Mistress America
July 08, 2016 - Tags: Arte, Cinema

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Não conheço a obra completa de Noah Baumbach, mas ele sabe falar sobre ser jovem. Prova disso são seus dois filmes Frances HA e Mistress America, ambos roteirizados por ele e por sua fofíssima esposa Greta Gerwig.

Para quem já viu o sensível  Frances HA, é bom saber que Mistress America tenta seguir por essa linha, mas tem uma pegada diferente. O filme de 2015, de roteiro original, é protagonizado por Tracy, uma adolescente  que acabou de se mudar para Nova York e entrar na faculdade. Como quase qualquer aspirante a escritora Tracy é introspectiva e tem dificuldades em fazer amigos. Quando comenta isso para sua mãe ela sugere que a filha saia com sua futura meia irmã, filha do seu futuro padastro, Brooke (Greta Gerwig). As futuras irmãs se conectam imediatamente e Tracy se encanta pela desenvoltura de Brooke e sua vida “cool”.

Brooke nos é apresentada sem delongas, em apenas uma noite com a irmã mais nova a personagem se mostra festeira, independente, moderna e tem todas as qualidades que faz qualquer garota de 18 anos faminta pelo mundo se apaixonar e idolatrar.

A fórmula é a mesma de Frances HA; uma adulta que, apesar da idade, não tem sua shit together, ou seja, tem a vida bagunçada assim como quando tinha aos vinte anos. Brooke é uma personagem distante, ela é tanta coisa que acaba sendo nada. A atuação de Greta Gerwig está distante do que ela fez com a queridinha Frances Halliday, em Frances HA. Aqui, a vontade que dá é de sentar com ela e pedir que fale mais dela mesma, porque não dá para conhece-la, o que é estranho já que tudo o que o filme faz é nos mostrar quem é Brooke. Isso me leva a crer que talvez a personagem seja uma metáfora, um conceito sobre essa geração de 30 tão perdida quanto a de 15.

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Mistress America junta as peças na última cena, quando a protagonista Tracy conclui que não há mais lugar para pessoas como Brooke no mundo, que rezam para estar do outro lado (composto de uma vida chata, casamento e filhos) mas não conseguem. Brooke era muito mais que isso e por mais que quisesse jamais estaria do outro lado. Ela representa aquela pessoa que dá esperanças para outras mais jovens, aquelas que sonham em viver fora do check list de faculdade e emprego em um escritório. Mas mesmo fora desse check list Brooke teria uma vida solitária porque assim é a vida de quem tem a missão de ser a esperança.

O ruim do filme foi romantizar o  problema dessa geração, que é nunca fazer nada ou fazer tudo e estar perdida ao mesmo tempo. Não se trata de um problema tão sério e preocupante, mas Mistress America faz parecer que tudo bem você seguir a vida pulando de galho em galho, afinal, a vida é mais que uma carreira profissional. Se isso é bom ou ruim, você que decide.

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A mensagem clara que encerra o filme é fofa, apesar de meio clichê: o que Brooke fez com Tracy foi incentivá-la a ir por ela mesma, sem depender desesperadamente de grupos que a aceitem. No entanto, os diálogos apenas oks e o carisma de Greta não foram  suficientes para fazer do filme ótimo, as piadas no entanto se tornaram uma surpresa, então se quiser ver algo light mas não vazio e dar uma risadinhas, Mistress America é o seu filme.

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