Tame Impala
June 19, 2016 - Tags: Arte, Música

 

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Vamos falar de Tame Impala? Vamos!

Misture Michael Jackson com The Beatles e John Lennon e se tem Tame Impala. Será que poderia parar por aí? Não né.(#brisei)

Dia desses eu estava assistindo o show deles no Lollapalooza Brasil e comentei para minha irmã que o som deles preenche o cérebro inteiro.

Como assim?, ela perguntou. E eu respondi;

Bom, quando escutamos uma música ela fica se passando em um canto da nossa cabeça, dá para fazer outras coisas, ler um livro, pensar no crush, devanear…mas não com o Tame Impala. Alguma coisa ali preenche sua cabeça de uma maneira total e completa que te deixa em transe. Não dá para sair do ciclo colorido até a faixa acabar. Seria a melodia? O arranjo? O exagero de sintetizadores e efeitos na voz? O deslizamento que a música provoca no seu corpo? Ainda estou tentando descobrir, mas não dá para fazer isso enquanto estou zumbi ouvindo a voz falsete do Kevin Parker cantar Let it Happen.

É isso que o a banda faz com você. E o pior, com um fortíssimo apelo pop.

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Antes de mais nada, Tame Impala não é uma banda de rock n’ roll. Por que? Primeiro porque, nas palavras do dono da coisa toda, eles não são uma banda e não tocam rock n’ roll ( a segunda justificativa já é manjada). Tudo começou lá em 1999 quando o australiano Kevin Parker (vocalista, compositor e guitarrista) e o baixista  Dominic Simper começaram a compor, mas o projeto só foi batizado oficialmente  em 2007  e o 1º álbum lançado em 2009. Sem delongas Innerspeaker estourou pela pegada rock anos 60 . A 1ª faixa, It Is Not Meant to Be conquista logo de cara com Kevin falando sobre sua ex-namorada e como “não era para ser”. Fofa e triste.

Em 2012 chegou o segundo disco, Lonerism, com hits grandes como Feels like we only go backwards (plágio ou não? Você decide).

Já em 2014 a banda lançou seu disco mais pop até então, Currents, causando amorzinho em fãs e raiva em outros. Kevin Parker chegou a comentar que não deveria haver culpa alguma em gostar de pop. E, de fato, não há problema nenhum desde que seja feito algo original e saia da fórmula barata. E é o que o Tame Impala fez em Currents.

Tame Impala é feito para perder o controle e sabe-se lá porque você fica escutando a mesma batida repetidamente junto com uma guitarra crua … Só sabe-se que é bom.É bom demais.

Oh, meu Deus! E por onde eu começo se quero conhecer a banda? Calma aí e ouve meu Top 5:

 

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A vergonha por usar apps de namoro
June 13, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Vejo  muita gente que ainda acha que aplicativos e sites de namoro são motivos de vergonha. E quando digo muita, é mesmo muita. O problema não é só que essas pessoas acham que quem usa esses recursos tem que usar escondido da sociedade ( passar o menu de homens que é o Tinder enquanto está no metrô? Nem pensar!),o problema é que essas pessoas acham que esses recursos são coisas de gente desesperada.

Antes de mais nada, o que será essa gente desesperada?  Pessoas que querem encontrar alguém para namorar, casar, dar uns beijos, fazer um sexo casual? Isso é ser desesperado? Bom, na visão desse pessoal aí de cima é. Talvez porque para elas você deve permanecer sentado na sua casa, frequentar barzinhos ( balada jamais porque também é lugar de gente desesperada) e esperar que Deus lhe envie alguém que vá te proporcionar exatamente o que você quer no momento.

Já perdi a conta da quantidade de risinhos que recebi de amigos por ter meia dúzia de aplicativos e sites de namoro no celular, como se , para eles, eu estivesse correndo por aí, desesperada para  casar com qualquer um que me desse atenção. O ponto é que é justamente ao contrário, eu não quero qualquer um, e por isso devo ir a procura  mesmo, um por um, pra achar aquela pessoa que vai me dar o que eu quero no  momento.

Dia desses um amigo meu veio me dizer: “Não gosto de encontros. Só saio com a menina se for algo garantido, do contrário, prefiro que seja natural”. Mas é claro que todo mundo prefere que seja natural! Ou você acha que eu também não preferiria que minha vida fosse um romance da Jane Austen onde chega um amigo do meu primo de quarto grau, ou um novo vizinho e voalá ele é tudo o que eu sempre sonhei? Claro que sim. Só que a vida real não funciona assim não é, mesmo, fofo?

Voltando para meus coleguinhas que insistem em me olhar torto ou me julgar por ter um  encontro diferente a cada semana (isso é exagero, tá?), eu respondo: colega, e onde você espera que eu conheça pessoas?

Sempre ouço  histórias da minha mãe em sua juventude, lá nos anos 70, quando a turma do bairro dava um bailinho por semana e era assim que as pessoas se conheciam, mas hoje, bem, hoje não tem mais bailinho. Tem os clubes, no entanto.

Discordo de quem diz que clube é lugar de gente escrota. Eu não sou escrota e eu estou lá, aliás adoro estar lá. O número de pessoas inteligentes que conheci em balada ultrapassa o número de gente que conheci, sei lá,  dessa tal “forma natural”.

Eu digo, sem vergonha nenhuma, que meu primeiro namorado conheci no Orkut e meu 2º conheci pelo OK Cupid. Qual o problema nisso? Devo ser classificada como uma carente incurável que se apaixona pelo primeiro ser humano só porque não esbarrei nos meus namorados na rua e os conheci “de forma natural” ?

Duas pessoas que querem conhecer uma a outra e marcam de sair e papear não é natural?

Todo mundo está procurando por alguém. Todo mundo é humano e quer ser amado, não é assim que disse o Morrissey? Qual a vergonha em utilizar de mais um benefício que a tecnologia nos proporciona para encontrar uma pessoinha legalzinha pra bater um papinho e tomar uma cervejinha? Nenhuma.

Então eu digo, coleguinhas, parem de sentir vergonha por usar o Happen. Abram a vontade o app no meio da multidão e folheiem enquanto se está em público sim sem vergonha na cara, porque é isso que todo mundo faz na rua, nas festas, na faculdade… a diferença é só que eles não tem coragem de assumir.  E quando você achar um amorzinho, responda de peito aberto à pergunta “onde vocês se conheceram?”: Nos conhecemos no Badoo. <3

Quer algo mais romântico que isso?

 

 

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Tá todo mundo mal – Jout Jout
June 08, 2016 - Tags: Arte, Livros

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Ler Tá todo mundo mal é igual assistir Jout Jout no Youtube, nos sentimos em uma conversa de bar onde ela fala, ali de boa, sobre suas neuras e rimos pois nos sentimos exatamente igual.

Para quem não conhece, Jout Jout é uma youtuber de  25 anos que acaba de lançar seu primeiro livro onda  fala sobre ela mesma, mas não de uma maneira egocêntrica, aqui, Júlia desabafa sobre pequenas crises que podem acontecer com todo mundo ao longo da vida.

Os textos/crônicas que Jout Jout escolhe contar para os leitores são simplesmente sobre a vida, o universo e tudo o mais, basicamente o que ela já fala em seus vídeos.

O que constatei assim que li a 1ª crônica chamada  “A crise da puberdade injusta”, foi que não é nada demais, mas não pelo lado negativo da coisa. Sim, não é nada demais porque a escrita de Jout Jout é leve e fácil de ler, mas o ponto positivo é que ela consegue fazer crônicas que cumprem exatamente a proposta, textos que são como uma conversa na praça sobre qualquer assunto.

Mas o que será que faz o livro, assim como os vídeos de  Jout Jout tão famosos? Bom, todos sentem e pensam as mesmas coisas que ela, mas Jout Jout faz e fala sobre sem pudor o que a faz ser a voz de uma geração. Aquela geração perdida, frequentadora de terapia, amedrontada por críticas e que luta contra  um emprego convencional e infeliz.

O grande diferencial aqui é que, ao contrário de Martha Medeiros ou Tati Bernardi, Jout Jout fala para uma geração mais nova que precisa mais do que tudo saber que tá mesmo todo mundo mal mas isso não nos faz anormal.

 

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Filmes musicais
June 02, 2016 - Tags: Arte, Cinema

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Quem gosta de música e cinema sabe como é uma delícia ver um filme musical. E por musical  não quero dizer do tipo Grease ou Hair Spray, mas sim filmes que falam sobre música, têm uma trilha sonora boa e falam sobre composição, instrumentos e a magia da música.

Pensando nisso, separei  uma lista de filmes para apaixonados por música, que se não vão te fazer sair para montar uma banda, irão, no mínimo, te fazer ouvir música no talo ou partir para uma festa.

Os piratas do rock

A trama gira em torno do protagonista Carl – lindo e bobo – que quer conhecer o seu pai e a única pista que sua mãe dá é que ele mora em um barco. É um radialista pirata de rock. O filme se passa nos anos 60 na tradicional Inglaterra, década em que o rock ainda era mal visto. Além da rádio ser feita de rock and roll 24 horas por dia, cada locutor tem uma personalidade muito particular e toca, obviamente, seu estilo de música favorito. Além das piadas mixarem rock com verdadeiros costumes piratas, ver os protagonistas se entregando a cada música é divertidíssimo.

Detroit Rock City

Em 1978 quatro amigos adolescentes fanáticos por KISS fogem da escola e partem para Detroit, a cidade do rock, só para curtir um show da banda. Piadas gratuitas e coisas nojentas que só adolescentes roqueiros conseguem fazer e falar (ou pelo menos os de filmes), transbordam no filme. A trilha sonora, além de muito KISS, é cheia de rock clássico farofa. Ótimo para ver com os amiguinhos comendo pizza e uma cerveja.

Mesmo se nada der certo

Gretta namora um cantor e compositor há muitos anos, até que ele consegue um contrato com uma gravadora e ambos se mudam da Inglaterra para os EUA. Quando o boy fica famoso, acaba a deixando e, sem mais nada a perder na vida, a moça resolve mostrar timidamente suas composições para Nova York, é assim que conhece o produtor Dan. Falido e sem fechar contrato com nenhum cantor bom há anos, ele vê muito potencial em Gretta e se encanta com seu talento e musicas sensíveis. É um filme docinho que vai te conquistar na 1ª cena.

Empire Records

Com um climão grunge típico de 95 (e as musas da década, Liv Tyler, Renee Zellweger e Robin Tunney no elenco), o filme se passa em um dia de trabalho na loja de disco Empire Records, quando seus jovens vendedores descobrem que a loja vai ser comprada por uma rede sem graça e eles, junto com o gerente charmosão, vão tentar impedir. Ao longo do dia de trabalho, cada um deles vão resolvendo seus conflitos, como Corey que quer deixar de ser a menina certinha, Debra que tentou se suicidar no dia anterior, A.J que quer se declarar para Corey…Enquanto isso muita música delícia na soundtrack que vai de AC/DC a The Cranberries.

Nick e Nora – Uma noite de amor e música

Dois apaixonados por música Nick (Michael Cera) e Nora (Kat Dennings) se conhecem em uma noite novaiorquina enquanto buscam- com seus respectivos amigos – por um show secreto de uma banda indie que gostam ( se não é o primeiro encontro perfeito eu não sei o que é). Enquanto partem na busca ao tesouro, o mais novo casal de amigos aproveita para curtir a night e… aprontar muita confusão (piadinha).

Quase Famosos

Apesar do título ser sobre uma banda que está quase alcançando o auge em pleno anos 70, o protagonista é o jovem jornalista William. Apaixonado por música desde criança, William foi criado por uma mãe rígida e protetora, mas que mesmo assim deixa o filho partir em uma turnê com uma banda para escrever uma matéria para a revista Rolling Stone. O que ele não esperava era se apaixonar por uma das groupies da banda e se perder em meio a bagunça que é o mundo do rock. Filme obrigatório para quem ama música e principalmente  rock. Assista! <3 É AMOR!

Alta Fidelidade

Não tem como deixar de falar de música sem citar o fanático por música e vinys, Rob Gordon, personagem principal da adaptação do livro homônimo de Nick Horby para o cinema. Rob é dono de uma loja de vinys à beira da falência que acaba de levar o pé na bunda da sua namorada. O acontecimento serve para ele dissecar cada um de seus relacionamentos anteriores, enquanto conversa com o telespectador sobre música e como ela é importante para se avaliar alguém. Com um humor sarcástico, o filme discorre sobre relacionamentos e músicas junto com uma lista de referências da música “pop”. Impossível não gostar.

Apenas Uma Vez

Apesar de lindo e poético, não recomendo  para ser visto em domingos nublados e sozinha em casa. O filme irlandês conta a história de um músico de rua que tem vergonha das suas próprias canções. Um dia ele conhece uma jovem carismática e encantadora mãe solteira que trabalha vendendo flores na rua. Ela gosta das músicas dele e logo ambos se aproximam e se encantam um pelo talento musical do outro. O romance melancólico se desenvolve enquanto ambos se conectam por meio da química musical. O interessante desse filme é que os atores realmente cantam ( fizeram até turnê em conjunto tocando as músicas do filme), então nada de playback ou falsidade. Realmente um amor.

Adorável Professor

Baseado em fatos reais, Adorável Professor é a biografia do professor de música Mr. Holland’s, um compositor de música clássica frustrado que é obrigado a dar aula de música no ensino médio para manter ele e sua esposa. Assim como qualquer aspirante a artista, Mr. Holland’s tenta conciliar as aulas com seus alunos sem talento com a composição, mas fica tudo mais difícil quando a esposa engravida. Conformado com o papel de professor, ele se envolve cada vez mais nas suas aulas ao longo dos anos  60 e 80 e acaba tocando cada aluno de uma forma diferente por meio da música. Prepare os lencinhos. Sério.

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Gente de esquerda hipoteticamente falando
May 21, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

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Gente de esquerda pra mim é gente que bebe na calçada, é gostar de fazer nada pelo prazer de fazer nada, é lutar por aqueles que não conhecem e pela melhora de uma vida e realidade que, nem sempre, se viveu.

Gente de esquerda pra mim é ser anti elitista, chorar em filme, ler livros de história mas também gostar de Harry Potter. É abraçar os amigos e fazer mais amigos só pela benção que é fazer amigos. É não julgar pelas primeiras impressões e, se julgar, depois assumir. “Julguei. Errei. Caguei”.

Gente de esquerda é ator, é músico, é pintor, é das artes, é do amor ( ou tenta ser, ninguém é perfeito), é mochileiro, é da natureza, é da balada cheia e feia mas que toca música boa.

Gente de esquerda pra mim é feminista, luta contra a homofobia mesmo sendo hétero, contra o racismo sem ser negro, fica triste quando tem algum pensamento escroto e depois sente um prazer inexplicável o desconstruindo pra construir um novo e depois desconstruir de novo. Se policia sobre o que pensar, se questiona todos os dias sobre o porquê de pensar do jeito que pensa. Quando acha que encontrou uma teoria, uma resposta, uma maneira de se tornar melhor, vai lá e muda, porque estava tudo errado.

Gente de esquerda é chinelo de dedo, é roda de violão na praia, é viagem pra São Thomé, é sorriso brisado, é amor ao próximo, é ser pensante. Gente que desliza sempre, mas que assume o deslize e, quando dá, está pronto para sambar de novo e tentar trazer os bolsominions para o lado bom da força.

Obs: Esse texto é apenas minha percepção real, baseada em vivências mundanas, sobre gente CONSIDERADA de esquerda. 

(leu o CONSIDERADA, né?)

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Devaneios sobre a loucura
May 11, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Tenho vergonha de gostar daquele quadrinho da Maitena Burundarena, mas é mais provável que seja um certo receio por me identificar do que vergonha de fato. Sou alterada como todas aquelas mulheres desenhadas ali, mas não chego a ser maluca como elas, senão não seria maluca, uma vez que quase todas as mulheres se identificam com os quadrinhos. Se quase todas se identificam, inclusive eu, o que significa? Que somos todas alteradas e malucas ou eu sou só normal?

Já diria o título daquele filme oitentista: De Médico e Louco Todo Mundo Tem um Pouco, e acredito que todo mundo tenha mesmo, como o Coringa disse no final daquele outro filme, a loucura é como a gravidade, tudo o que precisamos é de um empurrão. Não creio ser saudável usar a frase de um personagem como o Coringa para justificar uma teoria, mas há outra maneira de falar da loucura sem citar os loucos? Kerouac, por exemplo, ama os loucos, principalmente os que queimam, queimam, queimam como fogos de artifício.

Na vida tive a chance de ver muitos malucos na rua. Mendigos gritando com veemência para o nada e sempre quando reparava no olhar deles notava que estavam muito focados. Loucura é eu pensar que deveria mesmo haver alguma coisa ali? Afinal, ninguém poderia olhar para o nada com tanta fixação assim.

Penso que gente mais velha é tudo maluca, mas não porque perderam o controle das suas ações ou estão gritando com veemência para o nada, mas sim porque já possuem todo o controle. Sendo assim, parto da ideia de que quanto mais velhos ficamos, menos ligamos para o que os outros vão pensar e menos fazemos o que os outros esperam que a gente faça. Por isso os idosos podem parecer mais rabugentos, eles não têm que provar mais nada pra ninguém, agradar todos ou ser gentil com quem, nem de longe, merece.

Será o louco aquele que vê tanto em tanta coisa que se cansa de dissecar os detalhes só na cabeça e precisa falar e fazer? Acho que falar é como uma dança: começamos aos tropeços, recatados, pegamos o compasso e depois disso, é puro improviso. Acontece que só os loucos conseguem improvisar dentro do compasso. Mas para improvisar dentro do compasso não precisa ser maluco, precisa? Afinal, ainda se está seguindo o um-dois, um-dois-três. Maluco mesmo é o que nem o compasso usa.

Não falo muito, guardo tudo. Seria isso, finalmente, o que causa a loucura, especialmente a minha (se ela existir)? Guardamos as coisas até não caber mais e explodirmos em milhões de pedaços tão pequenos que se torna impossível de unir de novo?

Acho que posso dizer, não de maneira conclusiva e definitiva porque nada na vida é (principalmente quando o assunto é maluquice), que o louco mesmo, seja eu um ou não, é aquele que não deixa a bizarrice própria fluir. E não fluir da boca para fora (como os velhinhos ou o mendigo), mas sim pela própria mente. Alguém precisa avisar para essas pessoas que repreender pensamento não é bom. Do contrário se explode e não se junta mais. E o problema é que essa explosão não seria a mesma do Kerouac, mas sim uma outra não muito boa, que ao invés de expandir, comprime, comprime, comprime até você desaparecer.

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Paz e Pedras
April 28, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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A primeira coisa a ser feita quando se chega nessa cidade é entrar em uma loja de artesanato, e é justamente na hora de ser atendida que toda a essência do lugar se resume. O dono da loja aparece de barba branca e cabelo desgrenhado, anda com os pés metidos no chinelo de couro e sujos de terra vermelha, sorri tranquilo. É assim que se percebe que a cidade é habitada por pessoas como ele, que optaram por morar ali porque em qualquer outro lugar seria enfrentar um stress desnecessário.

Aqui a mensagem é clara, não ande de salto alto nem corra, do contrário pode se estatelar no chão. Isso porque o asfalto não é asfalto, mas sim grandes blocos de pedras que foram socados na terra em níveis diferentes, com a capacidade de fazer qualquer um torcer o tornozelo. Então calce suas sandálias com fivelas e ande devagar.

Ao contrário de muitas cidades turísticas, as construções não chamam atenção nem são bonitas. Se olhar superficialmente não passam de casas de pedra, mas tudo bem, pois a beleza do lugar não fica exposta. O truque é encontra-la nas ações, nos passeios, nas árvores e montanhas que se pode ver de camarote ao atingir o topo do Cruzeiro, lugar mais alto da cidade que se assemelha a uma escadaria de pedra branca com uma cruz feiosa na extremidade, mas que dá para uma vista verde de fazer chorar.

O astro da cidade se chama Ventania, cantor cujas músicas fazem apologia às ervas mas também a vida tranquila. O cinquentão descolado e hippongo recebe os fãs na porta de casa mesmo, dá autógrafos e convida todos para seu show à noite.

Depois de comprar um colar com a pedra do meu signo e um chapéu pontudo é hora de curtir as grutas. As opções são tantas que todo mundo passa rápido por elas com medo de não dar tempo.

Sigo de carro por um caminho de terra, a poeira que sobe faz minha rinite atacar, mas logo passa quando adentro a Gruta do Sobradinho, que causa o estranho desejo de não querer mais sair de lá, permanecer debaixo da terra e esquecer a selva de pedra. Agora a única pedra que compensa pensar é aquela que eu já me preparo mentalmente para subir e pular na água gelada.

Antes mesmo de chegar na cachoeira, o barulho da água corrente ecoa pelas árvores e ansiosos apertam o passo para chegarem logo. Faço o mesmo pois também quero banhar o corpo no Véu na Noiva e renovar as energias. Não importa se não faz tanto calor e a água atinge os ossos com violência. Nada anula o prazer de nadar em águas tão limpas. Dá medo de se afogar ou cortar o pé nas pedrinhas que parecem azulejos quebrados debaixo d’agua, mas é inevitável deixar de nadar mais fundo.

Passear pela cidade quando o sol se foi é obrigatório para notar que as estrelas ainda existem. As bandas dos bares no centrinho repetem o mesmo set list e chega uma hora que fica incômodo. A opção é usar a força para ir até a Pirâmide. Morro de medo de escorregar e quando chego ao topo da casa de pedra olho para cima. O breu profundo provoca um frio na barriga e a consciência de que, mesmo quando não a enxergamos, a natureza é perfeita.

Se Minas Gerais fosse uma pessoa que trabalhou a vida inteira em uma metrópole, São Thomé das Letras seria sua aposentadoria. O momento de deitar na rede e dormir de olhos abertos. Que delícia.

 

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Matando meu Hutt
April 21, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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Deixar  de interpretar a vítima do filme exige uma força que  não tive por minha vida inteira. Pode parecer o contrário, mas quem faz sabe que ser a vítima exige muito menos, é mais fácil, mais confortável, mais seguro, menos cansativo e dói como um tapa na boca.

Não lembro direito quando foi que resolvi aderir esse papel, mas acho que foi na pré-adolescência, quando ia para a locadora na sexta-feira a noite e alugava ao menos dois filmes de comédia romântica ( preferencialmente adolescentes) e passava o final de semana inteiro assistindo. O que eu aprendi  com esses filmes não foi apenas que há um final feliz, mas sim que há um final feliz depois de muito sofrimento da protagonista, sem ela necessariamente levantar um dedo, como um presente da vida. Era como o universo dizendo “Você já sofreu muito bullying, teve o coração partido muitas vezes, abaixou a cabeça a vida inteira. Agora tome aqui o amor da sua vida, uma bolsa na melhor faculdade e uma autoconfiança que crescerá em você  em um passe de mágica”.

O resultado disso tudo, foi que  aprendi que sofrendo muito, sendo boazinha, não correndo atrás dos meus objetivos e fazendo um  ótimo papel chegando em casa e chorar até dormir, eventualmente a vida teria pena de mim o suficiente e me daria tudo o que eu sempre quis. Infelizmente não acontece assim.

Ser vitimista inclui, além de ter uma auto-estima péssima, você se sentir que não merece o que realmente quer, e quando está pertíssimo de conseguir (como beijar o seu primeiro amor ou estar na última fase de entrevista daquela revista onde sempre quis trabalhar), vem a famosa auto-sabotagem. Inclui também você se sentir a protagonista da sua vida, mas aquela protagonista que nunca consegue sair da fase ruim do começo do filme. A fase onde a garota está feia, perdida, desempregada, sem chão.

Abraçar o vitimismo é cair em uma areia movediça e se afundar aos poucos sem perceber, até que a areia chega no pescoço e você percebe que ou cria forças para não se afogar de vez e sair dali, ou morre.

Hoje, aos  vinte e cinco, percebi que a areia não demorou para chegar no pescoço. E vi que  se esconder, se deixar sofrer e, o pior de tudo, correr atrás do sofrimento certeiro, não me levará a lugar nenhum.  Parece óbvio para quem não entende o que é assumir o papel de vítima.

É muito mais dolorido acreditar que não consegui um emprego porque não sou boa do que pelo fato de tudo estar contra mim? É claro que é! É muito mais duro acreditar que não atraio as pessoas porque sou carrancuda do que achar que é porque nenhuma daquelas pessoas me entende? Sem dúvida! Só de escrever isso já me aperta a garganta e um ataque de pânico começa a chegar de mansinho.

Acredito que todas as Leias precisam matar o seu Jabba. Se eu não gosto de como minha vida está e como sou agora, não tenho que me enforcar, tenho que enforcar o meu Hutt. Aquilo que me impede de jogar a mantinha das lágrimas e o pote de sorvete no chão e ir andar de bicicleta.

Não haverá um plotter twist, momento Rocky Balboa, vídeo clipe de Marry The Night. Pode ser que venha a ser uma luta pela vida inteira, e haverá perdas. Mas é aqui que enforco meu monstro, meu  Jabba, meu (ex-) vitimismo.

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Sempre tem
March 29, 2016 - Tags: Devaneios, Textos

Sempre tem aquela pessoa que você vai responder as mensagens super animada. Oi! Tudo ótimo! E você? Diga!! E ela vai responder blasé e pedir alguma coisa e você vai dar, porque quando ela pede você sempre dá.

Desesperada para parecer interessante, para captar sua atenção você vai vomitar mensagens idiotas e piadas sem graça e a pessoa vai sumir, sem cerimônias. Bem assim, quando você faz uma pergunta, sem medo nem escrúpulos de te deixar no vácuo. Até ela voltar e  você responder as mensagens super animada . Oi! Tudo ótimo! E você? Diga!! E você vai dar, porque quando ela pede você sempre dá. Sempre.

O intervalo aumenta conforme a frequência das mensagens diminuem. E não há curtidas em posts que alimentem suas expectativas mais. Até que, por fim, a pessoa, assim como seu perfil, começa a virar um fragmento muito pequeno da sua vida e você começa a rir de como a pessoa está enfeiando.

Dizem que a vida é uma montanha russa. Uma hora se está por baixo, mas eventualmente acabamos ficamos no topo também, um ciclo. A pessoa teve seu topo e agora está descendo. E você está aqui esperando ansiosamente sua vez de ficar deslumbrante e lançar um best seller.

 

 

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O Carnaval dos 25
February 25, 2016 - Tags: Era para ser uma crônica, Textos

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A ressaca é evidente. Me lembro quando ia para as festas com treze anos e no dia seguinte, apesar do sono, meu corpo ainda parecia ter sangue pulsando. Hoje  me sinto  morta. Tem  um elefante em cima de mim. Surgiu até uma tendinite esquisita no meu pulso, devo ter dormido em uma posição bizarra, toda torta, babando feito uma velha que bebeu muito vinho no casamento da sobrinha.

Esses são meus 25 agora. Eu acordo na minha própria cama em uma quarta-feira de cinzas, depois de, pela primeira vez na vida, ter saído de casa com o objetivo de curtir o Carnaval.  Nunca fui do samba nem da zona, mas desde criaça sou obscecada por festas e tradições. E a experiência que eu gostaria de ter quando criança, no que se refere ao Carnaval, era sair na rua com os bloquinhos tocando Chiquinha Gonzaga, pessoas dançando frevo, eu com um lindo vestidinho pintado com as cores do arco-iris e alguém jogando confete e glitter na minha frente estrategicamente.

Tudo parecendo uma cena difícil de se concretizar, resolvi abandonar o Carnaval de vez antes mesmo de tentar. Virei dessas pessoas que comemoram o feriado pela folga no trabalho chato ou por ter quatro dias descansando e poder ver todos os filmes possíveis, adiantar a leitura, dormir. Dormir. Doooormir. Então, nesse ano, fiz a piadinha pronta de que faria parte do Bloco Netflix e na sexta-feira  comecei bem: muito filme, muita pizza e Coca (porque não podia beber álcool, devido aos antibióticos que comecei a tomar).

Só que aí o coração partido voltou a choramingar, e não tem nada mais poderoso do que um coração partido. Além do fato da terça-feira de Carnaval ser meu último dia como uma pessoa de 24 anos, eu que não ia ficar em casa vendo Hora de Aventura enquanto ele fazia cafuné nela. Por favor, ainda me resta um pouco de amor próprio!

Então, meus amigos, que são a minha família, e minha família – que por muita sorte também são meus amigos – , se puseram a vencer o calor e a preguiça e partimos rumo a uma folia tardia.

Um carro com seres humanos masculinos parou para encher o saco, na esquerda rolava o bloco folia –  resolvi chamá-lo assim porque tocava um frevinho clássico, o mesmo que eu imaginava quando criança- . Nas ladeirinhas eu vi a multidão dançar a cantar e todo mundo muito bem comportado e bonito e uma energia muito gostosa.

É. OK. Eu estava errada sobre você, Carnaval.

Enquanto o sol se punha naquela praça feiosa da Vila Madalena, olhava estupefata para a beleza de passar meu último dia com 24 daquele jeito. Abdiquei o antibiótico pela Catuába, pro inferno com a dor da cirurgia! Troquei a dor da rejeição por um lindo alto barbudo com cabelo cacheado que beijava tão babado quanto doce. Abdiquei o nojo do suor alheio dançando quase grudada na caixa de som, enquanto o DJ bonitinho e descolado se vangloriava pela festa bonita.

Quando acordei já era dia de cinzas. Enjoada e surda  me olhei no espelho,  vi o que não queria  ver. Alguém de 25 anos. Não estou triste pelas conquistas que não conquistei nem pelo que eu gostaria de já ter vivido e ainda não vivi, porque sei que vou viver. Estou triste porque, de alguma forma, eu realmente esperava que o tempo fosse parar.

Mas é quarta de cinzas. O Carnaval acabou. Ano que vem tem outro e mais outro e mais outro. E as pessoas não vão nem precisar abrir alas, porque eu mesma vou passar sozinha.

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