Balanço de 2016: os melhores e piores
December 14, 2016 - Tags: Arte, Cinema, Cotidiano, Eventos, Livros, Música

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Esse ano não vai ter texto sobre quão bosta foi 2016. A gente sabe de tudo: Golpe ( ou se preferir um termo mais constitucional: conspiração da oposição), Temer, estudantes desaparecidos, militantes censurados, Trump…

Então fechando os olhos e destrancando um pouco a cabeça, vou  focar no que foi bonzinho esse ano. O que me fez levantar da cama e não desistir de tudo, meus bombozinhos-surpresa que deixaram a vida menos bosta: os melhores de 2016 (e alguns bostas também, pra você já não perder seu tempo ano que vem).

MÚSICA

Por que não começar com uma cantora que eu comecei metendo o pau a beça no início de 2016 e terminei o ano ouvindo ela pra melhorar minha autoestima? Carol Konka. Por que eu odiava sem nem tê-la ouvido direito? Porque eu pensei que era Funk. E funk pra mim, queridos, não desce. Não dá. Mas eis que um dia descubro que a Karol não é funk (rap, com pop, hip hop, black, reggae e uma pitada bem inha de funk carioca, talvez) e o mais legal: suas letras são ótimas, principalmente se és una chica e está naquela fase lamacenta. Ouvir Karol Conka me fez dar um up. Pelo jeito, É o Poder.

Ouvir coisa brasileira dá uma satisfação enorme. Os brasileiros estão fazendo coisas ótimas e tem para todos os gostos. Boogarins surgiu na onda do “new psicodelic”, e sabe aquele som que te leva pra outro nível no cosmos? Pois é. Trilha pra praia, para descansar a alma em meio ao caos todo que foi esse ano.

Mais uma da série “torcia o nariz pra caralho e agora amo”: Arcade Fire. Não lembro o que me fez parar para escutá-los, mas agora a banda não sai da minha playlist.

Como teve outras coisas que fizeram a trilha sonora do meu 2016, segue uma playlist não só das que descobri, mas que embalaram vários momentos do meu ano.

A pior coisa que pude escutar esse ano foi sem dúvida Sorry do Justin Bieber. Não porque é do Justin, mas sim porque eu gostei.

LIVROS

Ia terminar o ano frustradíssima comigo mesma porque não li metade do que gostaria de ler. Mas aí vai uma dica para você que também achou que leu pouco esse ano: pegue os livros que leu e os empilhe. Vai fazer pelo menos um voluminho – no meu caso bem inho – e você se sentirá menos lixo.

Essa é minha vergonhosa pilha de 2016:

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Quem vai ficar com Morrissey : ***
Antes do Baile Verde: *****
Circo Invisível : ****
Wicked: ***
Tá todo mundo mal: ***
ABC de Fernando Pessoa: ***
Gemma Bovery: ****
Deadpool – Meus queridos presidentes: ***

One Man Guy: **

Sim, inclui 2 quadrinhos e me orgulho muito disso! Dessa mixaria, os dois melhores – não só do ano, mas que viraram meus preferidos da vida – foram “Antes do Baile Verde”, da Lygia Fagundes Telles e “Circo Invisível” da Jennifer Egan. Fiz resenha do Circo Invisível no Garotas Rosa Choque, e o Antes do Baile Verde gostei tanto que não ousarei resenhar. Quem gosta de contos e dramas da vida vai amar, sem dúvida. É profundo, delicado e amor. Além disso, nada como incluir uma escritorA  brasileirA na prateleira, né?

Dentre esses o livro mais ruim é o One Man Guy. Não que seja ruim de fato, mas ele tinha mais potencial.

SÉRIES

Esse ano finalmente terminei de ver minha série favorita da vida que me moldou como ser humano: Gilmore Girls. Ela só não  entra na lista de 2016 porque é da vida toda, não apenas desse ano.

A melhor? Não precisa nem dizer… Stranger Things. A série é tão boa que não duvido que a Netflix a fez baseada nos tais algorítimos de audiência. Tem todos os elementos que produziram séries e filmes de sucesso: crianças, anos 80, bebê fofo, sobrenatural, romance juvenil, conspiração e Joy Division na trilha sonora.  Perfeita.

A pior: Penny Dreadful, claro. Eu assisti tudo básica e exclusivamente pela Eva LOVE Green. Porque só isso para me ajudar a engolir o roteiro cheio de furos.

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FILMES

2016 foi fraquíssimo de filmes… Pena. Aceito recomendações.

Pior: Como eu Era antes de você (odiei tanto que fiz um texto inteiro sobre ele. Quer ler e ficar com raiva? Vá Aqui)

Melhor: A Bruxa. Em terra de sustos baratos, A Bruxa é obra prima.

Mas não adianta, como potterhead que sou, o que realmente aqueceu meu coração foi Animais Fantásticos e Onde Habitam.

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EVENTOS

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SP na Rua reúne coletivos, núcleos e artistas nas ruas do centro antigo da cidade. Foi meu 1º ano e foi demais. Agora nós, paulistanos, corremos o risco de não termos mais, graças aos paulistascoxaslindos.

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Festa de 25 anos com tema anos 80 –  Digamos que a comemoração dos meus 25 anos provou que sou capaz de bancar uma festa sozinha, que os anos 80 são demais mesmo e que, claro, eu sei dar uma festa.

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Show do New Order – É de outro mundo ver uma banda antiga ao vivo. Ainda mais o New Order, que surgiu de uma banda que fez parte (se não iniciou) um cenário musical totalmente novo, a Joy Division,  e depois criou outro para a música eletrônica. Foi caro, mas muito divertido.

Marcelo Jeneci e os meninos do The Outs também embalaram alguns shows divertidos ao longo de 2016.

***

Muitas das metas que transferi de 2015 para 2016 irão também para 2017, mas em meio ao caos que anda o universo, acredito que comprar uma câmera profissional não seja uma das metas mais importantes. De verdade, se o ano for acabar em 2017 que seja da forma descrita pela Bíblia, com dragões de várias cabeças e mares se abrindo. Será muito melhor do que desse jeito que já está acontecendo. Rezemos. Um feliz ano novo para nós! Ou um ano novo menos pior possível…

 

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25 coisas que você começa a perder quando passa dos 25
November 22, 2016 - Tags: Devaneios

 

  1. Cabelosem-titulo
  2. oportunidades de emprego
  3. amigos
  4. paciência
  5. perspectiva
  6. baixa tolerância ao álcool
  7. tempo
  8. energia
  9. baladas
  10. os avós
  11. colágeno
  12. vontade de ir a eventos de anime
  13. energia
  14. festas de aniversário
  15. presentes de aniversário
  16. dinheiro
  17. gosto por bolacha recheada
  18. gosto por cerveja barata
  19. flexibilidade
  20. capacidade de adaptação
  21. tempo para escrever
  22. tempo para ler
  23. tempo para dormir
  24. tolerância
  25. vontade de usar all star

 

 

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Afliceta
November 03, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Você está perto agora. Tão perto que quase consigo te tocar,  mas não dá, porque você, na verdade, não está aqui. Embora consiga ver claramente esse pelo desproporcional crescendo no seu ombo. Sozinho, meio nojento. Eu sempre pedia para você mesmo arrancá-lo porque eu tinha repulsa, mas agora que você voltou e ficou aqui na minha frente, quase real o suficiente, tenho o impulso de arrancar eu mesma. Eu ia sentir una afliceta e você riria, os dentes perfeitamente alinhados e amarelos por causa do cigarro que eu mesma te viciei. A gente nunca funcionou, nunca tivemos química, já reparou? Mas ao mesmo tempo funcionávamos porque eu ria. Só não fazia você rir, coisa que depois que descobri virou um incômodo crescente, mais do que aquele outro incômodo, que eu tenho certeza que você não fala pra ninguém. Ou se fala coloca a culpa em mim, “ela fazia isso”. Jamais um “eu não era capaz”. O que importa é que eventualmente depois, acabei deixando de rir também. Eu tentaria te explicar que enquanto você estava lá era ótimo, mas isso não ia funcionar mais, já está tudo cagado. Bosta no ventilador. Você não quer mais saber e eu te odeio. Nada que eu possa fazer, exceto quando, vez ou outra, você fica perto assim. Quase tocável, como se nunca tivéssemos feito daquilo tudo essa droga. Em momentos assim, eu quase consigo te tocar, não dá, mas posso te dizer: você me ferrou legal.

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The Horrors: do punk ao new wave (moderno?)
October 04, 2016 - Tags: Arte, Música

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Existe uma banda linda linda chamada The Horrors e eu não consigo entender porque ninguém conhece e ela não bomba. Então a missão desse post  é apresentar a banda e dizer porque eles são demais.

Mas e aí, quem são esses caras estranhos que, pela foto do post, fazem jus ao nome?
The Horrors é uma banda britânica que começou em 2005 (isso talvez explique o look meio emo no início da carreira dos moçoilos) que mixa punk, com pós-punk e new wave. Sim! A banda em si é uma linha do tempo da “evolução” do punk ao longo dos anos 70 até 2000.

Dá para ver claramente isso só seguindo a linha cronológica de álbuns dos rapazes. Em 2007 veio o lançamento do 1º CD , um “punk moderno góticuzin”, cru e meio barulhento: Strange House . O álbum que não é meu favorito já mostra pelo menos a que a banda veio ao mundo: fazer barulho, mas um barulho com melodia.

No 2º CD, Primary Collors, os horrores deixaram mais de ladinho a “revolta 100%”, afrouxou a maldade e botou uns sintetizadores delicinhas, caminhaaando para um pós-punk. Essa música que já abre o álbum bota qualquer plateia para pular:

O instrumental do The Horrors é supersimplão. Então por que, meu Deus do Céu, é bom? A música dos caras parte do feeling, da melodia boa, que prova que música boa não precisa ser difícil.  Em Primary Collors é mais perceptível as influências de bandas como Joy Division. O diferencial  é o uso do querídissimo sintetizador, que bota um pó mágico em qualquer música.

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2011 chegou e aí a banda somou o barulho cru de Joy Division com o romantismo de bandas oitentistas como Echo and the Bunnymen e lançou o 3º álbum SkyingStill Life é uma das melhores. Fique com a versão ao vivo que traz a diva Florence and the Machine cantando com o vocalista Farris Badwan e sua voz grave.

Por fim veio o Luminous, CD de 2014 com um apelo mais popzinho e melodias mais suaves. O CD parece concluir a sequencia “punk-new wave” e prova que The Horrors não é banda de um CD só, mas sim daquelas bandas que te fazem aguardar ansiosamente pelo próximo trabalho porque, sem dúvida, será bom.

Agora bota os fones e sintoniza no meu TOP 3:

A fofura em forma de rock moderno:

Hino para teenager deslocado:

Para dançar:

Pronto, já podem virar fãs e me ajudar a vê-los ao vivo de novo.

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A desconexão
September 26, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Sou a favor de rompimentos. Acredito que quando as coisas param de funcionar por qualquer motivo que seja – ou sem motivo algum – as pessoas devem ambas seguirem seus rumos, uma sem a outra, sozinhas, alones, forever. Brincadeiras a parte, relacionamentos acabam e todo mundo vai passar por um término ou milhares, o grande problema para mim é entender e aceitar essa coisa estranha de cortar a outra pessoa da vida totalmente. Igual na música do Gotye com a Kimbra“… você não precisava me cortar. Fingir como se nunca tivesse acontecido..etc etc” recentemente constatei uma nova fase do término de um relacionamento, que vem logo em seguida das abaixo:

  1. Luto, depressão, auto estima abaixo de zero.
  2. Raiva, ódio, você quer queimar a pessoa viva e rir dela enquanto isso acontece.
  3. Parar de pensar na pessoa todos os dias e chorar apenas ocasionalmente.
  4. Sensação de liberdade. Acabou!

Acabou nada, colega, é o que você pensa. Vem a quinta fase, que é aquela em que se pode ficar com uma saudade avassaladora da pessoa, você quer saber como ela está, lembra apenas das coisas boas, os defeitos deixam de ser defeitos e você se desespera em saber que nunca mais vai poder ir ao mercado com ela comprar ingredientes para fazer macarrão com salsicha ( compra essa constituída por macarrão, molho e salsicha).Essa sim é a pior parte de um rompimento.

O fato severo não é deixar de viver um namorinho, mas sim apagar o alguém da sua vida e voltar a viver como se ele nunca tivesse limpado o cocô do seu gato ou engolido um fio do seu cabelo que caiu no prato dele. Impossível.

Quando vivemos um relacionamento a pessoa passa a ser parte da sua vida, você da dela e o mais pesado, vocês duas trocam um pedacinho de vocês mesmos entre si. Principalmente se você, assim como eu, se abre que é uma beleza. E do momento em que o relacionamento acaba de vez e você sabe que não tem volta, vem a consciência de que, sim, essa pessoa saiu da sua vida. Mas eu me pergunto: ela precisa mesmo sair da sua vida?

Há quem já tenha passado por mais de um término e diz  que sim, essa coisa de ser amigo de ex não funciona, mas também tem quem diz que é totalmente possível. Conheço quem continuou superamigo do ex mesmo depois de terminar um relacionamento e  isso é uma lição. Por que devemos somar e subtrair pessoas das nossas vidas? Da mesma forma que entraram podem permanecer, só que de outra forma.

É dificílimo crer que as pessoas realmente querem e conseguem conviver com o contraste bizarro que é o “tomo banho na sua casa” para “não quero nem saber se você está vivo”.

Essa coisa de se desconectar de alguém 100% para sempre é muito cruel. Prefiro pensar que cedo ou tarde todo mundo um dia vai se reconectar um furando a fila do pão na frente do outro.

 

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Discutir é uma arte
August 16, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Eu falei pra ele que se lembrar exatamente de como era ser adolescente nada tinha a ver com amadurecer ou não. Ele disse que sim, que quem ainda sabe como é se sentir um adolescente não amadureceu. “Então John Green e John Hughes são superimaturos, porque eles escreveram para adolescentes e sobre adolescentes de uma maneira que mostrou que eles nunca se esqueceram dos dramas da idade”, respondi.

“SIM, exatamente”

“Não” insisti. “John Hughes era maduro. Você vai me dizer que John Green chora porque não pode comprar um tênis? Claro que não! Eles só não se esqueceram da sensação de ser jovem… A vida adulta não os corrompeu”.

“Ou seja, eles não amadureceram.”

“Não… Veja bem, amadurecer…”

“Ok. Você está certa, você venceu.”

E assim ele encerrou a discussão que poderia salvar aquele encontro heteronormativo apenas para me fazer calar a boca porque ele não estava a fim de discutir. Porque, claro, ele era mais maduro que eu, então deixou eu ganhar a discussão. O problema é que não era uma questão de vencer, uma discussão é uma questão de trocar ideias e sair dela com dúvidas, resolvido ou quiçá com uma ideia diferente.

Isso é algo que vejo acontecendo frequentemente na minha vida. As pessoas acham que o fato de eu dissecar um assunto, perguntar o motivo de elas pensarem daquela maneira e tentarmos, juntos, desconstruir algo é uma briga. Não é uma briga, não é uma discussão. Eu não quero ganhar. É um debate, já ouviu falar? Supersaudável e legal.

Fico imaginando como deve ser uma conversa para essas pessoas que fogem do confronto e acham que respeitar a opinião alheia envolve não questionar:

“Gosto de filmes de heróis, mas não gosto de Batman o Cavaleiro das Trevas.”

“Não? Que estranho. Mas tudo bem, respeito sua opinião. Me dá a mãozinha e vamos ser felizes e saltitar olhando para o céu o passeio inteiro”.

No meu mundo, as coisas seriam:

“Não? Que estranho. Tem que ter alguma coisa no Batman o Cavaleiro das Trevas que você não gostou. Achou muito obscuro? Talvez você goste de piadas, tente ver mais filmes da Marvel, então. Mas se você olhar por um lado X talvez o filme fique melhor, o que você achou da trilha sonora? Da fotografia? …”

Olha que lindo – talvez nem tanto escrito porque parece um interrogatório, mas deu pra pegar a ideia geral, não deu?

Li agora no livro da Jout Jout um trecho que fala que “as pessoas querem alguém que fale o que elas já sabem”. Penso que não, porque nem sempre. Talvez as pessoas precisem de reafirmações, alguém que pense igual a elas para se sentirem seguras, mas isso não pode ser sempre. Que tipo de namoro ou amizade tediosa teríamos se pensássemos igual? Quando entraria a parte que mudaríamos de ideias, de opiniões? Nunca, se for desse jeito.

Virou frequente boys falarem que estou certa só para me fazerem calar a boca. Seja porque eles não têm argumentos ou porque acham perda de tempo ficar uma noite inteira conversando sobre o vagão rosa do metrô. Mas cansei. Hoje me rodeio de pessoas que apreciam um bom debate, uma boa discussão.

O desafio é fazer essas pessoas entenderam que não é porque quero fazê-las entender algo ou saber o motivo de ela achar certa coisa que estou brigando com elas.

A pergunta que eu e todo mundo temos que nos fazer é: vale a pena sair com quem acha isso chato? Óbvio que não. Se meus amigos ou meu possível boy não querem ouvir o que tenho para falar, acham besteira discutir ou – o pior  –  eles mesmos não tem o que falar…Beijos.

Vai rolar gritos? Sim, conversar é algo que envolve ego e exige muita aptidão para não se ofender com algo, não levar para o pessoal, saber discernir quando se trata realmente de opinião ou gosto pessoal e, principalmente, saber quando você não tem argumentos e está na hora de mudar de ideia ou estender a bandeira branca. Algumas cutucadas pessoais e irritabilidade também podem rolar, mas a discussão não vai acabar até me fazerem mudar de ideia, eu mudar a ideia de alguém ou chegarmos a concordar em discordar. Até lá quero distância de quem fala que estou certa achando que saiu por cima porque não “quer discutir isso comigo”.

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O precipício do flerte
July 27, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Minha parte preferida do flerte é quando se está na pontinha do precipício. Quando se sabe que vai ter que pular e a outra pessoa está do outro lado, em outra pedra, você só não sabe se ela quer tanto pular como você, mas percebe que ela está com um pé na frente do outro pronta para pegar impulso.

Exemplo é essa cena que se repete, vira e mexe,  na minha cabeça:
é uma festa, eu não sou amiga do dono da festa, mas conheço alguém que conhece o dono. Estou bem naquele dia, só quero rir com meus amigos e a festa está com aquele pó de pirlimpimpim no ar que agora são raros, não se encontra em qualquer baladinha, não.

Alguém me abandonou e estou parada, sem ficar pensando se tem alguém me olhando ou em fazer pose, só ali parada segurado meu copo vermelho de festa americana. E aí um grupo na minha frente se mexe, um pessoal sai e a pessoa surge no meu campo de visão, bem de frente pra mim e já olhando na minha direção como se soubesse que eu estaria ali. Eu olho para ela, ela sorri sem graça. A gente nunca ficou, mas a gente sabe também que se não for ali não vai ser mais.

Então eu  me melo de medo, fico parada porque nunca faço nada. E a pessoa vem até mim e puxa um papo ridículo e me dá calafrios só de me cumprimentar com um beijinho no rosto.

Mas a parte do beijinho não importa, ela é depois da melhor parte, o precipício. O precipício mesmo é o momento em que a gente – eu e a pessoa – se vê no mesmo lugar, solteiros, bêbados, nos divertindo a beça e com alguns passinhos nos separando.

A pessoa pode pular ou não, eu posso beber mais pra criar coragem e acabar perdendo a chance ou não. Mas o que importa é estarmos separados, esse momento no qual cada um ainda está no seu próprio precipício. Eu vivo para esses momentos porque depois deles é só queda.

 

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O mito da autossuficiência
July 19, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Reza a lenda que os autossuficientes ficam muito bem com eles mesmos, que não tem aplicativos de namoro nos celulares, saem sozinhos, veem filmes românticos no Netflix sem sentir carência. Reza a lenda que esses seres supremos não postam fotos no Facebook para mostrar a vida ótima que têm, não precisam da aprovação de ninguém. Se satisfazem apenas com amigos e, – meu Deus! – até mesmo sem amigos. Esses seres merecem ser estudados e claro, ovacionados por mim, que os admira tanto e espera chegar lá um dia também.

Nunca fui autossuficiente, se não estava procurando por um amorzinho estava chamando meus amigos para sair comigo porque nunca tive – e ainda não tenho – a coragem de sair sozinha por aí. No entanto, a autossufiência verdadeira que digo aqui é aquela que procuro: a de não querer querer alguém. Eu não quero querer alguém, mas não consigo. Sabe aquele sentimento de chegar em casa, ligar o Netflix e ver um filme sem um pingo de ressentimento e carência? Se sentar apenas com você e não pensar em ninguém sem se sentir um pouco sozinha sequer? Nunca tive.

Ok, para não mentir, tive momentos, frações de minutos, milésimos de segundos, um flash na verdade. O momento vem quando dou o primeiro gole de vinho branco, ligo Florence and The Machine bem alto, canto e penso “Nossa, estou sozinha e estou me divertindo!”, a plenitude me atinge por inteiro e quando  tomo consciência dela… puf! Se vai.

Conversei com algumas amigas sobre isso e elas me disseram que já tiveram essa fase, a fase de não só não querer querer alguém, mas realmente não querer alguém. Fiquei olhando atordoada para elas enquanto me diziam que realmente não queriam alguém. Não entendi e não entendo.

Minha jornada amorosa me fez crer que carência tem limite. Não dá para ficar com alguém que você não sente “a coisa”, ficar com alguém para suprir puramente a carência acaba sendo pior do que ficar sozinha. Já saí com caras que durante o encontro não parava de pensar que diabos estava fazendo ali enquanto poderia estar em casa bebendo e ouvindo Florence and the Machine. Isso é uma vitória, claro que é.

Com essa conclusão deixei de sair só por sair, sem sentir “ a coisa”. Acontece que ainda fico esperando conhecer um carinha e não quero isso. Quero poder sair sem procurar carinhas, quero só sair.

Assim sendo resolvi não procurar mais. Vitória numero 2! Mas ainda não é o suficiente, não procurar não é o suficiente para ser autossuficente. Para ser autossuficiente você precisa estar bem sozinha. E isso inclui amigos.

Amigos são uma coisa que realmente me deixa feliz. Seja fora de casa ou dentro dela, a vida fica mais colorida, com cheirinho de morango.  Saber disso me faz concluir que não sou carente só de amorzinhos, mas de pessoas. Preciso de companhia. Ou seja, há dois problemas aí.

Não conheci muitas pessoas que realmente são autossuficientes, elas são raras, na verdade não acredito nas que me dizem que são. Em sua maioria, se  não tem amigos na vida real, nem companheiros, elas apelam para as redes sociais, precisam dos likes, das fotos mostrando como a vida delas é, alguém precisa vê-las. Ou seja, é a falsa autossuficência. Isso me faz crer  que essas pessoas não existem. Você não é autossuficiente, você está. Se trata apenas de uma fase, muito curta, pra dizer a verdade. As pessoas que a alcançam acabam caindo nas graças de outras pessoas – amigos ou não – cedo ou tarde.

O dicionário informal diz que Autossuficiência “refere-se ao estado de não necessitar de qualquer ajuda, apoio ou interação de outros, para sobreviver. É por isso um tipo de autonomia”. Vamos concordar que se trata de uma utopia.

No momento tento atingir um estado autossuficente, porque eu sei que não serei para sempre e sei também que a gente precisa passar por esse estado cedo ou tarde,  querendo ou não.

 

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Mistress America
July 08, 2016 - Tags: Arte, Cinema

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Não conheço a obra completa de Noah Baumbach, mas ele sabe falar sobre ser jovem. Prova disso são seus dois filmes Frances HA e Mistress America, ambos roteirizados por ele e por sua fofíssima esposa Greta Gerwig.

Para quem já viu o sensível  Frances HA, é bom saber que Mistress America tenta seguir por essa linha, mas tem uma pegada diferente. O filme de 2015, de roteiro original, é protagonizado por Tracy, uma adolescente  que acabou de se mudar para Nova York e entrar na faculdade. Como quase qualquer aspirante a escritora Tracy é introspectiva e tem dificuldades em fazer amigos. Quando comenta isso para sua mãe ela sugere que a filha saia com sua futura meia irmã, filha do seu futuro padastro, Brooke (Greta Gerwig). As futuras irmãs se conectam imediatamente e Tracy se encanta pela desenvoltura de Brooke e sua vida “cool”.

Brooke nos é apresentada sem delongas, em apenas uma noite com a irmã mais nova a personagem se mostra festeira, independente, moderna e tem todas as qualidades que faz qualquer garota de 18 anos faminta pelo mundo se apaixonar e idolatrar.

A fórmula é a mesma de Frances HA; uma adulta que, apesar da idade, não tem sua shit together, ou seja, tem a vida bagunçada assim como quando tinha aos vinte anos. Brooke é uma personagem distante, ela é tanta coisa que acaba sendo nada. A atuação de Greta Gerwig está distante do que ela fez com a queridinha Frances Halliday, em Frances HA. Aqui, a vontade que dá é de sentar com ela e pedir que fale mais dela mesma, porque não dá para conhece-la, o que é estranho já que tudo o que o filme faz é nos mostrar quem é Brooke. Isso me leva a crer que talvez a personagem seja uma metáfora, um conceito sobre essa geração de 30 tão perdida quanto a de 15.

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Mistress America junta as peças na última cena, quando a protagonista Tracy conclui que não há mais lugar para pessoas como Brooke no mundo, que rezam para estar do outro lado (composto de uma vida chata, casamento e filhos) mas não conseguem. Brooke era muito mais que isso e por mais que quisesse jamais estaria do outro lado. Ela representa aquela pessoa que dá esperanças para outras mais jovens, aquelas que sonham em viver fora do check list de faculdade e emprego em um escritório. Mas mesmo fora desse check list Brooke teria uma vida solitária porque assim é a vida de quem tem a missão de ser a esperança.

O ruim do filme foi romantizar o  problema dessa geração, que é nunca fazer nada ou fazer tudo e estar perdida ao mesmo tempo. Não se trata de um problema tão sério e preocupante, mas Mistress America faz parecer que tudo bem você seguir a vida pulando de galho em galho, afinal, a vida é mais que uma carreira profissional. Se isso é bom ou ruim, você que decide.

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A mensagem clara que encerra o filme é fofa, apesar de meio clichê: o que Brooke fez com Tracy foi incentivá-la a ir por ela mesma, sem depender desesperadamente de grupos que a aceitem. No entanto, os diálogos apenas oks e o carisma de Greta não foram  suficientes para fazer do filme ótimo, as piadas no entanto se tornaram uma surpresa, então se quiser ver algo light mas não vazio e dar uma risadinhas, Mistress America é o seu filme.

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‘Como Eu Era Antes de Você’ me fez querer mais
June 27, 2016 - Tags: Cinema, Era para ser uma crônica

como eu era antes de voce

Acabo de voltar de uma sessão de Como Eu era Antes de Você com certo remorso por não derramar nenhuma lágrima sequer  e pelas garotas do meu lado terem chorado por elas e por mim. É com um pesar que hoje percebo que entendo as pessoas que torcem o nariz para filmes hollywoodianos de massa. Mas, veja bem, isso não quer dizer que não vou continuar gostando de Bridget Jones ou Deadpool , mas sim que existem grandes chances de  continuar saindo com a cara enrugada de uma sessão de filme mal feito, desses feitos sem um pingo de profundidade só para vender. Mas antes vamos ao que se trata: o filme citado.

Como Eu era Antes de Você é a adaptação cinematográfica do livro homônimo roteirizado pela própria autora (Jojo Moyes), que conta a história de Louise, uma garota de 26 anos que precisa ajudar os pais financeiramente e que aceita trabalhar como cuidadora do rico Will, homem de 31 anos que sofreu um acidente há 2 anos e ficou tetraplégico. A partir daí o filme fica  uma mistura de A Bela e a Fera com Tudo por Amor (aquele clássico da Sessão da Tarde no qual Julia Roberts cuida de um rapaz com câncer e acaba se apaixonando por ele).

Louise é energética, sorridente, animada e assim como se veste como uma criança de 7 anos age dessa forma, fazendo tudo com a excitação e bom humor de uma garotinha. Já Will é mau humorado, odeia conversar e no início trata Louise muito mal. Já podemos esperar então o rapaz deficiente se abrindo aos poucos com Louise e ambos mudarem um ao outro, um romance surge e, claro, tem que vir lágrimas no final. Acontece que as lágrimas não vieram pra mim.

Apesar do carisma de Emilia Clarke (Louise), a personagem não convence tão bem e os personagens do filme tem que dizer mais de uma vez que Will está sofrendo tanto ao ponto de considerar uma eutanásia. Eles precisam repetir isso tantas vezes para ver se o público acredita porque  Sam Claflin (Will) transparece muitas coisas ao interpretar o tetraplégico, mas nenhuma delas  é sofrimento. Dor, rancor e tristeza são coisas que o ator parece não ter aprendido a interpretar nas aulas de teatro. Pena.

E então os dois de apaixonam e o trágico final encerra o filme, quase implorando para chorarmos  é tudo tão superficial e previsível que flashes de sono passaram por mim o tempo todo, até fiz trança no cabelo!

Veja bem, gosto de romances e gosto de filmes hollywoodianos, mas Como Eu era Antes de Você veio para provar que não consigo engolir mais qualquer coisa.

Sempre tive raivinha daquelas pessoas que falavam mal de Harry Potter, livros da Marian Keys e uma caralhada de livros que foram feitos para públicos que não tem o hábito de ler. Eu penso que nem tudo precisa ser rebuscado e complexo para ser bom e ainda acho isso, o problema é que quando você já leu tantos livros e viu filmes com o mesmo final e a mesma trama passa a se entendiar e um belo dia você está vendo Donnie Darko por diversão e, o pior de tudo, entendendo! (a fase do entender não cheguei ainda).

Não acho que se trata de arrogância, mas sim de simplesmente passar a querer mais do que esses filmes oferecem. 

Ainda acredito que livros e filmes assim são importantes, afinal, são uma porta para filmes e livros mais “complexos”. Ninguém começa lendo com Kafka, eu por exemplo comecei por Meg Cabot e não me envergonho disso, acontece que não quero pagar por um livro nem por uma sessão de cinema e sair de lá sem sentir nada, como se não tivesse aprendido nada, com minha mente exatamente como era antes de eu ter lido ou assistido aquilo e a história daqueles personagens simplesmente se desvanecerem até eu dormir e esquecer.

 

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