer dos bolsonaros, discussões políticas tomando proporções idênticas às brigas de time de futebol, Mariana, Paris, Estado Islâmico, Machismo, Crise Econômica…

Foi possível acompanhar, viver e ver de tudo com uma apatia que pretendo não sentir mais. 2015 foi em sua maioria cinza e boa parte preta. Não quero mais. Quero prata com glitter.

Tudo o que posso dizer é VAI COM DEUS, 2015! Vá e nem me dê tchau, porque nossos santos simplesmente não bateram.

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