Paramore depois da risada, depressão e ansiedade
August 06, 2017 - Tags: Arte, Música

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Paramore lançou  After Laughter, seu mais novo disco, não faz muito tempo e eu pensei que a vontade de falar sobre ele e linkar o tema das músicas da (ex)banda emo iria passar com o tempo, mas só fez crescer.

A banda formada quando os integrantes eram adolescentes não poderia ter caminhado para outra direção. Depois de inúmeros desentendimentos e um CD inteiro dedicado às brigas da banda (o Brand new eyes, de 2009), a volta e a saída de três membros, o próximo CD da banda traria letras com temas  inevitáveis. O que quero dizer é que After Laughter seria um “álbum-consequência” para a o grupo e principalmente para a vocalista Hayley Williams.

O disco e suas letras não poderiam ter caído de forma mais perfeita no momento atual da minha vida. E o mais incrível, na vida de muitos dos fãs da banda, que agora já não são mais adolescentes e têm que encarar a realidade da vida adulta no século da ansiedade e depressão.

O que acontece depois da risada, afinal? Hayley  e qualquer um que sofra de ansiedade e depressão sabe muito bem. Por mais que tenha tentado fugir desses demônios, como a própria vocalista afirmou em entrevistas, eles acabaram a alcançando e a tornaram quase incapaz de conseguir compor para o Paramore. Foi só com a ajuda do guitarrista Taylor que ela conseguiu voltar aos trilhos e juntos fazerem o After Laughter.

Quando ouvi o CD, o estilo hipster das músicas não me agradou de cara não, mas foi ouvindo a letra primeira faixa, Hard Times, que me senti menos sozinha. Era como se Hayley estivesse cantando exatamente o que eu sentia.

Tudo o que eu quero

É acordar bem

Me diga que eu estou bem

Que não vou morrer

                                                 (…)Tempos difíceis

Vão te fazer pensar em por que você ainda tenta.

 

Depois da risada, para mim, é exatamente esse momento que você meio que desiste de dar murro em ponta de faca, se sente tão incompetente e fraca contra as inúmeras coisas ruins que o mundo insistentemente joga na sua cara sem você ter  forças para revidar.  Quando você desiste de tentar ver as coisas pelo lado bom.

Depois de três anos de tratamentos com terapia e remédios, aquela coisa mais forte que você volta com tudo e, na real, você não quer mais fingir que está bem. Não quer que perguntem como você está e, principalmente, só quer que te deixem chorar em paz, exatamente como diz  Rose-colored boy:

(…) Estou tão irritada

Porque eu acabei de matar

O que restava de otimista em mim

Corações estão se partindo, guerras estão aumentando

(…)Apenas me deixe chorar um pouco mais

Não vou sorrir se eu não quiser

Parece mais triste do que é, mas a realidade é que é muito reconfortante ouvir  como você se sente saindo da boca de pessoas que, assim como você, um dia foram seres saltitantes que enxergavam o mundo de uma forma melhor.

Foi uma surpresa ver que agora, com seus 28 anos, Hayley e o guitarrista Taylor tiveram a coragem de falar o que muita gente tem vergonha de expor e escrever músicas que refletem toda uma geração angustiada vivendo em uma sociedade aos pedaços.

Mas nem de coisas ruins After Laughter é feito. As baladinhas românticas e com letras mais animadas ainda estão ali, só que de forma realista. Como Forgviness ( “Não vá me entender errado, perdoar não é esquecer “) ou Grudges:

É estranho como nos achamos

Exatamente onde nos deixamos

Eu sei que você está me cumprimentando

Como se fosse a primeira vez

Pare de perguntar por quê

Por que nós tivemos que desperdiçar tanto tempo

Bem, nós acabamos de levantar, levantamos e começamos de novo.

Depressão e ansiedade estão aí. Empurrar para debaixo do tapete não vai trazer a solução. Acho que o que eu e qualquer outra pessoa que tenha isso nas suas vidas tem que fazer é reconhecer  que estamos presos bem no meio e que, assim como Caught in The Middle diz, não temos que olhar para traz muito menos muito à frente, apenas tentar continuar seguindo.

É por isso que After Laughter, apesar de não ser meu favorito da banda, foi como um presente do universo. A banda cresceu e mudou, assim como eu e meus amigos, e saber que não estamos sozinhos e nem vamos chegar ao fundo do poço nesse furacão de emoções é lindo. O que acontece depois da risada é uma angústia leve, mas seguida da estabilização. Ainda bem.

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